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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 22/11/2017

22 de Novembro de 2017

Jornalista e professor estimula comunicadores católicos a ousarem no uso de ferramentas digitais

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22 de Novembro de 2017

Jornalista e professor estimula comunicadores católicos a ousarem no uso de ferramentas digitais

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08/11/2017 23:10 - Atualizado em 08/11/2017 23:11
Por: Gracielle Reis e Raphael Freire

Jornalista e professor estimula comunicadores católicos a ousarem no uso de ferramentas digitais 0

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“A Igreja pode ousar mais na utilização dos meios digitais. O céu é o limite”. Com essa afirmação, o jornalista e professor Fernando Morgado estimulou os participantes do 4º Seminário de Comunicação Social para que, nas dioceses, comunidades e expressões, os comunicadores utilizem de forma ousada, ampla e integrada todas as possibilidades e mecanismos oferecidos pelos recursos tecnológicos. Tendo em vista que a Igreja não estaria presa às “amarras” do mercado de propagandas e patrocínios, ela teria o facilitador de se aproximar mais facilmente de seu público.

Ao ressaltar que, na atualidade, busca-se uma grande audiência nas redes sociais (por meio de curtidas, compartilhamentos e seguidores) em detrimento do conteúdo, Morgado destacou que a Igreja tem a vantagem de produzir assuntos que despertam a memória afetiva das pessoas, a partir de elementos da cultura popular, como devoções, celebrações, festas e tradições. Deste modo, com tais elementos, se alcançará a audiência sem perder a essência dos conteúdos de fé e o foco da atuação da Igreja, a evangelização e o coração humano.

Em sua primeira colocação sobre a construção da cultura digital, na manhã desta quarta-feira, dia 8 de novembro, Fernando traçou um panorama histórico dos marcos em termos de comunicação a partir do século XV, quando houve o advento da impressão de papel, em seguida, da imprensa no século XVII, até os grandes marcos do século XIX, como o telefone e o rádio. Contudo, o jornalista destacou como o século XX e o XXI apresentam um maior número de inovações em um menor espaço de tempo: longa metragem, popularização da TV e rádio, VHS, DVD, CD, internet, domínio do mobile, o conceito de “TV everywhere” (em todo lugar, em diferentes plataformas), entre outros.

As transformações de cada época, segundo ele, propiciam uma revolução na percepção do tempo e dos relacionamentos interpessoais. Anteriormente, com o rádio e TV, a difusão de conteúdo foi facilitada por ser uma comunicação que se dirige ao mesmo tempo a muitos, ou seja, o que se entende por broadcast. Neste modelo, os espectadores consomem comunicação de acordo com a programação e divisão do tempo trazidas pelos meios comunicacionais. Foi o rádio, por exemplo, que permitiu que a voz dos papas se tornassem conhecidas, desde meados do século passado, com a ajuda da Rádio Vaticano.

Já com a cultura digital, uma nova percepção do tempo e dos espaços foi inaugurada. A internet, que teve uma disseminação maior no Brasil a partir de 1995, transpassa, inclusive, os círculos sociais, com o fenômeno das redes sociais.

“O primeiro grande boom foi o Orkut. As pessoas começaram a olhar a si próprias como pequenos meios de comunicação. Em seguida, mudam a própria percepção da realidade para ter mais audiência. Todo mundo virou produtor e consumidor de conteúdo, os chamados prosumers”, definiu Morgado ao enfatizar também que a relação com tempo é, hoje em dia, mais complexa. Além da velocidade e acúmulo de afazeres, as redes sociais se caracterizam por um verdadeiro “liquidificador de relações”, como assim o especialista apresentou em sua segunda conferência.

A internet, sobretudo com as mídias sociais, lançou ainda uma “vitrine de exposição”, onde as pessoas constroem uma realidade para a vida online consideravelmente diferente, em muitos casos, da vida offline. A tecnologia, além disso, criou demandas que não existiam e uma reconfiguração do texto. Por exemplo, há 20 anos, ninguém necessitava receber likes nas redes sociais. E a palavra escrita recebeu um novo estilo de linguagem, e formatos, inclusive com a utilização de emojis, as imagens que transmitem a ideia de palavras e expressam sentimentos e até mesmo semblantes.

“A tecnologia em si não é ruim, ela foi criada pelo homem. Este que deve fazer o bom uso. Não é culpa da tecnologia, mas do mau uso”, reforçou o professor universitário ao falar dos desafios atuais no campo do uso das tecnologias. Entre eles, estaria o auge da condenação da reflexão. Todas as atividades e decisões das pessoas são colocadas em nível de urgência, causando ansiedade e estresse. Aliado a isto, as relações e sentimentos se traduzem, atualmente, em números, através das notificações, curtidas e compartilhamentos. Os usuários esperam em suas redes pessoais o quantitativo dessas notificações:

“Mesmo que institivamente, todos nós estamos virando especialistas de estatísticas de redes sociais. Acaba não importando os conteúdos, mas os números que eles geram”, concluiu ao explicar o fenômeno da gameficação, pelo qual tudo vira um jogo de audiência no qual usuários e empresas de comunicação lançam suas produções em horários e formatos no que supostamente seriam as demandas do público.

A internet das e para as pessoas

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Durante a tarde, o jornalista e professor das universidades Facha, Metropolitana do México, Escola Superior de Propaganda e Marketing e PUC-Rio, Fernando Morgado, deu continuidade as suas conferências no 4º Seminário de Comunicação, no Centro de Estudos e Formação do Sumaré, no Rio de Janeiro.

Inspirado pelo tema “Todo poder a audiência! (?)”, o especialista apresentou as formas de operação e alguns modelos de negócios de grandes empresas como Google, Facebook e Youtuber. Ele ressaltou ainda a presença do algoritmo do Facebook - um recurso utilizado para, principalmente, determinar o que é posto em primeiro no feed da tela principal do usuário – e demonstrou certa preocupação com o fake news (notícias falsas), algo cada vez mais crescente nas redes, inclusive, com empresas especializadas que lucram muito através da mentira.

"O cruzamento de dados entre os aplicativos não é segredo para ninguém. Cada vez mais os usuários vão sendo obrigados a lidar com uma série de filtros que o Facebook, por exemplo, acredita que seja bom para eles. Isso é feito com o intuito de deixá-los mais satisfeitos e por mais tempo na plataforma, gerando informações importantes que acabam sendo vendidas para a publicidade. Todos nós temos interesse por notícias ligadas ao Papa Francisco e o Facebook vai nos apresentando todos os conteúdos que envolvem o pontífice sem verificar se as informações são verdadeiras ou não. As pessoas que não acompanham os noticiários diariamente, muitas vezes, leem a notícia falsa e aí existe um perigo muito grande", afirmou Morgado.

Ainda durante sua palestra, o professor partiu da análise apenas da intervenção do algoritmo e seguiu para a reflexão do resultado que muitas dessas postagens geram a partir da interação, do contato humano. Ele destacou também o fenômeno das "bolhas ideológicas" ao apontar o protagonismo dos cristãos nesta era onde as pessoas se fecham cada vez mais.  

"A partir do momento em que o Facebook habilita o recurso de reações - curti, amei, haha, uau, triste e grr - começa o contato humano porque temos dados. De maneira muito simples, ele começa a tabular e transformar em números os sentimentos das pessoas. Não vai demorar para esses dados se cruzarem com outros como na neurociência, por exemplo, e, com isso, teremos uma revolução absurda. Já estamos estudando a ‘Internet das Coisas’ e, daqui a pouco, certamente, teremos a ‘Internet das Pessoas’. Tem crescido também uma autoalimentação do discurso particular que vai se tornando mais denso, mais pesado e para o radicalismo é um pulo. É uma super valorização da discussão e a partir disso nascem as ‘bolhas ideológicas’ com o pensamento: ‘eu vivo no meu mundo, com a minha visão, não vejo visão contrária, não converso com ninguém de fora e aquilo que eu não concordo elimino’. Isso se torna muito sério, em especial, para vocês, evangelizadores, pois entre as várias missões, a mais importante é justamente chegar àquelas pessoas que não concordam com vocês e não acreditam. E como fica se está todo mundo cercado? A ultra seguimentação e o atendimento individual das necessidades já fazem parte desta realidade, e para os comunicadores oriento a usar esses meios sem dispensar os outros veículos  tradicionais e massivos, pois eles conseguem furar esse cerco, esse bloqueio. Minha maior recomendação é não colocar todos os ovos na mesma cesta, mas trabalhar com todas as formas possíveis de comunicação", orientou.

Por fim, Fernando Morgado reforçou que este novo cenário das redes torna-se um grande desafio para a evangelização. De acordo com ele, com esse advento tecnológico o profissional de comunicação voltou a ter importância e faz-se essencial, pois num mundo da automatização muitas empresas precisam contratar seres humanos exatamente para combater as notícias e anúncios falsos, por exemplo.

"É importante saber que nenhum meio ou negócio tecnológico tem o interesse de ‘matar’ o outro. Outra questão fundamental é entender que no mundo já existem confrontos demais e se alimentarmos essas rixas na área da comunicação todos saem perdendo. Finalizando, reforço a frase do Papa Francisco: ‘Quem comunica faz-se próximo’. Temos que nos fazer presentes e próximos em um mundo como o nosso. Se faz necessário, as pessoas desejam isso e a Igreja não deve se eximir de se fazer presente nos meios. Existe sim uma série de problemas, mas também uma gama de possibilidades. A Igreja e os comunicadores católicos têm nas mãos o sonho de qualquer comunicação comercial: uma causa, força e presença na vida, história e cultura de civilizações e, naturalmente, alcançam um lugar onde todos tentam e vocês já estão lá dentro... O coração das pessoas. E é lindo ter esse acesso livre ao coração e a alma das pessoas. A comunicação quando bem usada só reforça essa dimensão", concluiu.

Fernando Morgado é jornalista; professor das Faculdades Integradas Hélio Alonso (FACHA) e Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM); e professor convidado da Universidad Autónoma Metropolitana (UAM) e PUC-Rio.

Acompanhe o 4º Seminário de Comunicação, ao vivo, através da página do Facebook da WebTV Redentor. Curta e acompanhe também a página do seminário no Facebook: Seminário de Comunicação Social

Fotos: Gracielle Reis

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