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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 25/05/2018

25 de Maio de 2018

Livros do Antigo Testamento (40)

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25 de Maio de 2018

Livros do Antigo Testamento (40)

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11/02/2018 00:00

Livros do Antigo Testamento (40) 0

11/02/2018 00:00

Neste artigo iniciamos nossas reflexões sobre o caminho do deserto. Depois do canto de vitória às margens do Mar Vermelho, o povo de Israel será conduzido por Deus, pelas mãos de Moisés e Aarão, deserto adentro, onde deverá perceber a lógica divina deste itinerário aparentemente errático e custoso. Ao longo deste trajeto não faltarão Sinais Divinos, como também, murmurações por parte do povo.

1. Ex 15, 1-27: Entre Canto de vitória e murmurações!

Então Moisés e os israelitas entoaram em honra do Senhor o seguinte cântico: “Cantarei ao Senhor, porque Ele manifestou sua glória. Precipitou no mar cavalos e cavaleiros. O Senhor é a minha força e o objeto do meu cântico; foi Ele quem me salvou. Ele é o meu Deus – eu O celebrarei; o Deus de meu pai – eu O exaltarei. O Senhor é o herói dos combates, seu nome é Javé. Lançou no mar os carros do faraó e o Seu exército; a elite de seus combatentes afogou-se no Mar Vermelho (Ex 15, 1-4).

Este capítulo pode ser dividido em duas partes opostas.

A primeira parte, entre os v.v 1-21, lê-se o cântico de exultação pela vitória de Deus sobre o Faraó e seus cavaleiros. Percebe-se claramente um clima de confiança em Deus, pelo seu êxito sobre os inimigos de Israel. Esta imagem permanecerá marcante na memória do povo. O Deus que subjugou os egípcios há de fazê-lo sempre contra todos os inimigos de Israel.

Nesta unidade, porém, percebe-se uma forma ‘interpolação’. Trata-se da referência a povos do futuro de Israel, os filisteus:

Ao ouvir isso, estremeceram os povos. Um pavor imenso apoderou-se dos filisteus; os chefes de Edom ficaram aterrados; a angústia tomou conta dos valentes de Moab; tremeram de medo todos os habitantes de Canaã. Caíram sobre eles o terror e a angústia, o poder do Vosso braço os petrificou, até que tivesse passado o Vosso povo, Senhor, até que tivesse passado o povo que adquiristes para Vós. Conduzi-lo-eis e o plantareis na montanha que Vos pertence, no lugar que preparastes para vossa habitação, Senhor, no santuário, Senhor, que vossas mãos fundaram. O Senhor é rei para sempre, sem fim! (Ex 15, 14-18).

O v. 15 desta unidade aplica o ‘terror’ das proporções da vitória de Deus sobre o Faraó aos povos de Canaã. A grandeza de Deus, que os fez atravessar o Mar Vermelho, repercutirá no futuro de Israel. Os ‘inimigos’ tradicionais de Israel na terra prometida, os filisteus, tremerão diante de Israel, como na saída do Egito.

E, mais ainda, lê-se, por antecipação, uma referência à cidade de Sião: ‘Conduzi-lo-eis e o plantareis na montanha que Vos pertence, no lugar que preparastes para Vossa habitação, Senhor, no santuário, Senhor, que vossas mãos fundaram’.

São as tradições proféticas e sacerdotais de Judá, que no pós-exílio, reconstroem e atualizam a memória de Israel.

A segunda parte, Ex 14, 22-27, ao contrário da primeira, em que se festejava a passagem incólume pelo Mar Vermelho, reflete um clima de animosidade contra Deus e contra Moisés; ainda se trata de água, mas agora potável e ausente.

Chegaram a Mara, onde não puderam beber de sua água, porque era amarga, de onde o nome de Mara que deram a esse lugar. Então o povo murmurou contra Moisés: Que havemos de beber? (Ex 15, 23-24).

Que havemos de beber?’. Mas do que uma pergunta, sobe aos céus a primeira de muitas lamentações, murmurações e, sobretudo, dúvidas sobre o Deus que os salvara do Egito.

O pecado deve ser combatido no coração de Israel, mais do que deslocar-se a outras terras, deve converter-se, aprender a confiar em Deus. O deserto se converterá em um itinerário de fé.

O Salmo 94 refletirá sobre estes eventos do pecado e da murmuração de Israel durante a travessia do deserto:

Vinde, manifestemos nossa alegria ao Senhor, aclamemos o Rochedo de nossa salvação; Não vos torneis endurecidos como em Meribá, como no dia de Massá no deserto, onde vossos pais me provocaram e me tentaram, apesar de terem visto as minhas obras. Durante 40 anos desgostou-me aquela geração, e eu disse: É um povo de coração desviado, que não conhece os meus desígnios. Por isso, jurei na minha cólera: Não há de entrar no lugar do meu repouso (Sl 94, 1. 9-11).

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Livros do Antigo Testamento (40)

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Neste artigo iniciamos nossas reflexões sobre o caminho do deserto. Depois do canto de vitória às margens do Mar Vermelho, o povo de Israel será conduzido por Deus, pelas mãos de Moisés e Aarão, deserto adentro, onde deverá perceber a lógica divina deste itinerário aparentemente errático e custoso. Ao longo deste trajeto não faltarão Sinais Divinos, como também, murmurações por parte do povo.

1. Ex 15, 1-27: Entre Canto de vitória e murmurações!

Então Moisés e os israelitas entoaram em honra do Senhor o seguinte cântico: “Cantarei ao Senhor, porque Ele manifestou sua glória. Precipitou no mar cavalos e cavaleiros. O Senhor é a minha força e o objeto do meu cântico; foi Ele quem me salvou. Ele é o meu Deus – eu O celebrarei; o Deus de meu pai – eu O exaltarei. O Senhor é o herói dos combates, seu nome é Javé. Lançou no mar os carros do faraó e o Seu exército; a elite de seus combatentes afogou-se no Mar Vermelho (Ex 15, 1-4).

Este capítulo pode ser dividido em duas partes opostas.

A primeira parte, entre os v.v 1-21, lê-se o cântico de exultação pela vitória de Deus sobre o Faraó e seus cavaleiros. Percebe-se claramente um clima de confiança em Deus, pelo seu êxito sobre os inimigos de Israel. Esta imagem permanecerá marcante na memória do povo. O Deus que subjugou os egípcios há de fazê-lo sempre contra todos os inimigos de Israel.

Nesta unidade, porém, percebe-se uma forma ‘interpolação’. Trata-se da referência a povos do futuro de Israel, os filisteus:

Ao ouvir isso, estremeceram os povos. Um pavor imenso apoderou-se dos filisteus; os chefes de Edom ficaram aterrados; a angústia tomou conta dos valentes de Moab; tremeram de medo todos os habitantes de Canaã. Caíram sobre eles o terror e a angústia, o poder do Vosso braço os petrificou, até que tivesse passado o Vosso povo, Senhor, até que tivesse passado o povo que adquiristes para Vós. Conduzi-lo-eis e o plantareis na montanha que Vos pertence, no lugar que preparastes para vossa habitação, Senhor, no santuário, Senhor, que vossas mãos fundaram. O Senhor é rei para sempre, sem fim! (Ex 15, 14-18).

O v. 15 desta unidade aplica o ‘terror’ das proporções da vitória de Deus sobre o Faraó aos povos de Canaã. A grandeza de Deus, que os fez atravessar o Mar Vermelho, repercutirá no futuro de Israel. Os ‘inimigos’ tradicionais de Israel na terra prometida, os filisteus, tremerão diante de Israel, como na saída do Egito.

E, mais ainda, lê-se, por antecipação, uma referência à cidade de Sião: ‘Conduzi-lo-eis e o plantareis na montanha que Vos pertence, no lugar que preparastes para Vossa habitação, Senhor, no santuário, Senhor, que vossas mãos fundaram’.

São as tradições proféticas e sacerdotais de Judá, que no pós-exílio, reconstroem e atualizam a memória de Israel.

A segunda parte, Ex 14, 22-27, ao contrário da primeira, em que se festejava a passagem incólume pelo Mar Vermelho, reflete um clima de animosidade contra Deus e contra Moisés; ainda se trata de água, mas agora potável e ausente.

Chegaram a Mara, onde não puderam beber de sua água, porque era amarga, de onde o nome de Mara que deram a esse lugar. Então o povo murmurou contra Moisés: Que havemos de beber? (Ex 15, 23-24).

Que havemos de beber?’. Mas do que uma pergunta, sobe aos céus a primeira de muitas lamentações, murmurações e, sobretudo, dúvidas sobre o Deus que os salvara do Egito.

O pecado deve ser combatido no coração de Israel, mais do que deslocar-se a outras terras, deve converter-se, aprender a confiar em Deus. O deserto se converterá em um itinerário de fé.

O Salmo 94 refletirá sobre estes eventos do pecado e da murmuração de Israel durante a travessia do deserto:

Vinde, manifestemos nossa alegria ao Senhor, aclamemos o Rochedo de nossa salvação; Não vos torneis endurecidos como em Meribá, como no dia de Massá no deserto, onde vossos pais me provocaram e me tentaram, apesar de terem visto as minhas obras. Durante 40 anos desgostou-me aquela geração, e eu disse: É um povo de coração desviado, que não conhece os meus desígnios. Por isso, jurei na minha cólera: Não há de entrar no lugar do meu repouso (Sl 94, 1. 9-11).

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos
Autor

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos

Doutor em Teologia Bíblica