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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 19/07/2018

19 de Julho de 2018

Livros do Antigo Testamento (46)

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19 de Julho de 2018

Livros do Antigo Testamento (46)

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25/03/2018 00:00

Livros do Antigo Testamento (46) 0

25/03/2018 00:00

Neste artigo com o evento do “Bezerro de Ouro” vamos concluindo os relatos do Êxodo. Enquanto Moisés goza da intimidade com Deus, dentro da Nuvem, o povo em baixo venera e se diverte com um ídolo, o bezerro de ouro.

1. Ex 32: O Bezerro de Ouro

Vendo que Moisés tardava a descer da montanha, o povo agrupou-se em volta de Aarão e disse-lhe: “Vamos: faze-nos um deus que marche à nossa frente, porque esse Moisés, que nos tirou do Egito, não sabemos o que é feito dele.” Aarão respondeu-lhes: “Tirai os brincos de ouro que estão nas orelhas de vossas mulheres, vossos filhos e vossas filhas, e trazei-mos.” Tiraram todos os brincos de ouro que tinham nas orelhas e trouxeram-nos a Aarão, o qual, tomando-os em suas mãos, pôs o ouro em um molde e fez dele um bezerro de metal fundido. Então, exclamaram: “Eis, ó Israel, o teu Deus que te tirou do Egito.” Aarão, vendo isso, construiu um altar diante dele, e exclamou: “Amanhã haverá uma festa em honra do Senhor”. No dia seguinte pela manhã, ofereceram holocaustos e sacrifícios pacíficos. O povo assentou-se para comer e beber, e depois levantaram-se para se divertir (Ex 32, 1-6).

Esta cena é uma das mais significativas do período do êxodo no deserto. Ela se desenvolve no contexto da experiência teofânica de Moisés. Um momento de profundidade nas relações entre o condutor do povo e Deus, Moisés e o Salvador de Israel, seu Deus! A cena se abre com uma exigência absurda que destoa com o momento de ‘noivado’ no deserto, entre Deus e Israel.

Vamos: faze-nos um deus que marche à nossa frente, porque esse Moisés, que nos tirou do Egito, não sabemos o que é feito dele’.

A linguagem rude do povo demonstra com alguma força o desprezo por Moisés (este Moisés), que aos seus olhos não passaria de um aventureiro (porque esse Moisés, que nos tirou do Egito, não sabemos o que é feito dele.)

Ele talvez tenha feito mal e não um bem àquele povo.

Quanto a Deus, eles ainda não o conhecem e amam. Estavam habituados a ‘deuses’ manipuláveis, por isso, a decisão de construir-se um deus.

A cultura dos ídolos está fortemente arraigada na alma e na mentalidade depois de 430 anos de Egito: Vamos: faze-nos um deus que marche à nossa frente.

A figura de Aarão soa muito passivo. Para o leitor há um velho problema em jogo.

De um lado, as esperas em Deus (Vendo que Moisés tardava a descer da montanha), a dificuldade de deixar as coisas e o comando da própria vida nas mãos de Deus. A tentação de ter um ‘deus’ à nossa imagem e semelhança.

Eles realizam uma celebração pagã no meio do deserto. Enquanto Deus expunha a Moisés o caminho seguro da Salvação, eles dançavam e projetavam numa figura de animal suas expectativas de reconstruir o itinerário sob nova direção:

Eis, ó Israel, o teu Deus que te tirou do Egito.” Aarão, vendo isso, construiu um altar diante d’Ele, e exclamou: “Amanhã haverá uma festa em honra do Senhor.

A orgia pagã que eles bem conheciam dos tempos na terra do Egito ainda os fazia imaginarem-se no controle. Faltavam ainda muitos anos (40 anos) para que o fim do deserto representasse uma mudança de mentalidade e o conhecimento verdadeiro de Deus.

Eles professam o antifé blasfema. Foi este bezerro que nos tirou do Egito!

No dia seguinte pela manhã, ofereceram holocaustos e sacrifícios pacíficos. O povo assentou-se para comer e beber, e depois levantaram-se para se divertir.

2. Ex 32, 7-14: A ira de Deus e a intercessão de Moisés

O Senhor disse a Moisés: “Vai, desce, porque se corrompeu o povo que tiraste do Egito”. Desviaram-se depressa do caminho que lhes prescrevi; fizeram para si um bezerro de metal fundido, prostraram-se diante dele e ofereceram-lhe sacrifícios, dizendo: eis, ó Israel, o teu Deus que te tirou do Egito. Vejo, continuou o Senhor, que esse povo tem a cabeça dura. Deixa, pois, que se acenda minha cólera contra eles e os reduzirei a nada; mas de ti farei uma grande nação (Ex 32, 7-10)

Esta cena nos coloca no epicentro da perícope. De um lado, a ira sagrada de Deus diante de um povo que rapidamente se desviara do caminho que o Senhor determinara. Parece um povo no paraíso a desobedecer a Deus.

Do outro, Moisés, que atua diante de Deus como intercessor. Ele não quer ser separado daquele povo, que ele descobrira tardiamente como seu povo.

Desviaram-se depressa do caminho que lhes prescrevi; fizeram para si um bezerro de metal fundido; prostraram-se diante dele e ofereceram-lhe sacrifícios, dizendo: eis, ó Israel, o teu Deus que te tirou do Egito.

Deus elenca a Moisés, entretido entre o céu e a terra, os mal-feitos do povo: desviar-se depressa. Não havia ainda raízes no coração daquela gente. São volúveis e insensatos; sua estrada pelo deserto é sinuosa e mortal. Precisam de muito tempo ainda para aderirem de verdade às Leis Divinas.

Fizeram para si um bezerro de metal, prostraram diante dele e ofereceram-lhe sacrifícios. Uma sequência de ações abomináveis.

Atribuíram a um ídolo, feito de suas joias, trazidas dos seus patrões à saída do Egito, os feitos que somente o Deus único realizara! Mentira e ingratidão. Eles querem reescrever a História da Salvação a partir do modelo pagão da vida.

 

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Livros do Antigo Testamento (46)

25/03/2018 00:00

Neste artigo com o evento do “Bezerro de Ouro” vamos concluindo os relatos do Êxodo. Enquanto Moisés goza da intimidade com Deus, dentro da Nuvem, o povo em baixo venera e se diverte com um ídolo, o bezerro de ouro.

1. Ex 32: O Bezerro de Ouro

Vendo que Moisés tardava a descer da montanha, o povo agrupou-se em volta de Aarão e disse-lhe: “Vamos: faze-nos um deus que marche à nossa frente, porque esse Moisés, que nos tirou do Egito, não sabemos o que é feito dele.” Aarão respondeu-lhes: “Tirai os brincos de ouro que estão nas orelhas de vossas mulheres, vossos filhos e vossas filhas, e trazei-mos.” Tiraram todos os brincos de ouro que tinham nas orelhas e trouxeram-nos a Aarão, o qual, tomando-os em suas mãos, pôs o ouro em um molde e fez dele um bezerro de metal fundido. Então, exclamaram: “Eis, ó Israel, o teu Deus que te tirou do Egito.” Aarão, vendo isso, construiu um altar diante dele, e exclamou: “Amanhã haverá uma festa em honra do Senhor”. No dia seguinte pela manhã, ofereceram holocaustos e sacrifícios pacíficos. O povo assentou-se para comer e beber, e depois levantaram-se para se divertir (Ex 32, 1-6).

Esta cena é uma das mais significativas do período do êxodo no deserto. Ela se desenvolve no contexto da experiência teofânica de Moisés. Um momento de profundidade nas relações entre o condutor do povo e Deus, Moisés e o Salvador de Israel, seu Deus! A cena se abre com uma exigência absurda que destoa com o momento de ‘noivado’ no deserto, entre Deus e Israel.

Vamos: faze-nos um deus que marche à nossa frente, porque esse Moisés, que nos tirou do Egito, não sabemos o que é feito dele’.

A linguagem rude do povo demonstra com alguma força o desprezo por Moisés (este Moisés), que aos seus olhos não passaria de um aventureiro (porque esse Moisés, que nos tirou do Egito, não sabemos o que é feito dele.)

Ele talvez tenha feito mal e não um bem àquele povo.

Quanto a Deus, eles ainda não o conhecem e amam. Estavam habituados a ‘deuses’ manipuláveis, por isso, a decisão de construir-se um deus.

A cultura dos ídolos está fortemente arraigada na alma e na mentalidade depois de 430 anos de Egito: Vamos: faze-nos um deus que marche à nossa frente.

A figura de Aarão soa muito passivo. Para o leitor há um velho problema em jogo.

De um lado, as esperas em Deus (Vendo que Moisés tardava a descer da montanha), a dificuldade de deixar as coisas e o comando da própria vida nas mãos de Deus. A tentação de ter um ‘deus’ à nossa imagem e semelhança.

Eles realizam uma celebração pagã no meio do deserto. Enquanto Deus expunha a Moisés o caminho seguro da Salvação, eles dançavam e projetavam numa figura de animal suas expectativas de reconstruir o itinerário sob nova direção:

Eis, ó Israel, o teu Deus que te tirou do Egito.” Aarão, vendo isso, construiu um altar diante d’Ele, e exclamou: “Amanhã haverá uma festa em honra do Senhor.

A orgia pagã que eles bem conheciam dos tempos na terra do Egito ainda os fazia imaginarem-se no controle. Faltavam ainda muitos anos (40 anos) para que o fim do deserto representasse uma mudança de mentalidade e o conhecimento verdadeiro de Deus.

Eles professam o antifé blasfema. Foi este bezerro que nos tirou do Egito!

No dia seguinte pela manhã, ofereceram holocaustos e sacrifícios pacíficos. O povo assentou-se para comer e beber, e depois levantaram-se para se divertir.

2. Ex 32, 7-14: A ira de Deus e a intercessão de Moisés

O Senhor disse a Moisés: “Vai, desce, porque se corrompeu o povo que tiraste do Egito”. Desviaram-se depressa do caminho que lhes prescrevi; fizeram para si um bezerro de metal fundido, prostraram-se diante dele e ofereceram-lhe sacrifícios, dizendo: eis, ó Israel, o teu Deus que te tirou do Egito. Vejo, continuou o Senhor, que esse povo tem a cabeça dura. Deixa, pois, que se acenda minha cólera contra eles e os reduzirei a nada; mas de ti farei uma grande nação (Ex 32, 7-10)

Esta cena nos coloca no epicentro da perícope. De um lado, a ira sagrada de Deus diante de um povo que rapidamente se desviara do caminho que o Senhor determinara. Parece um povo no paraíso a desobedecer a Deus.

Do outro, Moisés, que atua diante de Deus como intercessor. Ele não quer ser separado daquele povo, que ele descobrira tardiamente como seu povo.

Desviaram-se depressa do caminho que lhes prescrevi; fizeram para si um bezerro de metal fundido; prostraram-se diante dele e ofereceram-lhe sacrifícios, dizendo: eis, ó Israel, o teu Deus que te tirou do Egito.

Deus elenca a Moisés, entretido entre o céu e a terra, os mal-feitos do povo: desviar-se depressa. Não havia ainda raízes no coração daquela gente. São volúveis e insensatos; sua estrada pelo deserto é sinuosa e mortal. Precisam de muito tempo ainda para aderirem de verdade às Leis Divinas.

Fizeram para si um bezerro de metal, prostraram diante dele e ofereceram-lhe sacrifícios. Uma sequência de ações abomináveis.

Atribuíram a um ídolo, feito de suas joias, trazidas dos seus patrões à saída do Egito, os feitos que somente o Deus único realizara! Mentira e ingratidão. Eles querem reescrever a História da Salvação a partir do modelo pagão da vida.

 

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos
Autor

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos

Doutor em Teologia Bíblica