Arquidiocese do Rio de Janeiro

35º 27º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 17/01/2018

17 de Janeiro de 2018

São Sebastião, exemplo de cristão leigo, sujeito eclesial

Enviando...
Por favor, preencha os campos adequadamente.
Ocorreu um erro no envio do e-mail.
E-mail enviado com sucesso.

17 de Janeiro de 2018

São Sebastião, exemplo de cristão leigo, sujeito eclesial

Se você encontrou erro neste texto ou nesta página, por favor preencha os campos abaixo. O link da página será enviado automaticamente a ArqRio.

Enviando...
Por favor, preencha os campos adequadamente.
Ocorreu um erro no envio do erro.
Erro relatado com sucesso, obrigado.

10/01/2018 10:49 - Atualizado em 10/01/2018 10:49

São Sebastião, exemplo de cristão leigo, sujeito eclesial 0

10/01/2018 10:49 - Atualizado em 10/01/2018 10:49

É sempre bom celebrar o padroeiro. É sempre bom celebrar São Sebastião. As celebrações se repetem anualmente, mas não nos cansamos de fazê-las. Ao contrário, animamo-nos com este período tão bonito em nossa arquidiocese. Vibramos com a trezena, que percorre boa parte da cidade, lotamos a procissão e enchemos nossas igrejas. Tudo isso para celebrar aquele de quem gostamos e com quem nos identificamos. A cada ano, para nos ajudar no fortalecimento da Fé, um tema nos é apresentado. Este tema percorre a trezena e marca as celebrações, sendo detalhado em diversos aspectos, um dos quais somos agora convidados a refletir.

A Igreja no Brasil está celebrando o Ano do Laicato, tempo para que os batizados e batizadas revigorem em si a grandeza do dom batismal. Contemplar a vida de um santo é, sem dúvida, um excelente caminho para isso. De fato, quando olhamos a vida de São Sebastião, vida bem conhecida de todos nós, entendemos o que, na linguagem de hoje, chamamos de sujeito eclesial.

Esta expressão foi utilizada pelos bispos do Brasil ao aprovarem um texto destinado a todos os batizados. O sujeito, bem sabemos, é alguém que, consciente e responsável de si mesmo, reconhece que tem um importante papel a desempenhar. É alguém que entende a vida como missão e assume, livre e apaixonadamente, essa missão. É alguém que descobre o amor de Deus manifestado em Jesus Cristo, traduz esse amor em fraternidade e defesa de cada ser humano, enfrentando o pecado, tenha ele a forma que tiver. O sujeito eclesial não é, de forma alguma, um cristão passivo, acomodado, adormecido na sombra da pia batismal ou nos bancos de uma igreja. Ao contrário, é aquela pessoa que, olhando o céu com os pés no chão e olhando a vida com o coração no céu, reconhece que deve agir em favor do Evangelho e dos irmãos.

Uma boa imagem, a meu ver, é a do motorista de um veículo. Ele sabe que não pode adormecer no volante, que não pode sequer distrair-se por um instante. Sempre terá algo a fazer. É verdade que, algumas vezes, dirigir muito leva ao cansaço, mas, depois de um tempo, o motorista se revigora e a viagem continua. Diante de pressões, entraves e angústias, podemos cair no risco da acomodação religiosa, perdendo o vigor missionário. Quando isso se torna uma característica da vida, já não seremos mais sujeitos, porém objetos à semelhança de um vaso que há muito tempo está numa sala e ninguém nota mais. Não faz qualquer diferença.

O Ano do Laicato, com a ideia do sujeito eclesial, quer ser um impulso para a superação do imobilismo. Por diversas razões, nós católicos, tendemos à acomodação. Vivemos no século XXI, com a mentalidade, entretanto, de alguns séculos atrás, quando evangelizar poderia significar dar apenas o empurrão inicial, que tudo iria como que automaticamente. Sem julgar o passado, é bom lembrar que o mundo mudou. De modo especial, nas últimas décadas o mundo se transformou bastante, fazendo com que o tempo atual seja um tempo de missão. Por mais complexa que seja, portanto, a realidade, nunca podemos nos omitir, pois lesaremos parte importante de nós mesmos e de nossa fé. Por isso, é tão importante olhar o passado e ver como os santos e santas foram, mesmo sem usar a expressão, sujeitos eclesiais.

São Sebastião é um daqueles exemplos fabulosos. Mesmo diante da perseguição, da pressão por se afastar do caminho do Evangelho, não esperou que outros agissem nem que, como costumamos dizer, a resposta viesse diretamente do céu. São Sebastião fez o que tinha de fazer: permaneceu fiel ao Evangelho, praticou a fraternidade e a caridade, enfrentou o pecado e os pecadores chamando-os à conversão e deu a vida por tudo isso. Os mártires são o grau mais elevado do ser sujeito eclesial. Que ninguém se assuste com isso, temendo o martírio e por isso se abstenha de viver, testemunhar e anunciar o Evangelho.

Nosso padroeiro contou com sua fé, sua coragem, os ensinamentos possivelmente recebidos em família e com a ajuda da comunidade de fé. Foi resgatado na floresta, onde havia sido deixado para morrer lenta e cruelmente. Nem por isso considerou sua missão como cumprida. Ao contrário, ele sabia que a missão de sujeito eclesial só se encerra quando contemplamos face-a-face Aquele que é o único Sujeito de tudo e de todos.

São Sebastião, rogai por nós.

Leia os comentários

Deixe seu comentário

Resposta ao comentário de:

Enviando...
Por favor, preencha os campos adequadamente.
Ocorreu um erro no envio do comentário.
Comentário enviado para aprovação.

São Sebastião, exemplo de cristão leigo, sujeito eclesial

10/01/2018 10:49 - Atualizado em 10/01/2018 10:49

É sempre bom celebrar o padroeiro. É sempre bom celebrar São Sebastião. As celebrações se repetem anualmente, mas não nos cansamos de fazê-las. Ao contrário, animamo-nos com este período tão bonito em nossa arquidiocese. Vibramos com a trezena, que percorre boa parte da cidade, lotamos a procissão e enchemos nossas igrejas. Tudo isso para celebrar aquele de quem gostamos e com quem nos identificamos. A cada ano, para nos ajudar no fortalecimento da Fé, um tema nos é apresentado. Este tema percorre a trezena e marca as celebrações, sendo detalhado em diversos aspectos, um dos quais somos agora convidados a refletir.

A Igreja no Brasil está celebrando o Ano do Laicato, tempo para que os batizados e batizadas revigorem em si a grandeza do dom batismal. Contemplar a vida de um santo é, sem dúvida, um excelente caminho para isso. De fato, quando olhamos a vida de São Sebastião, vida bem conhecida de todos nós, entendemos o que, na linguagem de hoje, chamamos de sujeito eclesial.

Esta expressão foi utilizada pelos bispos do Brasil ao aprovarem um texto destinado a todos os batizados. O sujeito, bem sabemos, é alguém que, consciente e responsável de si mesmo, reconhece que tem um importante papel a desempenhar. É alguém que entende a vida como missão e assume, livre e apaixonadamente, essa missão. É alguém que descobre o amor de Deus manifestado em Jesus Cristo, traduz esse amor em fraternidade e defesa de cada ser humano, enfrentando o pecado, tenha ele a forma que tiver. O sujeito eclesial não é, de forma alguma, um cristão passivo, acomodado, adormecido na sombra da pia batismal ou nos bancos de uma igreja. Ao contrário, é aquela pessoa que, olhando o céu com os pés no chão e olhando a vida com o coração no céu, reconhece que deve agir em favor do Evangelho e dos irmãos.

Uma boa imagem, a meu ver, é a do motorista de um veículo. Ele sabe que não pode adormecer no volante, que não pode sequer distrair-se por um instante. Sempre terá algo a fazer. É verdade que, algumas vezes, dirigir muito leva ao cansaço, mas, depois de um tempo, o motorista se revigora e a viagem continua. Diante de pressões, entraves e angústias, podemos cair no risco da acomodação religiosa, perdendo o vigor missionário. Quando isso se torna uma característica da vida, já não seremos mais sujeitos, porém objetos à semelhança de um vaso que há muito tempo está numa sala e ninguém nota mais. Não faz qualquer diferença.

O Ano do Laicato, com a ideia do sujeito eclesial, quer ser um impulso para a superação do imobilismo. Por diversas razões, nós católicos, tendemos à acomodação. Vivemos no século XXI, com a mentalidade, entretanto, de alguns séculos atrás, quando evangelizar poderia significar dar apenas o empurrão inicial, que tudo iria como que automaticamente. Sem julgar o passado, é bom lembrar que o mundo mudou. De modo especial, nas últimas décadas o mundo se transformou bastante, fazendo com que o tempo atual seja um tempo de missão. Por mais complexa que seja, portanto, a realidade, nunca podemos nos omitir, pois lesaremos parte importante de nós mesmos e de nossa fé. Por isso, é tão importante olhar o passado e ver como os santos e santas foram, mesmo sem usar a expressão, sujeitos eclesiais.

São Sebastião é um daqueles exemplos fabulosos. Mesmo diante da perseguição, da pressão por se afastar do caminho do Evangelho, não esperou que outros agissem nem que, como costumamos dizer, a resposta viesse diretamente do céu. São Sebastião fez o que tinha de fazer: permaneceu fiel ao Evangelho, praticou a fraternidade e a caridade, enfrentou o pecado e os pecadores chamando-os à conversão e deu a vida por tudo isso. Os mártires são o grau mais elevado do ser sujeito eclesial. Que ninguém se assuste com isso, temendo o martírio e por isso se abstenha de viver, testemunhar e anunciar o Evangelho.

Nosso padroeiro contou com sua fé, sua coragem, os ensinamentos possivelmente recebidos em família e com a ajuda da comunidade de fé. Foi resgatado na floresta, onde havia sido deixado para morrer lenta e cruelmente. Nem por isso considerou sua missão como cumprida. Ao contrário, ele sabia que a missão de sujeito eclesial só se encerra quando contemplamos face-a-face Aquele que é o único Sujeito de tudo e de todos.

São Sebastião, rogai por nós.

Dom Joel Portella Amado
Autor

Dom Joel Portella Amado

Bispo Auxiliar da Arquidiocese do Rio de Janeiro