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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 15/06/2019

15 de Junho de 2019

Livros do Antigo Testamento (87)

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15 de Junho de 2019

Livros do Antigo Testamento (87)

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04/01/2019 16:39 - Atualizado em 04/01/2019 16:39

Livros do Antigo Testamento (87) 0

04/01/2019 16:39 - Atualizado em 04/01/2019 16:39

Neste artigo abandonamos para trás a coleção dos Livros Históricos, com os Livros dos Macabeus.

Neles lemos uma verdadeira epopeia da fé judaica, em meio à forçada enculturação religiosa helenística. Mas, o que nos interessa neste livro, ao contrário, do que possa parecer à guerra dos irmãos Macabeus, foi o registro, no segundo Livro, da adesão livre e ‘inspirada’ às ideias e conceitos gregos anexados à tradicional fé judaica.

Trata-se do valioso conceito de imortalidade da alma, tão caro a Platão, e ainda dos temas do juízo, do castigo e da retribuição, que a teologia cristã denomina como os ‘Novíssimos’.

O 2° LIVRO DOS MACABEUS

Este livro, como facilmente se poderia supor, pareceria uma mera continuação do primeiro, no entanto, nem tem o mesmo autor.

De comum entre os dois existe apenas o clima de perseguição à fé, orquestrada igualmente pelos Selêucidas1, embora narrada de um modo menos histórico e mais edificante.

Mas convém ter em conta o que se disse no início da Introdução a 1 Macabeus, quanto ao seu nome e à sua classificação como livro bíblico.

AUTOR

O autor, que terá escrito no Egito, entendia edificar a fé dos judeus deste país, também perseguidos por Ptolomeu2.

Com um estilo vivo e uma tendência para exagerar a caracterização das personagens – pois quer apresentá-las como heróis na fé a um povo que está sofrendo por causa dela – pretende mostrar que a perseguição é apenas um castigo justo e medicinal, merecido pelos pecados cometidos, para convidar à conversão de vida e à fidelidade à aliança.

ESTRUTURA:

Na sua forma atual, o livro poderá resumir-se no esquema seguinte:

Introdução (1,1-2,32):

Primeira carta (1,1-9)

Segunda carta (1,10-2,18)

Prefácio do autor (2,19-32).

I. Causas da rebelião dos Macabeus (3,1-7,42):

Preservação do templo (3);

Onias, Pontífice (4);

Matanças de Antíoco em Jerusalém (5);

A perseguição religiosa (6);

Martírio dos sete irmãos (7).

II. Rebelião dos Macabeus (8,1-10,8):

Primeiras vitórias dos Macabeus (8);

Morte de Antíoco (9);

Purificação do templo (10,1-8).

III. Campanhas militares de Judas Macabeu (10,9-15,36).

l Novas vitórias do Macabeu sobre os povos vizinhos (10,9-12,45);

l Guerra e paz entre Antíoco Eupátor e Judas Macabeu (13);

l Demétrio, rei da Síria, declara guerra ao Macabeu (14);

l Nicanor, general dos sírios, é vencido por Judas Macabeu (15,1-36).

l Epílogo (15,37-39): considerações do autor.

MENSAGEM

Considerando o objetivo desta obra, a lei (como expressão da aliança) e o templo são os pontos de referência da fé, sempre necessitados de revigoramento para não se deixar absorver pela pressão da nova cultura.

Por isso, ao lado daqueles que, por debilidade ou oportunismo sociopolítico, renegam a fé, o autor coloca os que se refugiam em Deus e vão para o campo de batalha, apoiados nas armas da oração, do jejum e da leitura da Bíblia.

Neste quadro de fé no Deus da aliança, que protege os que morrem por ela em vez de a renegar, surgem alguns ensinamentos desenvolvidos depois no cenário da revelação.

É o caso dos anjos, como agentes de Deus para executar o seu projeto (2,21; 3,24-26; 10,29; 11,6-8; 15,23), do valor da oração dos vivos para conseguir de Deus o perdão dos pecados dos defuntos (12,43-45), bem como do valor da intercessão dos «santos» que estão na outra vida, em favor dos que ainda peregrinam na terra (15,12-16); e ainda a questão da ressurreição dos fiéis (7,9.14.23.28-29.36; 12,43-45; 14,46) e a retribuição depois da morte, tanto para os fiéis como para os que fizeram mal ao povo, pois Deus dará a cada um segundo o que tiver merecido.

 

1 O Império Selêucida foi um Estado helenista que existiu após a morte de Alexandre, o Grande da Macedónia, cujos generais entraram em conflito pela divisão de seu império. Entre 323 e 64 a.C. existiram mais de 30 reis da dinastia selêucida. Cf. https://pt.wikipedia.org/wiki/Imp%C3%A9rio_Sel%C3%AAucida

2 Ptolemeu I Sóter (em grego Πτολεμαίος Σωτήρ, transl. Ptolemaíos Sōtér; 366 – 283 a.C.[1]) foi um general macedônio de Alexandre, o Grande, que se tornou sátrapa do Egito de 323 a.C. a 283 a.C., fundando a Dinastia Ptolemaica. Tomou o título de rei a partir de 305 a.C., instituindo então o culto dinástico do rei-salvador (Sóter), de acordo com a tradição dos Faraós egípcios. Recusou-se a pagar tributo ao rei da Macedónia, sucessor de Alexandre Magno. Fundou um império poderoso que, sem conquistas territoriais, manteve um reconhecido esplendor econômico e cultural, firmado em novas e eficazes formas administrativas. Instituiu a capital de sua dinastia em Alexandria, hoje a segunda maior cidade do Egito e uma das cinco maiores cidades da África, cidade fundada por seu predecessor, Alexandre. Nos últimos anos do seu reinado, exerceu corregência com o filho, seu herdeiro real. Implantou o culto de Serápis e fundou a cidade de Ptolemaida, no Alto Egito. Cf. https://pt.wikipedia.org/wiki/Ptolemeu_I_S%C3%B3ter

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Livros do Antigo Testamento (87)

04/01/2019 16:39 - Atualizado em 04/01/2019 16:39

Neste artigo abandonamos para trás a coleção dos Livros Históricos, com os Livros dos Macabeus.

Neles lemos uma verdadeira epopeia da fé judaica, em meio à forçada enculturação religiosa helenística. Mas, o que nos interessa neste livro, ao contrário, do que possa parecer à guerra dos irmãos Macabeus, foi o registro, no segundo Livro, da adesão livre e ‘inspirada’ às ideias e conceitos gregos anexados à tradicional fé judaica.

Trata-se do valioso conceito de imortalidade da alma, tão caro a Platão, e ainda dos temas do juízo, do castigo e da retribuição, que a teologia cristã denomina como os ‘Novíssimos’.

O 2° LIVRO DOS MACABEUS

Este livro, como facilmente se poderia supor, pareceria uma mera continuação do primeiro, no entanto, nem tem o mesmo autor.

De comum entre os dois existe apenas o clima de perseguição à fé, orquestrada igualmente pelos Selêucidas1, embora narrada de um modo menos histórico e mais edificante.

Mas convém ter em conta o que se disse no início da Introdução a 1 Macabeus, quanto ao seu nome e à sua classificação como livro bíblico.

AUTOR

O autor, que terá escrito no Egito, entendia edificar a fé dos judeus deste país, também perseguidos por Ptolomeu2.

Com um estilo vivo e uma tendência para exagerar a caracterização das personagens – pois quer apresentá-las como heróis na fé a um povo que está sofrendo por causa dela – pretende mostrar que a perseguição é apenas um castigo justo e medicinal, merecido pelos pecados cometidos, para convidar à conversão de vida e à fidelidade à aliança.

ESTRUTURA:

Na sua forma atual, o livro poderá resumir-se no esquema seguinte:

Introdução (1,1-2,32):

Primeira carta (1,1-9)

Segunda carta (1,10-2,18)

Prefácio do autor (2,19-32).

I. Causas da rebelião dos Macabeus (3,1-7,42):

Preservação do templo (3);

Onias, Pontífice (4);

Matanças de Antíoco em Jerusalém (5);

A perseguição religiosa (6);

Martírio dos sete irmãos (7).

II. Rebelião dos Macabeus (8,1-10,8):

Primeiras vitórias dos Macabeus (8);

Morte de Antíoco (9);

Purificação do templo (10,1-8).

III. Campanhas militares de Judas Macabeu (10,9-15,36).

l Novas vitórias do Macabeu sobre os povos vizinhos (10,9-12,45);

l Guerra e paz entre Antíoco Eupátor e Judas Macabeu (13);

l Demétrio, rei da Síria, declara guerra ao Macabeu (14);

l Nicanor, general dos sírios, é vencido por Judas Macabeu (15,1-36).

l Epílogo (15,37-39): considerações do autor.

MENSAGEM

Considerando o objetivo desta obra, a lei (como expressão da aliança) e o templo são os pontos de referência da fé, sempre necessitados de revigoramento para não se deixar absorver pela pressão da nova cultura.

Por isso, ao lado daqueles que, por debilidade ou oportunismo sociopolítico, renegam a fé, o autor coloca os que se refugiam em Deus e vão para o campo de batalha, apoiados nas armas da oração, do jejum e da leitura da Bíblia.

Neste quadro de fé no Deus da aliança, que protege os que morrem por ela em vez de a renegar, surgem alguns ensinamentos desenvolvidos depois no cenário da revelação.

É o caso dos anjos, como agentes de Deus para executar o seu projeto (2,21; 3,24-26; 10,29; 11,6-8; 15,23), do valor da oração dos vivos para conseguir de Deus o perdão dos pecados dos defuntos (12,43-45), bem como do valor da intercessão dos «santos» que estão na outra vida, em favor dos que ainda peregrinam na terra (15,12-16); e ainda a questão da ressurreição dos fiéis (7,9.14.23.28-29.36; 12,43-45; 14,46) e a retribuição depois da morte, tanto para os fiéis como para os que fizeram mal ao povo, pois Deus dará a cada um segundo o que tiver merecido.

 

1 O Império Selêucida foi um Estado helenista que existiu após a morte de Alexandre, o Grande da Macedónia, cujos generais entraram em conflito pela divisão de seu império. Entre 323 e 64 a.C. existiram mais de 30 reis da dinastia selêucida. Cf. https://pt.wikipedia.org/wiki/Imp%C3%A9rio_Sel%C3%AAucida

2 Ptolemeu I Sóter (em grego Πτολεμαίος Σωτήρ, transl. Ptolemaíos Sōtér; 366 – 283 a.C.[1]) foi um general macedônio de Alexandre, o Grande, que se tornou sátrapa do Egito de 323 a.C. a 283 a.C., fundando a Dinastia Ptolemaica. Tomou o título de rei a partir de 305 a.C., instituindo então o culto dinástico do rei-salvador (Sóter), de acordo com a tradição dos Faraós egípcios. Recusou-se a pagar tributo ao rei da Macedónia, sucessor de Alexandre Magno. Fundou um império poderoso que, sem conquistas territoriais, manteve um reconhecido esplendor econômico e cultural, firmado em novas e eficazes formas administrativas. Instituiu a capital de sua dinastia em Alexandria, hoje a segunda maior cidade do Egito e uma das cinco maiores cidades da África, cidade fundada por seu predecessor, Alexandre. Nos últimos anos do seu reinado, exerceu corregência com o filho, seu herdeiro real. Implantou o culto de Serápis e fundou a cidade de Ptolemaida, no Alto Egito. Cf. https://pt.wikipedia.org/wiki/Ptolemeu_I_S%C3%B3ter

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos
Autor

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos

Doutor em Teologia Bíblica