Arquidiocese do Rio de Janeiro

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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 21/11/2018

21 de Novembro de 2018

Viver a fé em um mundo a construir

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21 de Novembro de 2018

Viver a fé em um mundo a construir

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Viver a fé em um mundo a construir 0

28/01/2018 00:00

Desde que iniciou sua missão, a grande preocupação dos cristãos foi como contextualizar e viver o Evangelho na cultura onde estavam inseridos. A própria narrativa dos Atos dos Apóstolos relata que, no dia de Pentecostes, pela ação do Espírito Santo, os apóstolos anunciavam as maravilhas de Deus, e estas eram compreendidas por cada um em sua própria língua, deixando clara, já ali, a intenção do Senhor de comunicar, de forma concreta, a salvação no cotidiano dos povos e culturas. Podemos concluir, assim, que a essência do ser cristão é adaptar-se.

A Igreja nunca cessou de buscar adaptar-se às circunstâncias de cada momento histórico, revisando, adaptando conteúdos e anunciando de forma encarnada a verdade da fé, inserindo-a na verdade da vida comum, para que não houvesse a perigosa dicotomia, que mais prejudica que auxilia. Se é verdade que a luta do homem para fazer a vontade de Deus acontece no terreno dual da existência (carne e espírito, corpo e alma, bondade e maldade, luz e sombra), não significa que haja necessidade de se entender esta luta como choque entre forças antagônicas, mas a busca constante de equilíbrio entre as forças que convivem dentro de cada ser humano, e consequentemente fora dele, em todas os níveis de convivência. Neste sentido, grande é a sabedoria que podemos colher dos Padres do Deserto, quando nos recordam que devemos estar atentos ao mal que reside em nós, para não corrermos o risco de achar que somos vítimas inofensivas.

De forma especial, a partir do Concílio Vaticano II, a preocupação com o diálogo entre Igreja e mundo se acentuou notavelmente (testemunha privilegiada é a Constituição Pastoral “Gaudium et Spes”). Sem a urgente e necessária adaptação, que nasce de um olhar atento para o mundo, torna-se incoerente o convite “Sursum corda” (corações ao alto), pois a vida humana se passa aqui na terra, com os olhos voltados para o céu. É por meio dela que podemos conhecer e amar a Deus. A grande pergunta que norteia esta atitude humilde e séria da adaptação é: como é possível viver a fé em um mundo de constantes transformações e, por vezes, contradições?

Já na década de 80 o então Arcebispo do Rio, Cardeal Eugenio Sales, dedicou-se à produção de uma extensa obra intitulada “Viver a fé em um mundo a construir”, certamente inspirado pelo espírito do Vaticano II. Passados tantos anos, somos nós, em especial os cristãos leigos, intimados a trilhar os mesmos passos, descobrindo formas de comunicar a perene verdade do Evangelho na inconstante dinâmica da vida social. Que valores não podem ser tocados ou esquecidos? Quais os critérios para um bom senso de retidão e coerência? Em suma, o que é “certo”, ou melhor, o que está conforme a vontade de Deus?

Neste Ano dos Leigos, cujo lema é “sal da terra e a luz do mundo”, recordemos que, para ser sal e luz, é preciso saber a necessidade das realidades nas quais atuaremos: cada alimento exige uma dose específica de sal. Em menor ou maior quantidade não serve. Para saber qual a dose certa, é preciso saber de que alimento se trata. Da mesma forma, a luz só se torna útil se leva em conta as dimensões do ambiente que será iluminado. Uma vela não ilumina um estádio de futebol, assim como um holofote pode ser prejudicial à visão em um pequeno quarto. O objetivo da luz é iluminar, não ofuscar ou deixar na penumbra. Só se pode iluminar bem se o ambiente é conhecido. Estejamos atentos à realidade para vivermos a fé encarnada na história!

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Viver a fé em um mundo a construir

28/01/2018 00:00

Desde que iniciou sua missão, a grande preocupação dos cristãos foi como contextualizar e viver o Evangelho na cultura onde estavam inseridos. A própria narrativa dos Atos dos Apóstolos relata que, no dia de Pentecostes, pela ação do Espírito Santo, os apóstolos anunciavam as maravilhas de Deus, e estas eram compreendidas por cada um em sua própria língua, deixando clara, já ali, a intenção do Senhor de comunicar, de forma concreta, a salvação no cotidiano dos povos e culturas. Podemos concluir, assim, que a essência do ser cristão é adaptar-se.

A Igreja nunca cessou de buscar adaptar-se às circunstâncias de cada momento histórico, revisando, adaptando conteúdos e anunciando de forma encarnada a verdade da fé, inserindo-a na verdade da vida comum, para que não houvesse a perigosa dicotomia, que mais prejudica que auxilia. Se é verdade que a luta do homem para fazer a vontade de Deus acontece no terreno dual da existência (carne e espírito, corpo e alma, bondade e maldade, luz e sombra), não significa que haja necessidade de se entender esta luta como choque entre forças antagônicas, mas a busca constante de equilíbrio entre as forças que convivem dentro de cada ser humano, e consequentemente fora dele, em todas os níveis de convivência. Neste sentido, grande é a sabedoria que podemos colher dos Padres do Deserto, quando nos recordam que devemos estar atentos ao mal que reside em nós, para não corrermos o risco de achar que somos vítimas inofensivas.

De forma especial, a partir do Concílio Vaticano II, a preocupação com o diálogo entre Igreja e mundo se acentuou notavelmente (testemunha privilegiada é a Constituição Pastoral “Gaudium et Spes”). Sem a urgente e necessária adaptação, que nasce de um olhar atento para o mundo, torna-se incoerente o convite “Sursum corda” (corações ao alto), pois a vida humana se passa aqui na terra, com os olhos voltados para o céu. É por meio dela que podemos conhecer e amar a Deus. A grande pergunta que norteia esta atitude humilde e séria da adaptação é: como é possível viver a fé em um mundo de constantes transformações e, por vezes, contradições?

Já na década de 80 o então Arcebispo do Rio, Cardeal Eugenio Sales, dedicou-se à produção de uma extensa obra intitulada “Viver a fé em um mundo a construir”, certamente inspirado pelo espírito do Vaticano II. Passados tantos anos, somos nós, em especial os cristãos leigos, intimados a trilhar os mesmos passos, descobrindo formas de comunicar a perene verdade do Evangelho na inconstante dinâmica da vida social. Que valores não podem ser tocados ou esquecidos? Quais os critérios para um bom senso de retidão e coerência? Em suma, o que é “certo”, ou melhor, o que está conforme a vontade de Deus?

Neste Ano dos Leigos, cujo lema é “sal da terra e a luz do mundo”, recordemos que, para ser sal e luz, é preciso saber a necessidade das realidades nas quais atuaremos: cada alimento exige uma dose específica de sal. Em menor ou maior quantidade não serve. Para saber qual a dose certa, é preciso saber de que alimento se trata. Da mesma forma, a luz só se torna útil se leva em conta as dimensões do ambiente que será iluminado. Uma vela não ilumina um estádio de futebol, assim como um holofote pode ser prejudicial à visão em um pequeno quarto. O objetivo da luz é iluminar, não ofuscar ou deixar na penumbra. Só se pode iluminar bem se o ambiente é conhecido. Estejamos atentos à realidade para vivermos a fé encarnada na história!

Autor

Cristiano Holtz Peixoto

Editorialista do Jornal Testemunho de Fé