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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 25/05/2018

25 de Maio de 2018

Livros do Antigo Testamento (38)

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25 de Maio de 2018

Livros do Antigo Testamento (38)

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26/01/2018 14:34 - Atualizado em 26/01/2018 14:34

Livros do Antigo Testamento (38) 0

26/01/2018 14:34 - Atualizado em 26/01/2018 14:34

Neste artigo prosseguimos na reflexão bíblica sobre a grandiosidade do Evento da Páscoa Judaica. Coincidente com a última e mais virulenta praga do Egito, a morte dos Primogênitos, a saída do Egito não é simples fuga, mas ritual eterno que faz recordar em todos os tempos a Benéfica Ação de Deus em favor de seu povo.

1. Ex 12: Rito de Salvação: A Páscoa!

Conservareis a memória daquele dia, celebrando-o com uma festa em honra do Senhor: fareis isso de geração em geração, pois é uma instituição perpétua (Ex 12, 14).

O texto reflete uma dimensão do ‘pós-evento’. Na verdade estes ritos, muitos séculos depois, tomarão o lugar dos fatos (do Egito) para aqueles que lá não estiveram, mas que se identificam com a lógica desta narrativa. O sentido teológico da vida.

Nossas existências estão assinaladas por uma gratidão e fidelidade ímpares. Trata-se do Deus que nos salvou quando ainda éramos escravos, pobres e tristes, sem perspectivas, quando então, futuro era uma palavra sem sentido em nossa vida até que Ele nos alcançasse!

Observareis esse costume como uma instituição perpétua para vós e vossos filhos. Quando tiverdes penetrado na terra que o Senhor vos dará, como prometeu, observareis esse rito. E quando vossos filhos vos disserem: que significa esse rito? respondereis: é o sacrifício da Páscoa, em honra do Senhor que, ferindo os egípcios, passou por cima das casas dos israelitas no Egito e preservou nossas casas. O povo inclinou-se e prostrou-se (Ex 12, 24-27).

Será a perpetuação da gratidão, da ação de graças e do reconhecimento d’Aquele que, exclusivamente (temas da idolatria), libertou Israel.

Todas as vezes que Israel se encontrar oprimido, ele se dirigirá ao Deus que o libertou com mão forte do Egito, paradigma da terra estrangeira e opressora: ‘o sacrifício da Páscoa, em honra do Senhor que, ferindo os egípcios, passou por cima das casas dos israelitas no Egito e preservou nossas casas’.

Outro elemento importante a assinalar no evento e rito pascais é a consciência exclusiva de pertença do povo de Israel diante de Deus, que ao longo dos séculos eles irão transformar no equívoco da exclusão dos outros povos da Aliança.

Muitas vezes a consciência teológica de Israel em sua história da interpretação irá subestimar o alcance universal da Salvação oferecida por Deus.

2. Ex 13: O deserto

Tendo o faraó deixado partir o povo, Deus não o conduziu pelo caminho da terra dos filisteus, que é, no entanto, o mais curto, pois disse: “Talvez o povo possa arrepender-se, no momento em que tiver de enfrentar um combate e voltar para o Egito”. Por isso, Deus fez com que o povo desse uma volta pelo deserto, para o lado do Mar Vermelho. Os israelitas partiram do Egito em boa ordem (Ex 13, 17-18).

Além de insistir na ratificação dos significados destes eventos fundadores, a saída da ‘casa da escravidão’, o Egito, Deus conduz Israel por um caminho sem retorno. 

O deserto será no futuro, ao longo da história de Israel, como um espaço de peregrinação que muda a vida, faz conhecer a Deus e ensina a obedecê-Lo! Caminho longo e difícil que irá definir a têmpera daqueles que deverão viver os frutos da Promessa, a posse da terra prometida!

O caminho do deserto será uma temática a ocupar o Pentateuco nos seus quatro livros; o lugar de passagem deverá marcar e caracterizar a consciência espiritual de Israel, a ponto de ser temática permanente da teologia profética:

Portanto, eis que eu a atrairei, e a levarei para o deserto, e lhe falarei ao coração” (Oséias 2, 14).

Abrirei rios nas colinas estéreis e fontes nos vales. Transformarei o deserto num lago e o chão ressequido em mananciais. Porei no deserto o cedro, a acácia, a murta e a oliveira. Colocarei, juntos, no ermo o cipreste, o abeto e o pinheiro, para que o povo veja e saiba, e todos vejam e saibam, que a mão do Senhor fez isso, que o Santo de Israel o criou. (Isaías 41, 18-20).

Assim diz o Senhor: O povo que escapou da morte achou favor no deserto. Quando Israel buscava descanso, o Senhor lhe apareceu no passado, dizendo: Eu a amei com amor eterno; com amor leal a atraí (Jeremias 31, 2-3).

Lugar de noivado, de retiro e conversão, de intimidade com Deus, mas também de murmuração, revolta e rebelião contra Deus e contra Moisés.

Mas, nos desafios do deserto, Israel irá provar a doce e forte presença de Deus pelo caminho; Ele será segurança e bússola:

O Senhor ia adiante deles: de dia numa coluna de nuvens para guiá-los pelo caminho; e de noite numa coluna de fogo para alumiá-los; de sorte que podiam marchar de dia e de noite. Nunca a coluna de nuvens deixou de preceder o povo durante o dia, nem a coluna de fogo durante a noite (Ex 13, 21-22).

 

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Livros do Antigo Testamento (38)

26/01/2018 14:34 - Atualizado em 26/01/2018 14:34

Neste artigo prosseguimos na reflexão bíblica sobre a grandiosidade do Evento da Páscoa Judaica. Coincidente com a última e mais virulenta praga do Egito, a morte dos Primogênitos, a saída do Egito não é simples fuga, mas ritual eterno que faz recordar em todos os tempos a Benéfica Ação de Deus em favor de seu povo.

1. Ex 12: Rito de Salvação: A Páscoa!

Conservareis a memória daquele dia, celebrando-o com uma festa em honra do Senhor: fareis isso de geração em geração, pois é uma instituição perpétua (Ex 12, 14).

O texto reflete uma dimensão do ‘pós-evento’. Na verdade estes ritos, muitos séculos depois, tomarão o lugar dos fatos (do Egito) para aqueles que lá não estiveram, mas que se identificam com a lógica desta narrativa. O sentido teológico da vida.

Nossas existências estão assinaladas por uma gratidão e fidelidade ímpares. Trata-se do Deus que nos salvou quando ainda éramos escravos, pobres e tristes, sem perspectivas, quando então, futuro era uma palavra sem sentido em nossa vida até que Ele nos alcançasse!

Observareis esse costume como uma instituição perpétua para vós e vossos filhos. Quando tiverdes penetrado na terra que o Senhor vos dará, como prometeu, observareis esse rito. E quando vossos filhos vos disserem: que significa esse rito? respondereis: é o sacrifício da Páscoa, em honra do Senhor que, ferindo os egípcios, passou por cima das casas dos israelitas no Egito e preservou nossas casas. O povo inclinou-se e prostrou-se (Ex 12, 24-27).

Será a perpetuação da gratidão, da ação de graças e do reconhecimento d’Aquele que, exclusivamente (temas da idolatria), libertou Israel.

Todas as vezes que Israel se encontrar oprimido, ele se dirigirá ao Deus que o libertou com mão forte do Egito, paradigma da terra estrangeira e opressora: ‘o sacrifício da Páscoa, em honra do Senhor que, ferindo os egípcios, passou por cima das casas dos israelitas no Egito e preservou nossas casas’.

Outro elemento importante a assinalar no evento e rito pascais é a consciência exclusiva de pertença do povo de Israel diante de Deus, que ao longo dos séculos eles irão transformar no equívoco da exclusão dos outros povos da Aliança.

Muitas vezes a consciência teológica de Israel em sua história da interpretação irá subestimar o alcance universal da Salvação oferecida por Deus.

2. Ex 13: O deserto

Tendo o faraó deixado partir o povo, Deus não o conduziu pelo caminho da terra dos filisteus, que é, no entanto, o mais curto, pois disse: “Talvez o povo possa arrepender-se, no momento em que tiver de enfrentar um combate e voltar para o Egito”. Por isso, Deus fez com que o povo desse uma volta pelo deserto, para o lado do Mar Vermelho. Os israelitas partiram do Egito em boa ordem (Ex 13, 17-18).

Além de insistir na ratificação dos significados destes eventos fundadores, a saída da ‘casa da escravidão’, o Egito, Deus conduz Israel por um caminho sem retorno. 

O deserto será no futuro, ao longo da história de Israel, como um espaço de peregrinação que muda a vida, faz conhecer a Deus e ensina a obedecê-Lo! Caminho longo e difícil que irá definir a têmpera daqueles que deverão viver os frutos da Promessa, a posse da terra prometida!

O caminho do deserto será uma temática a ocupar o Pentateuco nos seus quatro livros; o lugar de passagem deverá marcar e caracterizar a consciência espiritual de Israel, a ponto de ser temática permanente da teologia profética:

Portanto, eis que eu a atrairei, e a levarei para o deserto, e lhe falarei ao coração” (Oséias 2, 14).

Abrirei rios nas colinas estéreis e fontes nos vales. Transformarei o deserto num lago e o chão ressequido em mananciais. Porei no deserto o cedro, a acácia, a murta e a oliveira. Colocarei, juntos, no ermo o cipreste, o abeto e o pinheiro, para que o povo veja e saiba, e todos vejam e saibam, que a mão do Senhor fez isso, que o Santo de Israel o criou. (Isaías 41, 18-20).

Assim diz o Senhor: O povo que escapou da morte achou favor no deserto. Quando Israel buscava descanso, o Senhor lhe apareceu no passado, dizendo: Eu a amei com amor eterno; com amor leal a atraí (Jeremias 31, 2-3).

Lugar de noivado, de retiro e conversão, de intimidade com Deus, mas também de murmuração, revolta e rebelião contra Deus e contra Moisés.

Mas, nos desafios do deserto, Israel irá provar a doce e forte presença de Deus pelo caminho; Ele será segurança e bússola:

O Senhor ia adiante deles: de dia numa coluna de nuvens para guiá-los pelo caminho; e de noite numa coluna de fogo para alumiá-los; de sorte que podiam marchar de dia e de noite. Nunca a coluna de nuvens deixou de preceder o povo durante o dia, nem a coluna de fogo durante a noite (Ex 13, 21-22).

 

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos
Autor

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos

Doutor em Teologia Bíblica