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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 22/11/2017

22 de Novembro de 2017

Francisco, o cristão

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04/10/2017 14:45 - Atualizado em 04/10/2017 14:45

Francisco, o cristão 0

04/10/2017 14:45 - Atualizado em 04/10/2017 14:45

A Solenidade do seráfico profeta e patriarca da paz São Francisco de Assis é fascinante e move os corações humanos, renova a vocação humana e cristã do cuidado da criação e sobretudo da escuta da Palavra de Deus, da vivência do Evangelho acolhendo-a como forma de vida, projeto e norma que orienta, move e renova o agir Humano e Cristão. Assim foi a vida e o testemunho de São Francisco de Assis. Ele durante toda sua vida foi um arauto do grande Rei, um apóstolo da perfeição evangélica, soube abraçar concretamente o Evangelho de Jesus Cristo para toda a vida, aos seus frades deixou como Testamento vivo, seu carisma evangélico, a dizia-lhes “Irmãos a forma e a vida de nossa fraternidade é viver em obediência sem nada de próprio e em pureza de espírito o Evangelho”, e isso constitui sua espiritualidade e seu carisma na Igreja.  

Fazer memória de São Francisco de Assis é algo que impulsiona os cristãos e ao mesmo tempo que ultrapassa os muros da própria Igreja, é uma alegria que transcende e ressoa em nós um forte sentimento de esperança.  Temos em São Francisco o homem apaixonado pela vida, irmão de toda a criatura, o menor entre os menores e companheiro dos excluídos, o peregrino e forasteiro, cantor da alegria e do sofrimento. Recordamos do Francisco de Clara, de Antônio e de cada um de nós. Porém, esse sentimento não pode reduzir-se a um simples recordar, nostálgico, mas tornar-se realidade, atitudes concretas em nossa vida humana e cristã.  

A vocação de Francisco de Assis assenta essencialmente em dois pontos: o ideal evangélico que propôs e o Amor ao próximo, ele desejava ser como Cristo, que viveu pobre toda sua vida, ele também soube reconhecer o verdadeiro sentido da vida através da fraternidade, dos irmãos que o Senhor lhe dera.  No seu testamento ele expressa tão bem este sentimento fraterno quando diz: “E depois que o Senhor me deu irmãos ninguém me mostrou o que eu deveria fazer, mas o Altíssimo mesmo me revelou que eu devia viver segundo a forma do Santo Evangelho”. Isso nos mostra como é importante viver em fraternidade e em comunhão com todos os homens e mulheres de boa vontade, são os irmãos que o Senhor nos concede pelo caminho da vida. Viver o Evangelho em pobreza; não desejar ter além do necessário para uma vida digna.

O sinal mais eloquente da vivência franciscana do Evangelho é a vida de pobreza, onde, em solidariedade com os excluídos e descartados de nossa sociedade, buscam viver o despojamento da vida a fim de que os bens sejam partilhados com todos e acima de tudo o pão seja um dom que se reparte com todos os irmãos na construção de um mundo mais humano e fraterno este mundo sonhado por Deus e por são Francisco de Assis.

Viver o Evangelho em fraternidade; sentir-se irmãos de toda criatura. Sonharmos com a fraternidade universal como Francisco de Assis é poder reconhecer em cada pessoa a imagem do Criador, não desprezando ninguém. Sermos sinais de misericórdia e acolhida, apoio e conforto nas dificuldades, solidariedade e compaixão nos sofrimentos. Estabelecermos relações firmadas nas pessoas e em sua dignidade, não em seus bens ou posições sociais.  Assim olhando para São Francisco neste dia de sua solenidade renovamos o desejo de construirmos relações fraternas firmadas na verdade e no respeito ao outro, com autenticidade e respeito às diferenças.

 Viver o Evangelho em comunhão com toda a natureza; em tempos de acelerada destruição e violação dos direitos da natureza, somos convocados à missão de defesa e cuidado com toda forma de vida. Viver o Evangelho em espírito de oração; sermos pessoas orantes, e  contemplativos de mistério da encarnação de  Deus no olhar puro que se estende a “tudo e a todos” como criaturas amadas no coração do Criador, em constante busca do Senhor, manter um diálogo aberto com o Pai, em momentos de oração pessoal e comunitária; buscarmos lugar de deserto e de silêncio; cultivarmos a leitura da Bíblica como prática cotidiana, pois Jamais poderemos entender o fascínio de Francisco sem a Palavra, a palavra encarnou-se em sua vida, e foi a inspiração do projeto novo que ele acolheu, por isso foi também um homem novo na sua intimidade com o Pai; autêntico praticante do Evangelho.  

Viver o Evangelho: simplesmente viver - somos desafiados a sermos como Francisco em nosso tempo na História que vamos construindo juntos como Fraternidade na certeza que com Deus somos muito mais, se dermos as mãos e formarmos a grande fraternidade sonhada e vivenciada por Francisco de Assis e que ainda Hoje é Possível.  A razão do viver e agir de São Francisco de Assis é Jesus Cristo, o Cristo que lhe falara através do Crucifixo da igrejinha de São Damião, era o chamado a reconstruir a igreja de Deus presente na história, é este Cristo que lhe alarga os horizontes, rompe o tempo e o lugar, faz brotar desejos de eternidade ELE é o eixo à volta do qual tudo em Francisco gira, é a referência constante para agir, pensar e viver. É o modelo supremo a imitar. Tanto assim que foi chamado de “o outro Cristo”, tanto mais ele mesmo quanto mais próximo de Cristo.

É nesta perspectiva belíssima que celebramos, neste dia 04 de outubro, a feliz solenidade do arauto do grande Rei, do Homem do milênio, simplesmente Francisco de Assis e de toda humanidade, o patrono da Ecologia, Padroeiro Principal da Itália, O irmão das criaturas, incansável servo dos pobres. 

Cronologia da vida e dos acontecimentos do Poverello de Assis

1181 ou 1182- Francisco nasce, em Assis, Itália, filho de Pedro Bernardone, mercador de tecidos, e de Donna Pica. Recebeu, no batismo, ocorrido na catedral de S. Rufino, o nome de João, que seu pai, ao regressar da Provença, mudou para Francisco (Francesco ou Francês), em homenagem à França, aonde ia abastecer-se de panos.

1200 - Francisco é aclamado Rei da Juventude e, juntamente com a corte dos amigos, passa a vida em festas, banquetes, serenatas, guitarradas e canções, à porta das belas moças de Assis. O pai encanta-se com a fama do filho, que lhe dá grande esperança de continuador dos seus negócios.

1202 - Francisco participa na guerra entre Assis e a vizinha Perusa. Assis é derrotada e Francisco fica preso, em Perusa, durante um ano. Na prisão anima os companheiros com sua alegria e canções de liberdade.

1204 - Ansioso de glória, Francisco alista-se nas hostes de Gualter de Brienne e parte, numa expedição de Assis, para a Apúlia, a libertar territórios do Papa Inocêncio III. Quando cavalgava para o campo de batalha, um sonho, tido em Espoleto, durante a noite, fá-lo regressar a Assis, onde começa a levar vida retirada, que provoca uma viragem no seu ideal.

1205 - Francisco ouve do crucifixo da igreja de São Damião esta fala: “Francisco vai reparar a minha igreja que está a cair em ruínas!”. Pedro Bernardone desagrada-se desta mudança do filho e move-lhe violenta oposição, enquanto a mãe se mostra mais compreensiva e pacificadora. O pai prende Francisco num cubículo gradeado, mas a mãe, na ausência paterna, abre-lhe as grades.

1206 - Francisco despe a roupa no tribunal do Bispo de Assis, e entrega-a ao pai, exclamando: “Até hoje chamei pai a Pedro Bernardone; doravante, poderei dizer deveras: Pai Nosso que estais nos céus!” O bispo envolve Francisco nu na sua capa e este sai de Assis rumo à sua vida nova, começando a reparar a igrejinha de São Damião.

1206 a 1208 - Francisco reconstrói as igrejinhas de São Damião, São Pedro e Santa Maria dos Anjos da Porciúncula.

1209- Francisco dirige-se a Roma, com onze companheiros, e obtém do Papa Inocêncio III a aprovação oral da sua Regra e da sua Forma de Vida de Frades Menores. A forma vitae é a primeira autorização da Igreja para os irmãos menores viver a forma do Santo Evangelho.

1209 ou 1210 - Francisco funda a Ordem dos Irmãos e Irmãs da Penitência, depois chamada Ordem Terceira de São Francisco (Tertius Ordo Franciscani – TOF) e, hoje, denominada Ordem Franciscana Secular (OFS).

1212 - Clara de Favarone, menina de Assis, onde nasceu, a 16 de julho de 1193 ou 1194, é recebida por Francisco, na noite do Domingo de Ramos, em Santa Maria dos Anjos da Porciúncula, dando, assim, início à Ordem das Clarissas ou das Senhoras Pobres de Assis.

1213 - Francisco aceita o Monte Alverne, oferecido pelo Conde Orlando de Chiusi para que nele construa um ermitério e ali se possa entregar à oração. Monte Alverne é um dos lugares altos da vida e espiritualidade de Francisco. Ali, recebeu a impressão das chagas do Crucificado.

1216 - Francisco obtém do Papa Honório III a indulgência da Porciúncula, a igrejinha Mãe da nova Família Religiosa.

1219 - Francisco vai ao Próximo Oriente, onde os cristãos europeus movem guerra aos Muçulmanos, para libertarem os Lugares Santos. Dando início ao diálogo inter-religioso e ao espírito ecuménico, é recebido benevolamente pelo Sultão do Egito, prediz a derrota dos cristãos e visita a terra de Jesus.

1221 - Francisco obtém do Papa Honório III a aprovação da Regra dos Irmãos e Irmãs da Penitência, dita, hoje, Ordem Franciscana Secular.

1223 - O Papa Honório III aprova a Regra definitiva ou Regra bulada (2 R ) da Ordem dos Frades Menores ( OFM ). Francisco celebra, na noite de 24 para 25 de dezembro, a festa de Natal, em Greccio, aldeia do Vale de Rieti, na propriedade do seu amigo, João de Velita, que, ali, armou o primeiro presépio. Francisco oficiou de diácono na missa.

1224- Francisco tem a visão do Serafim alado, em setembro, no Monte Alverne, recebendo, no seu corpo, as chagas de Cristo Crucificado.

1224 e 1225- Montado num jumento, prega pela Úmbria e pelas Marcas de Ancona.

1225 - Visita Clara, em São Damião. Os tratamentos que lhe fazem não surtem efeito. Fica internado em São Damião. Ali, alquebrado, esmagado de dores e quase cego, compõe e canta, em abril ou maio, o Cântico do Irmão Sol ou das Criaturas. Em julho, dirige-se a Rieti para novo tratamento e é acolhido pelo Cardeal Hugolino, seu grande amigo. No mês de agosto o médico cauteriza-lhe as fontes, aplicando-lhe um ferro em brasa, sem resultados. Volta a Rieti, em setembro, e, em La Foresta, renova a vinha do padre local, agastado com a devastação operada pelos admiradores e devotos de Francisco.

1226/1227 -Francisco vive em Rieti, em Fonte Colombo e em Sena. Em maio ou junho regressa à Porciúncula. Em agosto ou setembro vai ao palácio do bispo Dom Guido para se tratar. A seu pedido, é levado para a Porciúncula, e, no caminho, lançado a bênção à sua cidade de Assis. Na Porciúncula dita o Testamento. No dia 3 de outubro, ao sol-posto, morre, rodeado dos Irmãos, banhados em lágrimas, é a grande celebração do Transitus de São Francisco de Assis.

No dia 4 é sepultado na igreja de São Jorge. 1228 no dia 16 de julho, Francisco é canonizado pelo Cardeal Hugolino, Protetor da Ordem e seu grande amigo, agora, papa, com o nome de Gregório IX.

1230 - No dia 25 de maio, os restos mortais do Patriarca da Família Franciscana são trasladados para a nova Basílica de São Francisco de Assis, hoje visitada por milhares de peregrinos que vem viver a experiência e fascínio de conhecer e viver a forma de vida franciscana.

Que a vida, a pregação e o espírito de renovação de São Francisco de Assis, patriarca da paz entre os homens e as sociedades, para que a normalidade retorne para a nossa sofrida cidade e que toda violência cesse em nome de Deus. Assim nos ajude o Seráfico São Francisco de Assis!

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Francisco, o cristão

04/10/2017 14:45 - Atualizado em 04/10/2017 14:45

A Solenidade do seráfico profeta e patriarca da paz São Francisco de Assis é fascinante e move os corações humanos, renova a vocação humana e cristã do cuidado da criação e sobretudo da escuta da Palavra de Deus, da vivência do Evangelho acolhendo-a como forma de vida, projeto e norma que orienta, move e renova o agir Humano e Cristão. Assim foi a vida e o testemunho de São Francisco de Assis. Ele durante toda sua vida foi um arauto do grande Rei, um apóstolo da perfeição evangélica, soube abraçar concretamente o Evangelho de Jesus Cristo para toda a vida, aos seus frades deixou como Testamento vivo, seu carisma evangélico, a dizia-lhes “Irmãos a forma e a vida de nossa fraternidade é viver em obediência sem nada de próprio e em pureza de espírito o Evangelho”, e isso constitui sua espiritualidade e seu carisma na Igreja.  

Fazer memória de São Francisco de Assis é algo que impulsiona os cristãos e ao mesmo tempo que ultrapassa os muros da própria Igreja, é uma alegria que transcende e ressoa em nós um forte sentimento de esperança.  Temos em São Francisco o homem apaixonado pela vida, irmão de toda a criatura, o menor entre os menores e companheiro dos excluídos, o peregrino e forasteiro, cantor da alegria e do sofrimento. Recordamos do Francisco de Clara, de Antônio e de cada um de nós. Porém, esse sentimento não pode reduzir-se a um simples recordar, nostálgico, mas tornar-se realidade, atitudes concretas em nossa vida humana e cristã.  

A vocação de Francisco de Assis assenta essencialmente em dois pontos: o ideal evangélico que propôs e o Amor ao próximo, ele desejava ser como Cristo, que viveu pobre toda sua vida, ele também soube reconhecer o verdadeiro sentido da vida através da fraternidade, dos irmãos que o Senhor lhe dera.  No seu testamento ele expressa tão bem este sentimento fraterno quando diz: “E depois que o Senhor me deu irmãos ninguém me mostrou o que eu deveria fazer, mas o Altíssimo mesmo me revelou que eu devia viver segundo a forma do Santo Evangelho”. Isso nos mostra como é importante viver em fraternidade e em comunhão com todos os homens e mulheres de boa vontade, são os irmãos que o Senhor nos concede pelo caminho da vida. Viver o Evangelho em pobreza; não desejar ter além do necessário para uma vida digna.

O sinal mais eloquente da vivência franciscana do Evangelho é a vida de pobreza, onde, em solidariedade com os excluídos e descartados de nossa sociedade, buscam viver o despojamento da vida a fim de que os bens sejam partilhados com todos e acima de tudo o pão seja um dom que se reparte com todos os irmãos na construção de um mundo mais humano e fraterno este mundo sonhado por Deus e por são Francisco de Assis.

Viver o Evangelho em fraternidade; sentir-se irmãos de toda criatura. Sonharmos com a fraternidade universal como Francisco de Assis é poder reconhecer em cada pessoa a imagem do Criador, não desprezando ninguém. Sermos sinais de misericórdia e acolhida, apoio e conforto nas dificuldades, solidariedade e compaixão nos sofrimentos. Estabelecermos relações firmadas nas pessoas e em sua dignidade, não em seus bens ou posições sociais.  Assim olhando para São Francisco neste dia de sua solenidade renovamos o desejo de construirmos relações fraternas firmadas na verdade e no respeito ao outro, com autenticidade e respeito às diferenças.

 Viver o Evangelho em comunhão com toda a natureza; em tempos de acelerada destruição e violação dos direitos da natureza, somos convocados à missão de defesa e cuidado com toda forma de vida. Viver o Evangelho em espírito de oração; sermos pessoas orantes, e  contemplativos de mistério da encarnação de  Deus no olhar puro que se estende a “tudo e a todos” como criaturas amadas no coração do Criador, em constante busca do Senhor, manter um diálogo aberto com o Pai, em momentos de oração pessoal e comunitária; buscarmos lugar de deserto e de silêncio; cultivarmos a leitura da Bíblica como prática cotidiana, pois Jamais poderemos entender o fascínio de Francisco sem a Palavra, a palavra encarnou-se em sua vida, e foi a inspiração do projeto novo que ele acolheu, por isso foi também um homem novo na sua intimidade com o Pai; autêntico praticante do Evangelho.  

Viver o Evangelho: simplesmente viver - somos desafiados a sermos como Francisco em nosso tempo na História que vamos construindo juntos como Fraternidade na certeza que com Deus somos muito mais, se dermos as mãos e formarmos a grande fraternidade sonhada e vivenciada por Francisco de Assis e que ainda Hoje é Possível.  A razão do viver e agir de São Francisco de Assis é Jesus Cristo, o Cristo que lhe falara através do Crucifixo da igrejinha de São Damião, era o chamado a reconstruir a igreja de Deus presente na história, é este Cristo que lhe alarga os horizontes, rompe o tempo e o lugar, faz brotar desejos de eternidade ELE é o eixo à volta do qual tudo em Francisco gira, é a referência constante para agir, pensar e viver. É o modelo supremo a imitar. Tanto assim que foi chamado de “o outro Cristo”, tanto mais ele mesmo quanto mais próximo de Cristo.

É nesta perspectiva belíssima que celebramos, neste dia 04 de outubro, a feliz solenidade do arauto do grande Rei, do Homem do milênio, simplesmente Francisco de Assis e de toda humanidade, o patrono da Ecologia, Padroeiro Principal da Itália, O irmão das criaturas, incansável servo dos pobres. 

Cronologia da vida e dos acontecimentos do Poverello de Assis

1181 ou 1182- Francisco nasce, em Assis, Itália, filho de Pedro Bernardone, mercador de tecidos, e de Donna Pica. Recebeu, no batismo, ocorrido na catedral de S. Rufino, o nome de João, que seu pai, ao regressar da Provença, mudou para Francisco (Francesco ou Francês), em homenagem à França, aonde ia abastecer-se de panos.

1200 - Francisco é aclamado Rei da Juventude e, juntamente com a corte dos amigos, passa a vida em festas, banquetes, serenatas, guitarradas e canções, à porta das belas moças de Assis. O pai encanta-se com a fama do filho, que lhe dá grande esperança de continuador dos seus negócios.

1202 - Francisco participa na guerra entre Assis e a vizinha Perusa. Assis é derrotada e Francisco fica preso, em Perusa, durante um ano. Na prisão anima os companheiros com sua alegria e canções de liberdade.

1204 - Ansioso de glória, Francisco alista-se nas hostes de Gualter de Brienne e parte, numa expedição de Assis, para a Apúlia, a libertar territórios do Papa Inocêncio III. Quando cavalgava para o campo de batalha, um sonho, tido em Espoleto, durante a noite, fá-lo regressar a Assis, onde começa a levar vida retirada, que provoca uma viragem no seu ideal.

1205 - Francisco ouve do crucifixo da igreja de São Damião esta fala: “Francisco vai reparar a minha igreja que está a cair em ruínas!”. Pedro Bernardone desagrada-se desta mudança do filho e move-lhe violenta oposição, enquanto a mãe se mostra mais compreensiva e pacificadora. O pai prende Francisco num cubículo gradeado, mas a mãe, na ausência paterna, abre-lhe as grades.

1206 - Francisco despe a roupa no tribunal do Bispo de Assis, e entrega-a ao pai, exclamando: “Até hoje chamei pai a Pedro Bernardone; doravante, poderei dizer deveras: Pai Nosso que estais nos céus!” O bispo envolve Francisco nu na sua capa e este sai de Assis rumo à sua vida nova, começando a reparar a igrejinha de São Damião.

1206 a 1208 - Francisco reconstrói as igrejinhas de São Damião, São Pedro e Santa Maria dos Anjos da Porciúncula.

1209- Francisco dirige-se a Roma, com onze companheiros, e obtém do Papa Inocêncio III a aprovação oral da sua Regra e da sua Forma de Vida de Frades Menores. A forma vitae é a primeira autorização da Igreja para os irmãos menores viver a forma do Santo Evangelho.

1209 ou 1210 - Francisco funda a Ordem dos Irmãos e Irmãs da Penitência, depois chamada Ordem Terceira de São Francisco (Tertius Ordo Franciscani – TOF) e, hoje, denominada Ordem Franciscana Secular (OFS).

1212 - Clara de Favarone, menina de Assis, onde nasceu, a 16 de julho de 1193 ou 1194, é recebida por Francisco, na noite do Domingo de Ramos, em Santa Maria dos Anjos da Porciúncula, dando, assim, início à Ordem das Clarissas ou das Senhoras Pobres de Assis.

1213 - Francisco aceita o Monte Alverne, oferecido pelo Conde Orlando de Chiusi para que nele construa um ermitério e ali se possa entregar à oração. Monte Alverne é um dos lugares altos da vida e espiritualidade de Francisco. Ali, recebeu a impressão das chagas do Crucificado.

1216 - Francisco obtém do Papa Honório III a indulgência da Porciúncula, a igrejinha Mãe da nova Família Religiosa.

1219 - Francisco vai ao Próximo Oriente, onde os cristãos europeus movem guerra aos Muçulmanos, para libertarem os Lugares Santos. Dando início ao diálogo inter-religioso e ao espírito ecuménico, é recebido benevolamente pelo Sultão do Egito, prediz a derrota dos cristãos e visita a terra de Jesus.

1221 - Francisco obtém do Papa Honório III a aprovação da Regra dos Irmãos e Irmãs da Penitência, dita, hoje, Ordem Franciscana Secular.

1223 - O Papa Honório III aprova a Regra definitiva ou Regra bulada (2 R ) da Ordem dos Frades Menores ( OFM ). Francisco celebra, na noite de 24 para 25 de dezembro, a festa de Natal, em Greccio, aldeia do Vale de Rieti, na propriedade do seu amigo, João de Velita, que, ali, armou o primeiro presépio. Francisco oficiou de diácono na missa.

1224- Francisco tem a visão do Serafim alado, em setembro, no Monte Alverne, recebendo, no seu corpo, as chagas de Cristo Crucificado.

1224 e 1225- Montado num jumento, prega pela Úmbria e pelas Marcas de Ancona.

1225 - Visita Clara, em São Damião. Os tratamentos que lhe fazem não surtem efeito. Fica internado em São Damião. Ali, alquebrado, esmagado de dores e quase cego, compõe e canta, em abril ou maio, o Cântico do Irmão Sol ou das Criaturas. Em julho, dirige-se a Rieti para novo tratamento e é acolhido pelo Cardeal Hugolino, seu grande amigo. No mês de agosto o médico cauteriza-lhe as fontes, aplicando-lhe um ferro em brasa, sem resultados. Volta a Rieti, em setembro, e, em La Foresta, renova a vinha do padre local, agastado com a devastação operada pelos admiradores e devotos de Francisco.

1226/1227 -Francisco vive em Rieti, em Fonte Colombo e em Sena. Em maio ou junho regressa à Porciúncula. Em agosto ou setembro vai ao palácio do bispo Dom Guido para se tratar. A seu pedido, é levado para a Porciúncula, e, no caminho, lançado a bênção à sua cidade de Assis. Na Porciúncula dita o Testamento. No dia 3 de outubro, ao sol-posto, morre, rodeado dos Irmãos, banhados em lágrimas, é a grande celebração do Transitus de São Francisco de Assis.

No dia 4 é sepultado na igreja de São Jorge. 1228 no dia 16 de julho, Francisco é canonizado pelo Cardeal Hugolino, Protetor da Ordem e seu grande amigo, agora, papa, com o nome de Gregório IX.

1230 - No dia 25 de maio, os restos mortais do Patriarca da Família Franciscana são trasladados para a nova Basílica de São Francisco de Assis, hoje visitada por milhares de peregrinos que vem viver a experiência e fascínio de conhecer e viver a forma de vida franciscana.

Que a vida, a pregação e o espírito de renovação de São Francisco de Assis, patriarca da paz entre os homens e as sociedades, para que a normalidade retorne para a nossa sofrida cidade e que toda violência cesse em nome de Deus. Assim nos ajude o Seráfico São Francisco de Assis!

Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro