Arquidiocese do Rio de Janeiro

25º 21º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 21/08/2018

21 de Agosto de 2018

Há nove anos no Rio de Janeiro

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19/04/2018 15:07 - Atualizado em 19/04/2018 15:07

Há nove anos no Rio de Janeiro 0

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Neste dia em que celebro nove anos de serviço à Igreja que caminha no Rio de Janeiro, venho partilhar algumas reflexões que desde o início têm pontuado a minha missão nessa grande cidade. A todos meus votos de paz!

Não posso, de modo algum, no entanto, deixar de lembrar, com muita gratidão, das demais mulheres e homens de fé de várias localidades do Brasil por onde passei. Destaco, de modo especial, São José do Rio Pardo (SP), cidade na qual nasci, recebi os sacramentos da Iniciação Cristã e comecei, por pura graça de Deus, meu caminho vocacional no Mosteiro Nossa Senhora de São Bernardo, hoje abadia. Fui seu primeiro abade. E também São José do Rio Preto (SP) e Belém do Pará, onde pude servir como bispo e arcebispo, respectivamente, até ser transferido aqui para o Rio de Janeiro por Sua Santidade, o Papa Bento XVI, por quem, agradecido, rezo pelo seu aniversário natalício de 91 anos, no último dia 16. Agradeço ao Santo Padre, o Papa Francisco, por ter me escolhido para o Colégio Cardinalício. Tal escolha é, sem dúvida, uma grande deferência do Sumo Pontífice para com este filho devotado da Igreja, mas não deixa de representar para mim um grande compromisso de mais e melhor servir ao povo de Deus. Peço, desde já, a oração de todos para que eu possa fazer frutificar os talentos que o Senhor me pediu para administrar.

Querido(a) irmão(ã), relendo o que lhes disse, em minha posse, julguei oportuno recordar alguns grandes pontos a fim de reafirmar meu compromisso diante de Deus, de quem procede todas as bênçãos e graças, e perante cada um(a) que o Senhor colocou à minha frente para que eu possa servir e amar, como o próprio Cristo quer servir e amar, hoje, na pessoa de seus ministros. Estamos à frente de uma diocese para dar testemunho vivo desse amor misericordioso do Senhor para com a humanidade sofredora. Ajudem-me com suas preciosas orações!

Venho da experiência de uma vida monástica, que me educou sobre a importância da vida comunitária e a necessidade de uma espiritualidade eclesial para que nossas ações sejam inspiradas na Palavra de Deus e no encontro com o Cristo Vivo. Não tenho como olvidar essa característica, que, longe de me afastar, me fez amar e sentir com a Igreja, na oração e no trabalho. A necessidade de uma vida em comunidade está na raiz de minha vocação e em minha experiência monástica.

Venho do serviço a uma Igreja viva do oeste paulista – São José do Rio Preto, onde aprendi a necessidade de ouvir sempre e partilhar e olhar com carinho e amor todo o povo de Deus. As presenças de tantos presbíteros, seminaristas, religiosas, consagrados e cristãos leigos demonstram os laços que nos unem e que Deus construiu na minha caminhada diocesana. Alegro-me pela presença de tantos dessa minha primeira diocese.

Venho de uma terra calorosa, não só pela proximidade do Equador, mas pelo seu povo moreno e amoroso que, além da fidelidade a Cristo e à Igreja, no meio de tantas dificuldades, dá ao mundo um sinal grandioso de sua piedade popular no Círio de Nazaré, e que me fez aprofundar as questões amazônicas e sentir de perto as necessidades, angústias e sonhos de um povo. Como esquecer aqueles que me cativaram e, consequentemente, se tornaram responsáveis pela minha caminhada futura? Sei que venho carregado pelas orações de milhões de paraenses e com o compromisso de continuarmos amigos para sempre! Continuem unidos e animados no trabalho de evangelização! Obrigado pelo carinho, acolhimento e partilha!

Venho de uma experiência na qual a importância da comunicação se injetou em minhas veias, quando os irmãos bispos me escolheram para servir à Igreja do Brasil nessa área, juntamente com a cultura e a educação, já no segundo e último mandato nessa comissão episcopal da CNBB.

Como lhes disse, há nove anos, acredito que a missão do bispo diocesano é de ser pastor de um povo e servir com alegria a todos, de tal forma que caminhemos juntos em busca da santidade. É claro que isso não exclui a administração e a disciplina necessárias para que tudo corra com ordem na casa do Senhor. Eu acredito também que a transição episcopal se faz recebendo, junto com o povo, também as conquistas e passos de uma comunidade. Por isso não há ruptura e, sim, uma caminhada que continua.

Depois de tantas alegrias e dificuldades passadas e superadas em verdadeira comunhão, só me resta agradecer a colaboração de todos os bispos auxiliares, presbíteros, diáconos, seminaristas, consagrados e consagradas e todos os cristãos leigos que têm levado adiante a missão de evangelizar e catequizar diuturnamente. Sem o seu auxílio meu ministério seria, com certeza, menos profícuo.

Recordo ainda que todas as minhas decisões tiveram em Maria a inspiração para responder o ‘sim’ a Deus, que me chamou através da Igreja.  Desde o início de minha vocação sacerdotal e religiosa até agora, quando foi para responder à nomeação do Santo Padre, o Papa Bento XVI, para servir a esta nossa arquidiocese. Muitas vezes me vi dizendo a mesma resposta: Como acontecerá isso? Será que tenho possibilidade? Mas, inspirado por Maria, desejo que minhas respostas ao plano de Deus sejam sempre o “faça-se em mim segundo a tua palavra”.

São Bernardo, em seu sermão sobre esse texto, medita que quando o “anjo retirou-se”, a maravilha da encarnação se concretizou por obra do Espírito Santo. Também eu peço hoje, como há nove anos, ao Pai para que o Seu Espírito fecunde o ministério iniciado, com grande confiança, aqui no Rio de Janeiro. Confio no Senhor que me chamou e até aqui me conduziu. Tenho certeza de que não ficarei decepcionado.

Recordo, com carinho, todos os sinais marianos em minha vida, desde a oração de criança diante da imagem de Nossa Senhora de Fátima, antes e após a catequese na Igreja Matriz de São José do Rio Pardo; os pedidos diante da imagem peregrina de Nossa Senhora. Aparecida, na época da juventude na mesma cidade natal; o ingresso na ordem cisterciense que tem como padroeira Maria, e o costume de colocar em todas as abadias o nome de Nossa Senhora. Recordo-me de que foi invocando o ‘sim’ de Maria que o então bispo diocesano de São João da Boa Vista me animou a dar o ‘sim’ para o episcopado quando da minha nomeação para São José do Rio Preto.

É significativo lembrar que tanto a nomeação para Belém como para o Rio de Janeiro sempre foram dentro de um clima mariano, ou pelo local ou pelo evento. A experiência do Círio de Nazaré ficará marcada para sempre em minha vida e memória, como exemplo de um povo mariano que ainda traz em sua cultura e formação esses sinais. Peço a Virgem Maria, portanto, que rogue sempre por nós.

Relembro também o meu lema que tem me acompanhado desde a juventude: “Que todos sejam um!” Ele manifesta a minha convicção de que na diversidade de dons e carismas que temos na Igreja, temos uma grande riqueza, mas que na unidade entre todos nós temos a própria razão da evangelização – para que o mundo creia! Estou convicto de que, se não formos unidos, todos os nossos trabalhos, por mais precisos e amplos que forem, serão insuficientes para a nossa missão evangelizadora. Por isso, convoco, de novo, todos os padres, diáconos, consagrados, consagradas, religiosas e religiosos, seminaristas, agentes de pastoral, movimentos, comunidades, pastorais de nossa arquidiocese a se empenharem na busca de uma unidade afetiva e efetiva. Dessa forma, com uma vida convertida, tenho certeza de que seremos sinais de Jesus Cristo na história de hoje.

Mas essa unidade é também necessária para o nosso tempo tão violento e intolerante. Tivemos nesta Quaresma, a convite da CNBB, a Campanha da Fraternidade a recordar a fraternidade e a superação da violência. Somos todos irmãos. É possível o ecumenismo! É possível o diálogo religioso! É possível o diálogo com as culturas! É possível o diálogo com as pessoas de boa vontade que querem construir um mundo mais justo e humano! Na verdade, todos nós nos encontramos na construção do bem comum. A nossa sociedade sofre uma carência enorme dessa unidade e nós, cristãos, somos chamados a ser sinais de que tudo isso é possível.

Também somos, como os discípulos dos Atos dos Apóstolos, chamados a viver a nossa fé no amor mútuo: “podemos saber que amamos os filhos de Deus quando amamos a Deus e guardamos os seus mandamentos”, recorda-nos hoje a primeira carta de João, e, nesse sentido, como cristãos, não podemos deixar de, ao anunciar o Evangelho, estarmos comprometidos com o nosso próximo e com um trabalho de presença com ações concretas nesta sociedade. Viver os mandamentos, amarmos a Deus e, consequentemente, amarmos o próximo, como nos recorda a Palavra hoje, lembrando-nos de como Cristo explicou o que significa “amar o próximo” na parábola do bom samaritano. Meu próximo é todo aquele que precisa de mim, independentemente de onde mora, da cultura, nacionalidade, religião ou condição social etc.

Que o Cristo Redentor, que de braços abertos acolhe a todos em seu Santuário Arquidiocesano, nos faça experimentar as bênçãos de Deus para todos os que aqui residem ou que por aqui passam. Que o povo assim abençoado tenha a paz em suas fronteiras e seja testemunho do Ressuscitado, foi meu pedido há nove anos e hoje.

Desejo agradecer por tudo o que juntos pudemos fazer, na graça de Deus; pedir perdão por algo que eu possa ter errado, embora mesmo em possíveis erros tenha buscado acertar e jamais ferir ou prejudicar a quem quer que seja. Peço, por fim, que não se esqueçam de mim e de meu ministério em suas preciosas orações diárias, pois, de minha parte, asseguro que nunca deixei, ao longo desses nove anos, de rezar por você e por sua família, em suas necessidades tão bem conhecidas por Deus.

Peçam a Deus, por intercessão de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, que eu seja um bispo segundo o coração misericordioso de Jesus. Amém.

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Neste dia em que celebro nove anos de serviço à Igreja que caminha no Rio de Janeiro, venho partilhar algumas reflexões que desde o início têm pontuado a minha missão nessa grande cidade. A todos meus votos de paz!

Não posso, de modo algum, no entanto, deixar de lembrar, com muita gratidão, das demais mulheres e homens de fé de várias localidades do Brasil por onde passei. Destaco, de modo especial, São José do Rio Pardo (SP), cidade na qual nasci, recebi os sacramentos da Iniciação Cristã e comecei, por pura graça de Deus, meu caminho vocacional no Mosteiro Nossa Senhora de São Bernardo, hoje abadia. Fui seu primeiro abade. E também São José do Rio Preto (SP) e Belém do Pará, onde pude servir como bispo e arcebispo, respectivamente, até ser transferido aqui para o Rio de Janeiro por Sua Santidade, o Papa Bento XVI, por quem, agradecido, rezo pelo seu aniversário natalício de 91 anos, no último dia 16. Agradeço ao Santo Padre, o Papa Francisco, por ter me escolhido para o Colégio Cardinalício. Tal escolha é, sem dúvida, uma grande deferência do Sumo Pontífice para com este filho devotado da Igreja, mas não deixa de representar para mim um grande compromisso de mais e melhor servir ao povo de Deus. Peço, desde já, a oração de todos para que eu possa fazer frutificar os talentos que o Senhor me pediu para administrar.

Querido(a) irmão(ã), relendo o que lhes disse, em minha posse, julguei oportuno recordar alguns grandes pontos a fim de reafirmar meu compromisso diante de Deus, de quem procede todas as bênçãos e graças, e perante cada um(a) que o Senhor colocou à minha frente para que eu possa servir e amar, como o próprio Cristo quer servir e amar, hoje, na pessoa de seus ministros. Estamos à frente de uma diocese para dar testemunho vivo desse amor misericordioso do Senhor para com a humanidade sofredora. Ajudem-me com suas preciosas orações!

Venho da experiência de uma vida monástica, que me educou sobre a importância da vida comunitária e a necessidade de uma espiritualidade eclesial para que nossas ações sejam inspiradas na Palavra de Deus e no encontro com o Cristo Vivo. Não tenho como olvidar essa característica, que, longe de me afastar, me fez amar e sentir com a Igreja, na oração e no trabalho. A necessidade de uma vida em comunidade está na raiz de minha vocação e em minha experiência monástica.

Venho do serviço a uma Igreja viva do oeste paulista – São José do Rio Preto, onde aprendi a necessidade de ouvir sempre e partilhar e olhar com carinho e amor todo o povo de Deus. As presenças de tantos presbíteros, seminaristas, religiosas, consagrados e cristãos leigos demonstram os laços que nos unem e que Deus construiu na minha caminhada diocesana. Alegro-me pela presença de tantos dessa minha primeira diocese.

Venho de uma terra calorosa, não só pela proximidade do Equador, mas pelo seu povo moreno e amoroso que, além da fidelidade a Cristo e à Igreja, no meio de tantas dificuldades, dá ao mundo um sinal grandioso de sua piedade popular no Círio de Nazaré, e que me fez aprofundar as questões amazônicas e sentir de perto as necessidades, angústias e sonhos de um povo. Como esquecer aqueles que me cativaram e, consequentemente, se tornaram responsáveis pela minha caminhada futura? Sei que venho carregado pelas orações de milhões de paraenses e com o compromisso de continuarmos amigos para sempre! Continuem unidos e animados no trabalho de evangelização! Obrigado pelo carinho, acolhimento e partilha!

Venho de uma experiência na qual a importância da comunicação se injetou em minhas veias, quando os irmãos bispos me escolheram para servir à Igreja do Brasil nessa área, juntamente com a cultura e a educação, já no segundo e último mandato nessa comissão episcopal da CNBB.

Como lhes disse, há nove anos, acredito que a missão do bispo diocesano é de ser pastor de um povo e servir com alegria a todos, de tal forma que caminhemos juntos em busca da santidade. É claro que isso não exclui a administração e a disciplina necessárias para que tudo corra com ordem na casa do Senhor. Eu acredito também que a transição episcopal se faz recebendo, junto com o povo, também as conquistas e passos de uma comunidade. Por isso não há ruptura e, sim, uma caminhada que continua.

Depois de tantas alegrias e dificuldades passadas e superadas em verdadeira comunhão, só me resta agradecer a colaboração de todos os bispos auxiliares, presbíteros, diáconos, seminaristas, consagrados e consagradas e todos os cristãos leigos que têm levado adiante a missão de evangelizar e catequizar diuturnamente. Sem o seu auxílio meu ministério seria, com certeza, menos profícuo.

Recordo ainda que todas as minhas decisões tiveram em Maria a inspiração para responder o ‘sim’ a Deus, que me chamou através da Igreja.  Desde o início de minha vocação sacerdotal e religiosa até agora, quando foi para responder à nomeação do Santo Padre, o Papa Bento XVI, para servir a esta nossa arquidiocese. Muitas vezes me vi dizendo a mesma resposta: Como acontecerá isso? Será que tenho possibilidade? Mas, inspirado por Maria, desejo que minhas respostas ao plano de Deus sejam sempre o “faça-se em mim segundo a tua palavra”.

São Bernardo, em seu sermão sobre esse texto, medita que quando o “anjo retirou-se”, a maravilha da encarnação se concretizou por obra do Espírito Santo. Também eu peço hoje, como há nove anos, ao Pai para que o Seu Espírito fecunde o ministério iniciado, com grande confiança, aqui no Rio de Janeiro. Confio no Senhor que me chamou e até aqui me conduziu. Tenho certeza de que não ficarei decepcionado.

Recordo, com carinho, todos os sinais marianos em minha vida, desde a oração de criança diante da imagem de Nossa Senhora de Fátima, antes e após a catequese na Igreja Matriz de São José do Rio Pardo; os pedidos diante da imagem peregrina de Nossa Senhora. Aparecida, na época da juventude na mesma cidade natal; o ingresso na ordem cisterciense que tem como padroeira Maria, e o costume de colocar em todas as abadias o nome de Nossa Senhora. Recordo-me de que foi invocando o ‘sim’ de Maria que o então bispo diocesano de São João da Boa Vista me animou a dar o ‘sim’ para o episcopado quando da minha nomeação para São José do Rio Preto.

É significativo lembrar que tanto a nomeação para Belém como para o Rio de Janeiro sempre foram dentro de um clima mariano, ou pelo local ou pelo evento. A experiência do Círio de Nazaré ficará marcada para sempre em minha vida e memória, como exemplo de um povo mariano que ainda traz em sua cultura e formação esses sinais. Peço a Virgem Maria, portanto, que rogue sempre por nós.

Relembro também o meu lema que tem me acompanhado desde a juventude: “Que todos sejam um!” Ele manifesta a minha convicção de que na diversidade de dons e carismas que temos na Igreja, temos uma grande riqueza, mas que na unidade entre todos nós temos a própria razão da evangelização – para que o mundo creia! Estou convicto de que, se não formos unidos, todos os nossos trabalhos, por mais precisos e amplos que forem, serão insuficientes para a nossa missão evangelizadora. Por isso, convoco, de novo, todos os padres, diáconos, consagrados, consagradas, religiosas e religiosos, seminaristas, agentes de pastoral, movimentos, comunidades, pastorais de nossa arquidiocese a se empenharem na busca de uma unidade afetiva e efetiva. Dessa forma, com uma vida convertida, tenho certeza de que seremos sinais de Jesus Cristo na história de hoje.

Mas essa unidade é também necessária para o nosso tempo tão violento e intolerante. Tivemos nesta Quaresma, a convite da CNBB, a Campanha da Fraternidade a recordar a fraternidade e a superação da violência. Somos todos irmãos. É possível o ecumenismo! É possível o diálogo religioso! É possível o diálogo com as culturas! É possível o diálogo com as pessoas de boa vontade que querem construir um mundo mais justo e humano! Na verdade, todos nós nos encontramos na construção do bem comum. A nossa sociedade sofre uma carência enorme dessa unidade e nós, cristãos, somos chamados a ser sinais de que tudo isso é possível.

Também somos, como os discípulos dos Atos dos Apóstolos, chamados a viver a nossa fé no amor mútuo: “podemos saber que amamos os filhos de Deus quando amamos a Deus e guardamos os seus mandamentos”, recorda-nos hoje a primeira carta de João, e, nesse sentido, como cristãos, não podemos deixar de, ao anunciar o Evangelho, estarmos comprometidos com o nosso próximo e com um trabalho de presença com ações concretas nesta sociedade. Viver os mandamentos, amarmos a Deus e, consequentemente, amarmos o próximo, como nos recorda a Palavra hoje, lembrando-nos de como Cristo explicou o que significa “amar o próximo” na parábola do bom samaritano. Meu próximo é todo aquele que precisa de mim, independentemente de onde mora, da cultura, nacionalidade, religião ou condição social etc.

Que o Cristo Redentor, que de braços abertos acolhe a todos em seu Santuário Arquidiocesano, nos faça experimentar as bênçãos de Deus para todos os que aqui residem ou que por aqui passam. Que o povo assim abençoado tenha a paz em suas fronteiras e seja testemunho do Ressuscitado, foi meu pedido há nove anos e hoje.

Desejo agradecer por tudo o que juntos pudemos fazer, na graça de Deus; pedir perdão por algo que eu possa ter errado, embora mesmo em possíveis erros tenha buscado acertar e jamais ferir ou prejudicar a quem quer que seja. Peço, por fim, que não se esqueçam de mim e de meu ministério em suas preciosas orações diárias, pois, de minha parte, asseguro que nunca deixei, ao longo desses nove anos, de rezar por você e por sua família, em suas necessidades tão bem conhecidas por Deus.

Peçam a Deus, por intercessão de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, que eu seja um bispo segundo o coração misericordioso de Jesus. Amém.

Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro