Arquidiocese do Rio de Janeiro

31º 20º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 21/05/2019

21 de Maio de 2019

Maria, Mãe de Deus e nossa Mãe

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21 de Maio de 2019

Maria, Mãe de Deus e nossa Mãe

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Maria, Mãe de Deus e nossa Mãe 0

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Mãe! Haverá nome mais doce que este? Palavra curta, etérea, pura, singela, capaz de acalentar a alma. Esta palavra traz ao coração auxílio, proteção, confiança, orientação; qual estrela que guia embarcações em meio à noite escura e mar misterioso. Não é sem motivos que a Igreja atribuiu a Maria o título de Estrela do Mar (Stella Maris), pois Ela é como um luzeiro, que refletindo a luz de seu Filho Jesus, Sol da Justiça (Ml 4,2), indica aos cristãos o caminho a seguir rumo ao porto seguro da salvação. Porém, um dos títulos mais antigos e mais caros aos católicos é o de Mãe. Ela é Mãe de Jesus Cristo, como nos ensinam os evangelhos, mas também é Mãe dos discípulos do seu Divino Filho, por deliberação e vontade expressas por Ele mesmo, quando naquele momento crucial da salvação dos homens Ele A entregou como Mãe a João (Jo 19,27), que aí aos pés da cruz representava toda a Igreja, que nascia de Seu lado perfurado pela lança do soldado. A Igreja logo acolheu este carinhoso título aplicado a Maria, que fora tão cedo utilizado pelos cristãos, proclamando-A oficial e solenemente Mãe de Deus no dia 11 de outubro do ano 431, durante o Concílio de Éfeso. Este foi o primeiro Dogma Mariano definido pela Igreja. Por isso mesmo, a Maternidade de Maria é uma das primeiras festas marianas do cristianismo, já celebrada como memória litúrgica em Bizâncio, no século V, um dia após o Natal. Com o passar do tempo, foi introduzida no calendário romano dentro da Oitava de Natal. Em 1931, por ocasião do 15º Centenário do Concílio de Éfeso, o Papa Pio XI restabeleceu para o dia 11 de outubro a sua celebração, dando-lhe a dignidade de solenidade que possui hoje. No entanto, a Igreja reconhecendo e acolhendo o Dia das Mães como fato mundialmente celebrado no 2º domingo de maio, e particularmente entre nós brasileiros desde 1932, permitiu que aqui no Brasil a festa da Maternidade de Nossa Senhora passasse a ser celebrada como festa móvel no 2º domingo de maio. Foi somente com a reforma do Concílio Vaticano II que se passou a celebrar a Maternidade Divina em 1º de janeiro. Contudo, por ser maio o mês de tantas festas marianas devocionais, o 2º domingo de maio ficou ainda hoje para nós brasileiros um dia de muitas homenagens às nossas genitoras biológicas, mas também à nossa grande Genitora Espiritual. A uma e a Outra, mais que presentes perecíveis, devemos devotar nossas orações e todo o nosso afeto filial.

O título de Mãe de Deus é sem dúvida o mais importante de todos os que são atribuídos a Virgem Santíssima. Pois, a Maternidade Divina é o fundamento de todo o seu Mistério e encerra o próprio Mistério da Encarnação. É fonte de louvores para Maria e conforto espiritual para nós. Daí provém todos os outros títulos que lhe são atribuídos. Ser Mãe é o motivo de todos os seus privilégios e de suas graças. Ela foi escolhida por Deus para ser a Mãe do Redentor. Por isso, Deus mesmo inculcou-lhe sentimentos completamente maternos, que expressam amor, acolhimento, compreensão, perdão, dentre tantos outros. Assim, a Maternidade Divina une Maria ao Filho com um laço fortíssimo e irrevogável. Pela geração e nascimento no tempo, ela deu-Lhe a substância humana morta na cruz e ressurreta ao terceiro dia; ela pela amamentação O nutriu e pela educação transmitiu-Lhe inúmeros ensinamentos, exercendo sobre Ele materna autoridade. Por Maria, Jesus quis se fazer nosso irmão e compartilhar conosco a maternidade de Sua Mãe Santíssima. Com efeito, é neste sentido que Maria se torna Mãe de todos aqueles de quem Jesus se fez irmão.

No Novo Testamento São Paulo faz uma analogia entre Adão e Cristo, chamando-O de Novo Adão. Logo não demorou a Tradição seguir esta mesma linha analógica aplicando-a a Eva e Maria. Foi São Justino, ainda no século II, o primeiro a chamar Maria de Nova Eva. Ora, a primeira Eva, chamada mãe de todos os viventes, gerou-nos para o mundo, ao passo que Maria, como imagem da Igreja, gerou-nos para Deus, como Mãe de todos os que renascem para a vida em Cristo. Por ela fomos gerados para a nova vida pela Palavra que nos é anunciada e que nela se fez homem. De Eva herdamos somente o pecado, a morte e a corruptibilidade. Já de Maria, ainda como figura da Igreja, nós recebemos a fé, a vida e a incorruptibilidade. Se Eva nos ofereceu o fruto proibido que fez todos os seus filhos perecerem, Maria nos oferece o bendito fruto do seu ventre como dom de salvação e imortalidade para toda a Humanidade. Essa oferta de salvação ela apresenta ao povo de Deus, como outrora aos pastores. Maria, que deu a vida ao Filho de Deus, continua a apresentar aos homens a vida divina. É por isto considerada Mãe de todos os que acolhem seu Filho, nascendo de novo pela água e pelo Espírito. E como isto deve ser consolador para os cristãos!

