Arquidiocese do Rio de Janeiro

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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 23/02/2018

23 de Fevereiro de 2018

Artigo 20: Carne x Espírito

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23 de Fevereiro de 2018

Artigo 20: Carne x Espírito

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Cristo nos chama à atenção em Mt 5, 27 – 28: “todo aquele que olha para uma mulher com desejo libidinoso já cometeu adultério com ela em seu coração”. Nestas palavras, percebemos que Ele nos adverte para o cuidado que devemos ter ao olhar para o outro, ou seja, para o corpo, para a carne do próximo (ou da próxima) sem malícia em nosso coração. Jesus não quis dizer com estas palavras que o corpo é mau. Muito pelo contrário! É no corpo que somos pessoa. Aqui, podemos fazer uma breve lembrança de uma preciosidade de ensinamento da Teologia do Corpo: nós não temos um corpo, mas somos um corpo. E é, exatamente, neste mesmo corpo que se manifesta o ápice da criação: cada um de nós, sonhado, infinitamente amado por Deus.

Caminhando um pouco mais, Cristo nos revela a importância fundamental de não deturparmos o “desejo” do coração pela carne. O desejo também é bom, é saudável, mas a concupiscência presente nele altera toda a sua original pureza. Mais uma vez, podemos retomar, para melhor exemplificar, o relato da desobediência do primeiro homem e da primeira mulher que, assim que pecaram, perceberam que estavam nus. Foi daquele momento em diante que o olhar perdeu sua nobreza, sua grandiosidade, sua beleza, pois foi a partir daí que se deixou de enxergar a beleza do corpo e do espírito que o compõe. Tomou-se, então, um caminho de separar o corpo, que passou a ser considerado mau, do espírito que ter-se-ia mantido puro, já que “desvinculado” do corpo.

O corpo, na sua masculinidade e feminilidade, é, “desde o princípio”, chamado a tornar-se a manifestação do espírito (TdC XLV, 2). Temos, assim, dois caminhos a percorrer que se encontram no final. O primeiro passa pela impossibilidade de existência do corpo sem o espírito. Espírito e corpo se fundem num só. Quando não há o espírito, há morte. E, se há morte, não há vida, não há pessoa. E, o segundo caminho se concretiza mediante a união conjugal do homem e da mulher quando formam uma só carne. É essa união conjugal tão intensa (Mt 19, 5 – 6) que não há mais dois, mas apenas um. União esta que só é possível através de um homem e de uma mulher, pois aí se manifesta o verdadeiro significado esponsal do corpo, que fora maculado pela concupiscência do coração.

Neste ponto, podemos perceber o perigo da negação do valor do sexo, da masculinidade e da feminilidade. Tanto no sentido de aniquilar o corpo do homem e da mulher, quanto naquele de torná-los apenas fonte de pecado. É necessário adentrarmos nos detalhes das palavras de Cristo, pois Ele não condena a mulher ou mesmo o seu corpo quando um homem lhe dirige um olhar concupiscente. Na verdade, o que temos é um verdadeiro apelo ao coração humano para que se desapegue do ato mal e não do objeto do ato. Não há, portanto, uma acusação ao homem, ou ao seu coração, que age com desejo libidinoso, mas sim um convite, como Cristo sempre fez a todos, para uma mudança de vida real, trançando uma nova rota livre das amarras do pecado, das correntes que não nos deixar ser, inteiramente e integralmente, participantes do Reino de Deus.

Assim, se Cristo desejou nos afastássemos das más ações, mas não do seu objeto (o corpo) é sinal de que ele tem valor. Caso contrário, não seríamos um corpo, mas apenas espíritos que não estariam sujeitos às fraquezas e mazelas corporais. Aceitemos, finalmente, o convite para apreciarmos o verdadeiro valor da dignidade pessoal do corpo e do sexo.


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18/01/2018 00:00

Cristo nos chama à atenção em Mt 5, 27 – 28: “todo aquele que olha para uma mulher com desejo libidinoso já cometeu adultério com ela em seu coração”. Nestas palavras, percebemos que Ele nos adverte para o cuidado que devemos ter ao olhar para o outro, ou seja, para o corpo, para a carne do próximo (ou da próxima) sem malícia em nosso coração. Jesus não quis dizer com estas palavras que o corpo é mau. Muito pelo contrário! É no corpo que somos pessoa. Aqui, podemos fazer uma breve lembrança de uma preciosidade de ensinamento da Teologia do Corpo: nós não temos um corpo, mas somos um corpo. E é, exatamente, neste mesmo corpo que se manifesta o ápice da criação: cada um de nós, sonhado, infinitamente amado por Deus.

Caminhando um pouco mais, Cristo nos revela a importância fundamental de não deturparmos o “desejo” do coração pela carne. O desejo também é bom, é saudável, mas a concupiscência presente nele altera toda a sua original pureza. Mais uma vez, podemos retomar, para melhor exemplificar, o relato da desobediência do primeiro homem e da primeira mulher que, assim que pecaram, perceberam que estavam nus. Foi daquele momento em diante que o olhar perdeu sua nobreza, sua grandiosidade, sua beleza, pois foi a partir daí que se deixou de enxergar a beleza do corpo e do espírito que o compõe. Tomou-se, então, um caminho de separar o corpo, que passou a ser considerado mau, do espírito que ter-se-ia mantido puro, já que “desvinculado” do corpo.

O corpo, na sua masculinidade e feminilidade, é, “desde o princípio”, chamado a tornar-se a manifestação do espírito (TdC XLV, 2). Temos, assim, dois caminhos a percorrer que se encontram no final. O primeiro passa pela impossibilidade de existência do corpo sem o espírito. Espírito e corpo se fundem num só. Quando não há o espírito, há morte. E, se há morte, não há vida, não há pessoa. E, o segundo caminho se concretiza mediante a união conjugal do homem e da mulher quando formam uma só carne. É essa união conjugal tão intensa (Mt 19, 5 – 6) que não há mais dois, mas apenas um. União esta que só é possível através de um homem e de uma mulher, pois aí se manifesta o verdadeiro significado esponsal do corpo, que fora maculado pela concupiscência do coração.

Neste ponto, podemos perceber o perigo da negação do valor do sexo, da masculinidade e da feminilidade. Tanto no sentido de aniquilar o corpo do homem e da mulher, quanto naquele de torná-los apenas fonte de pecado. É necessário adentrarmos nos detalhes das palavras de Cristo, pois Ele não condena a mulher ou mesmo o seu corpo quando um homem lhe dirige um olhar concupiscente. Na verdade, o que temos é um verdadeiro apelo ao coração humano para que se desapegue do ato mal e não do objeto do ato. Não há, portanto, uma acusação ao homem, ou ao seu coração, que age com desejo libidinoso, mas sim um convite, como Cristo sempre fez a todos, para uma mudança de vida real, trançando uma nova rota livre das amarras do pecado, das correntes que não nos deixar ser, inteiramente e integralmente, participantes do Reino de Deus.

Assim, se Cristo desejou nos afastássemos das más ações, mas não do seu objeto (o corpo) é sinal de que ele tem valor. Caso contrário, não seríamos um corpo, mas apenas espíritos que não estariam sujeitos às fraquezas e mazelas corporais. Aceitemos, finalmente, o convite para apreciarmos o verdadeiro valor da dignidade pessoal do corpo e do sexo.


Tatiana e Ronaldo de Melo
Autor

Tatiana e Ronaldo de Melo

Núcleo de Formação e Espiritualidade da Pastoral Familiar da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro