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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 13/12/2018

13 de Dezembro de 2018

Livros do Antigo Testamento (42)

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13 de Dezembro de 2018

Livros do Antigo Testamento (42)

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23/02/2018 00:00 - Atualizado em 02/03/2018 13:33

Livros do Antigo Testamento (42) 0

23/02/2018 00:00 - Atualizado em 02/03/2018 13:33

Neste artigo, conferimos à elaboração das tradições teológicas e literárias que apontam na figura de Jetro, sogro de Moisés, uma interpretação ampliada dos eventos do deserto.

1. Ex 18, 1-27: O encontro de Jetro e Moisés no deserto.

Jetro, sacerdote de Madiã, sogro de Moisés, soube de tudo o que Deus tinha feito por Moisés e por Israel, seu povo; e soube que o Senhor tinha feito sair Israel do Egito. Jetro, sogro de Moisés, com os dois filhos e a mulher desse, veio procurá-lo no deserto, onde estava acampado, perto da montanha de Deus. E mandou-lhe dizer: “Teu sogro Jetro vem te ver, acompanhado de tua mulher e de teus dois filhos” (Ex 18, 1. 5-6)

No âmago do relato estão a comunicação e o conhecimento da ação de Deus. Os eventos da páscoa judaica não eram crípticos ou míticos. Os eventos do deserto de certa maneira também pertencem à História da Humanidade.

Assim, o universo familiar de Jetro e seu entorno religioso pagão sabem das coisas que o Senhor realizara pelas mãos de Moisés a favor de Israel: ‘soube de tudo o que Deus tinha feito por Moisés e por Israel, seu povo; e soube que o Senhor tinha feito sair Israel do Egito’.

O texto, portanto, reflete, como pudemos ver em outras passagens no Gênesis a concepção de fundo que Israel tem uma história que implica na comunicação dos feitos de Deus aos outros povos, a todos.

O que ocorre na história de Israel se expande à consciência de outros povos. De fato, esta foi a bênção de Abraão:

Ora, o Senhor disse a Abrão: Sai-te da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei. E far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei e engrandecerei o teu nome; e tu serás uma bênção. E abençoarei os que te abençoarem, e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas todas as famílias da Terra (Gênesis 12,1-3).

A visita de Jetro, juntamente com a família de Moisés, é algo surpreendente. Jetro parte para o deserto levando consigo ‘Séfora, mulher de Moisés’[1], além dos dois filhos dele.

Assim como seus dois filhos, dos quais um se chamava Gerson, porque Moisés tinha dito: “Sou um peregrino em uma terra estrangeira.” (...) e o outro chamava-se Eliezer, porque ele tinha dito: “O Deus de meu pai socorreu-me e fez-me escapar à espada do faraó.” (Ex 18, 3-4)

Como já vimos nos textos do Gênesis, no período dos patriarcas, os nomes não são enfeites ou caprichos dos pais, como se percebe hoje em dia.

Atraídos por novelas, homenagens a parentes, ídolos de futebol, personagens de novelas e outras motivações ainda mais banais, muitos pais não são capazes de perceber a relevância da escolha do nome. E, muitas vezes os filhos ao longo da vida sofrem as consequências nefastas de levianas escolhas.

Gérson e Eliezer. Os dois nomes são referências à ação de Deus na vida de Moisés. Nomes que funcionam como códigos da história da Salvação, na especial Família do libertador de Israel.

2. Jetro: testemunha da História da Salvação?

Jetro alegrou-se com todo o bem que o Senhor tinha feito aos israelitas, livrando-os da mão dos egípcios. “Bendito seja o Senhor, disse Jetro, que vos livrou da mão dos egípcios e da mão do faraó; que livrou o povo da mão dos egípcios! Agora sei que o Senhor é maior que todos os deuses, porque o demonstrou quando (seu povo) era tiranizado”. Em seguida Jetro, sogro de Moisés, ofereceu a Deus um holocausto e sacrifícios. Aarão e todos os anciãos de Israel vieram ter com o sogro de Moisés para tomar parte no banquete em presença de Deus (Ex 18, 9-12).

As obras do Senhor visam a fé de Israel. Esse é o objetivo central da ação de Deus em meio a seu povo.  No entanto, a evolução da compreensão da Revelação mostra que Deus está se autocomunicando com todos os povos, toda a Terra. E que Israel é Seu instrumento de anúncio universal.

Esta concepção ficará clara após o exílio. A teologia dos profetas, paulatinamente, irá desvendando este desígnio divino de dar-se a conhecer a todos. Trata-se da dimensão universal da Salvação.

Aqui, Jetro, amacelita, ‘sacerdote de Madiã’, portanto, pagão, mas parente de Moisés, seu sogro, dará glória a Deus: ‘Bendito seja o Senhor, disse Jetro, que vos livrou da mão dos egípcios e da mão do faraó; que livrou o povo da mão dos egípcios! Agora sei que o Senhor é maior que todos os deuses, porque o demonstrou quando (seu povo) era tiranizado’. Ouvimos isso em diversas passagens da vida dos patriarcas.

 

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Livros do Antigo Testamento (42)

23/02/2018 00:00 - Atualizado em 02/03/2018 13:33

Neste artigo, conferimos à elaboração das tradições teológicas e literárias que apontam na figura de Jetro, sogro de Moisés, uma interpretação ampliada dos eventos do deserto.

1. Ex 18, 1-27: O encontro de Jetro e Moisés no deserto.

Jetro, sacerdote de Madiã, sogro de Moisés, soube de tudo o que Deus tinha feito por Moisés e por Israel, seu povo; e soube que o Senhor tinha feito sair Israel do Egito. Jetro, sogro de Moisés, com os dois filhos e a mulher desse, veio procurá-lo no deserto, onde estava acampado, perto da montanha de Deus. E mandou-lhe dizer: “Teu sogro Jetro vem te ver, acompanhado de tua mulher e de teus dois filhos” (Ex 18, 1. 5-6)

No âmago do relato estão a comunicação e o conhecimento da ação de Deus. Os eventos da páscoa judaica não eram crípticos ou míticos. Os eventos do deserto de certa maneira também pertencem à História da Humanidade.

Assim, o universo familiar de Jetro e seu entorno religioso pagão sabem das coisas que o Senhor realizara pelas mãos de Moisés a favor de Israel: ‘soube de tudo o que Deus tinha feito por Moisés e por Israel, seu povo; e soube que o Senhor tinha feito sair Israel do Egito’.

O texto, portanto, reflete, como pudemos ver em outras passagens no Gênesis a concepção de fundo que Israel tem uma história que implica na comunicação dos feitos de Deus aos outros povos, a todos.

O que ocorre na história de Israel se expande à consciência de outros povos. De fato, esta foi a bênção de Abraão:

Ora, o Senhor disse a Abrão: Sai-te da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei. E far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei e engrandecerei o teu nome; e tu serás uma bênção. E abençoarei os que te abençoarem, e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas todas as famílias da Terra (Gênesis 12,1-3).

A visita de Jetro, juntamente com a família de Moisés, é algo surpreendente. Jetro parte para o deserto levando consigo ‘Séfora, mulher de Moisés’[1], além dos dois filhos dele.

Assim como seus dois filhos, dos quais um se chamava Gerson, porque Moisés tinha dito: “Sou um peregrino em uma terra estrangeira.” (...) e o outro chamava-se Eliezer, porque ele tinha dito: “O Deus de meu pai socorreu-me e fez-me escapar à espada do faraó.” (Ex 18, 3-4)

Como já vimos nos textos do Gênesis, no período dos patriarcas, os nomes não são enfeites ou caprichos dos pais, como se percebe hoje em dia.

Atraídos por novelas, homenagens a parentes, ídolos de futebol, personagens de novelas e outras motivações ainda mais banais, muitos pais não são capazes de perceber a relevância da escolha do nome. E, muitas vezes os filhos ao longo da vida sofrem as consequências nefastas de levianas escolhas.

Gérson e Eliezer. Os dois nomes são referências à ação de Deus na vida de Moisés. Nomes que funcionam como códigos da história da Salvação, na especial Família do libertador de Israel.

2. Jetro: testemunha da História da Salvação?

Jetro alegrou-se com todo o bem que o Senhor tinha feito aos israelitas, livrando-os da mão dos egípcios. “Bendito seja o Senhor, disse Jetro, que vos livrou da mão dos egípcios e da mão do faraó; que livrou o povo da mão dos egípcios! Agora sei que o Senhor é maior que todos os deuses, porque o demonstrou quando (seu povo) era tiranizado”. Em seguida Jetro, sogro de Moisés, ofereceu a Deus um holocausto e sacrifícios. Aarão e todos os anciãos de Israel vieram ter com o sogro de Moisés para tomar parte no banquete em presença de Deus (Ex 18, 9-12).

As obras do Senhor visam a fé de Israel. Esse é o objetivo central da ação de Deus em meio a seu povo.  No entanto, a evolução da compreensão da Revelação mostra que Deus está se autocomunicando com todos os povos, toda a Terra. E que Israel é Seu instrumento de anúncio universal.

Esta concepção ficará clara após o exílio. A teologia dos profetas, paulatinamente, irá desvendando este desígnio divino de dar-se a conhecer a todos. Trata-se da dimensão universal da Salvação.

Aqui, Jetro, amacelita, ‘sacerdote de Madiã’, portanto, pagão, mas parente de Moisés, seu sogro, dará glória a Deus: ‘Bendito seja o Senhor, disse Jetro, que vos livrou da mão dos egípcios e da mão do faraó; que livrou o povo da mão dos egípcios! Agora sei que o Senhor é maior que todos os deuses, porque o demonstrou quando (seu povo) era tiranizado’. Ouvimos isso em diversas passagens da vida dos patriarcas.

 

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos
Autor

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos

Doutor em Teologia Bíblica