A Constituição Dogmática “Lumen Gentium”, do Concílio Vaticano II, acerca da maternidade de Nossa Senhora, afirma: “Esta maternidade de Maria na economia da graça perdura sem interrupção, desde o consentimento, que fielmente deu na anunciação e que manteve inabalável junto à cruz, até a consumação eterna de todos os eleitos. De fato, depois de elevada ao céu, não abandonou esta missão salvadora, mas, com a sua multiforme intercessão, continua a alcançar-nos os dons da salvação eterna. Cuida, com amor materno, dos irmãos de seu Filho que, entre perigos e angústias, caminham ainda na terra, até chegarem à pátria bem-aventurada. Por isso, a Virgem é invocada na Igreja com os títulos de Advogada, Auxiliadora, Socorro e Medianeira. Mas isto entende-se de maneira que nada tire nem acrescente à dignidade e eficácia do único mediador, que é Cristo (LG 61)”.

Maria, com verdadeiro amor de mãe, intercede por nós para obter de seu Divino Filho as graças ordinárias e extraordinárias que nos são tão necessárias para nos unirmos ainda mais intimamente a Ele. Neste sentido, Ela é uma via de acesso a Jesus. E a própria devoção popular a Virgem Santíssima nos manifesta isso. Os cristãos, sem dúvida por inspiração do Espírito Santo, sempre viram em Nossa Senhora um atalho para chegar ao Senhor, para obter d’Ele as mais necessárias graças. É quase que instintivo, nos momentos dos maiores apuros, recorrermos àqu’Ela que nos consola nos momentos de aflição e dissipa os nossos temores robustecendo-nos a fé, avivando-nos a esperança e fecundando-nos a caridade.

No ensejo dos festejos do Dia das Mães e do Mês de Maria, que dons ou presentes lhe ofereceremos por tão grande amor maternal, que nos faz devedores de generosíssima Mãe? Queiramos ofertar-lhe os nossos louvores, o nosso serviço, o nosso amor filial como grandes promotores da devoção a Mãe de Deus e nossa Mãe.

 

Padre Valtemario S. Frazão Jr.

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10/05/2019 00:00 - Atualizado em 13/05/2019 10:35

Mãe! Haverá nome mais doce que este? Palavra curta, etérea, pura, singela, capaz de acalentar a alma. Esta palavra traz ao coração auxílio, proteção, confiança, orientação; qual estrela que guia embarcações em meio à noite escura e mar misterioso. Não é sem motivos que a Igreja atribuiu a Maria o título de Estrela do Mar (Stella Maris), pois Ela é como um luzeiro, que refletindo a luz de seu Filho Jesus, Sol da Justiça (Ml 4,2), indica aos cristãos o caminho a seguir rumo ao porto seguro da salvação. Porém, um dos títulos mais antigos e mais caros aos católicos é o de Mãe. Ela é Mãe de Jesus Cristo, como nos ensinam os evangelhos, mas também é Mãe dos discípulos do seu Divino Filho, por deliberação e vontade expressas por Ele mesmo, quando naquele momento crucial da salvação dos homens Ele A entregou como Mãe a João (Jo 19,27), que aí aos pés da cruz representava toda a Igreja, que nascia de Seu lado perfurado pela lança do soldado. A Igreja logo acolheu este carinhoso título aplicado a Maria, que fora tão cedo utilizado pelos cristãos, proclamando-A oficial e solenemente Mãe de Deus no dia 11 de outubro do ano 431, durante o Concílio de Éfeso. Este foi o primeiro Dogma Mariano definido pela Igreja. Por isso mesmo, a Maternidade de Maria é uma das primeiras festas marianas do cristianismo, já celebrada como memória litúrgica em Bizâncio, no século V, um dia após o Natal. Com o passar do tempo, foi introduzida no calendário romano dentro da Oitava de Natal. Em 1931, por ocasião do 15º Centenário do Concílio de Éfeso, o Papa Pio XI restabeleceu para o dia 11 de outubro a sua celebração, dando-lhe a dignidade de solenidade que possui hoje. No entanto, a Igreja reconhecendo e acolhendo o Dia das Mães como fato mundialmente celebrado no 2º domingo de maio, e particularmente entre nós brasileiros desde 1932, permitiu que aqui no Brasil a festa da Maternidade de Nossa Senhora passasse a ser celebrada como festa móvel no 2º domingo de maio. Foi somente com a reforma do Concílio Vaticano II que se passou a celebrar a Maternidade Divina em 1º de janeiro. Contudo, por ser maio o mês de tantas festas marianas devocionais, o 2º domingo de maio ficou ainda hoje para nós brasileiros um dia de muitas homenagens às nossas genitoras biológicas, mas também à nossa grande Genitora Espiritual. A uma e a Outra, mais que presentes perecíveis, devemos devotar nossas orações e todo o nosso afeto filial.

O título de Mãe de Deus é sem dúvida o mais importante de todos os que são atribuídos a Virgem Santíssima. Pois, a Maternidade Divina é o fundamento de todo o seu Mistério e encerra o próprio Mistério da Encarnação. É fonte de louvores para Maria e conforto espiritual para nós. Daí provém todos os outros títulos que lhe são atribuídos. Ser Mãe é o motivo de todos os seus privilégios e de suas graças. Ela foi escolhida por Deus para ser a Mãe do Redentor. Por isso, Deus mesmo inculcou-lhe sentimentos completamente maternos, que expressam amor, acolhimento, compreensão, perdão, dentre tantos outros. Assim, a Maternidade Divina une Maria ao Filho com um laço fortíssimo e irrevogável. Pela geração e nascimento no tempo, ela deu-Lhe a substância humana morta na cruz e ressurreta ao terceiro dia; ela pela amamentação O nutriu e pela educação transmitiu-Lhe inúmeros ensinamentos, exercendo sobre Ele materna autoridade. Por Maria, Jesus quis se fazer nosso irmão e compartilhar conosco a maternidade de Sua Mãe Santíssima. Com efeito, é neste sentido que Maria se torna Mãe de todos aqueles de quem Jesus se fez irmão.

No Novo Testamento São Paulo faz uma analogia entre Adão e Cristo, chamando-O de Novo Adão. Logo não demorou a Tradição seguir esta mesma linha analógica aplicando-a a Eva e Maria. Foi São Justino, ainda no século II, o primeiro a chamar Maria de Nova Eva. Ora, a primeira Eva, chamada mãe de todos os viventes, gerou-nos para o mundo, ao passo que Maria, como imagem da Igreja, gerou-nos para Deus, como Mãe de todos os que renascem para a vida em Cristo. Por ela fomos gerados para a nova vida pela Palavra que nos é anunciada e que nela se fez homem. De Eva herdamos somente o pecado, a morte e a corruptibilidade. Já de Maria, ainda como figura da Igreja, nós recebemos a fé, a vida e a incorruptibilidade. Se Eva nos ofereceu o fruto proibido que fez todos os seus filhos perecerem, Maria nos oferece o bendito fruto do seu ventre como dom de salvação e imortalidade para toda a Humanidade. Essa oferta de salvação ela apresenta ao povo de Deus, como outrora aos pastores. Maria, que deu a vida ao Filho de Deus, continua a apresentar aos homens a vida divina. É por isto considerada Mãe de todos os que acolhem seu Filho, nascendo de novo pela água e pelo Espírito. E como isto deve ser consolador para os cristãos!

A Constituição Dogmática “Lumen Gentium”, do Concílio Vaticano II, acerca da maternidade de Nossa Senhora, afirma: “Esta maternidade de Maria na economia da graça perdura sem interrupção, desde o consentimento, que fielmente deu na anunciação e que manteve inabalável junto à cruz, até a consumação eterna de todos os eleitos. De fato, depois de elevada ao céu, não abandonou esta missão salvadora, mas, com a sua multiforme intercessão, continua a alcançar-nos os dons da salvação eterna. Cuida, com amor materno, dos irmãos de seu Filho que, entre perigos e angústias, caminham ainda na terra, até chegarem à pátria bem-aventurada. Por isso, a Virgem é invocada na Igreja com os títulos de Advogada, Auxiliadora, Socorro e Medianeira. Mas isto entende-se de maneira que nada tire nem acrescente à dignidade e eficácia do único mediador, que é Cristo (LG 61)”.

Maria, com verdadeiro amor de mãe, intercede por nós para obter de seu Divino Filho as graças ordinárias e extraordinárias que nos são tão necessárias para nos unirmos ainda mais intimamente a Ele. Neste sentido, Ela é uma via de acesso a Jesus. E a própria devoção popular a Virgem Santíssima nos manifesta isso. Os cristãos, sem dúvida por inspiração do Espírito Santo, sempre viram em Nossa Senhora um atalho para chegar ao Senhor, para obter d’Ele as mais necessárias graças. É quase que instintivo, nos momentos dos maiores apuros, recorrermos àqu’Ela que nos consola nos momentos de aflição e dissipa os nossos temores robustecendo-nos a fé, avivando-nos a esperança e fecundando-nos a caridade.

No ensejo dos festejos do Dia das Mães e do Mês de Maria, que dons ou presentes lhe ofereceremos por tão grande amor maternal, que nos faz devedores de generosíssima Mãe? Queiramos ofertar-lhe os nossos louvores, o nosso serviço, o nosso amor filial como grandes promotores da devoção a Mãe de Deus e nossa Mãe.

 

Padre Valtemario S. Frazão Jr.