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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 12/12/2017

12 de Dezembro de 2017

Monsenhor Vital completará 70 anos de sacerdócio

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Monsenhor Vital completará 70 anos de sacerdócio

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24/11/2017 14:38 - Atualizado em 24/11/2017 14:38
Por: Priscila Xavier e Symone Matias

Monsenhor Vital completará 70 anos de sacerdócio 0

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Os passos lentos e a voz embargada não são empecilhos para monsenhor Vital Cavalcanti anunciar a Boa Nova. Atualmente, com 93 anos, ele se prepara para celebrar outra data: os 70 anos dedicados ao sacerdócio, que serão celebrados na Paróquia Sagrado Coração de Jesus, na Glória, no dia 7 de dezembro, às 19h.

O menino Vital Francisco Brandão Cavalcanti, filho do engenheiro mecânico Francisco Cezar Brandão Cavalcanti e de Maria Tereza Brandão Cavalcanti, nasceu em Recife, no dia 2 de setembro de 1924.

Com menos de dois anos, mudou-se, junto com os pais, da capital pernambucana para o Rio de Janeiro, onde residiu, primeiramente, no bairro na Glória com os avós paternos.

Em 1935, aos 10 anos, ele ingressou no Seminário Arquidiocesano de São José. Seis anos depois, em 1941, Vital foi para o Seminário Central da Imaculada Conceição, no Ipiranga, em São Paulo, um dos quatro seminários que acolhiam os vocacionados de todo o país. Os outros ficavam em Salvador, no Rio Grande do Sul e no Rio de Janeiro – o qual, nesse período, ainda não possuía os cursos de filosofia e teologia.

No retorno ao Rio de Janeiro, o jovem Vital foi ordenado pelo então arcebispo da cidade, Dom Jaime de Barros Câmara, no dia 7 de dezembro de 1947. “Naquela época, pensávamos muito na primeira missa, porque a ordenação tinha de ser num dia santo e, naquele ano, o dia 8 de dezembro, dedicado a Imaculada Conceição, era um domingo. Propus isso e o arcebispo aceitou. Éramos quatro sacerdotes, somente eu estou vivo. Assim começou a contagem desses 70 anos que nosso Senhor me concede para celebrar”, frisou.

Funções

Durante seu ministério sacerdotal, monsenhor Vital, que recebeu o título do Papa João XXIII e confirmado pelo Papa Paulo VI, exerceu várias atividades no âmbito diocesano.

A primeira função, por 14 anos, foi a de professor do Seminário de São José. Também foi notário e chanceler da Cúria, e vigário geral durante o Concilio Vaticano II, respondendo pela arquidiocese.

Padre Nixon Bezerra de Brito, que por muito tempo apresentou o programa Expresso da Saudade, da Rádio Catedral FM, ao lado de monsenhor Vital, lembrou que estudou no Seminário Arquidiocesano de São José no mesmo período em que ele atuou na equipe de formação do seminário, entre os anos de 1992 e 1997. Depois, como diácono, teve a oportunidade de auxiliá-lo durante a celebração do seu Jubileu de Ouro sacerdotal. Após 25 anos como irmãos na fé, padre Nixon destacou: “Monsenhor sempre viveu a vida na simplicidade, na humildade, na caridade e no amor. Aprendi muito com sua fidelidade, colocando a Igreja em primeiro lugar sempre, tal como o serviço ao povo de Deus”.

Ainda de acordo com o sacerdote, mesmo na tenra idade, monsenhor Vital não deixa de surpreendê-lo. “Ele é um homem brilhante, de uma inteligência incrível, sempre atento às notícias. Até hoje ele decora todos os acontecimentos, datas, pessoas. Por vezes, monsenhor Vital me surpreende com publicações que eu ainda não estou sabendo. Ele vive para a Igreja nesses 70 anos de sacerdócio. Agradeço muito a Deus por esse tempo, o qual tem sido uma formação eficaz para mim”, sublinhou.

Foi ainda vigário episcopal, membro da comissão de Liturgia, do Conselho Presbiteral, defensor de vínculo no Tribunal Interdiocesano, penitenciário do Cabido da Catedral, coordenador da Escola Luz e Vida e redator do folheto da missa.

Foi capelão de diversas instituições de cunho social e educacional e assistente espiritual de diversas associações e movimentos, até hoje, como as Equipes de Nossa Senhora, o Serra Clube e Pia União das Filhas de Maria.

De 1964 a 1976, monsenhor Vital esteve à frente da Paróquia São Francisco Xavier, na Tijuca, onde construiu uma capela no Morro da Chacrinha. Por dez anos, também respondeu pela comunidade do Esqueleto. Em 1977, assumiu a Antiga Sé, depois de estudar por um ano em Roma, na Gregoriana, como presente pelos seus 30 anos de ordenação.

Na Paróquia Sagrado Coração de Jesus, na Glória, foi pároco por 22 anos, a partir de 1982. Preocupado com a evangelização de seus paroquianos, construiu também uma capela dedicada a Nossa Senhora da Paz, no morro Santo Amaro.

Nos corredores do Edifício João Paulo II

Quem passava pelo Edifício João Paulo II, pouco antes do meio-dia, se deparava com a seguinte cena: Maria José, conduzindo nos braços monsenhor Vital, em direção à Capela Nossa Senhora da Conceição, onde ele celebrava, diariamente, a santa missa.

A parceria entre a cuidadora e o sacerdote não é de agora. “São 30 anos cuidando do monsenhor Vital. Primeiro como secretária paroquial e depois quando ele se tornou capelão do edifício”, contou Maria José.

Além do monsenhor, ela também cuidou da irmã do sacerdote, em sua própria casa, durante oito anos. Maria José esteve presente diariamente no período em que ele ficou internado, após uma queda. E, mesmo diante do estado de saúde delicado, ela não perdeu as esperanças.

Os médicos me desanimavam, mas sempre entregava a Deus aqueles momentos difíceis. Hoje vejo o monsenhor ressuscitado. Se eu tivesse de falar por dias e mais dias sobre ele, talvez ainda não falasse tudo, porque é de uma importância singular. Para mim, ele é como um pai. Nesses 30 anos, muitas coisas aconteceram, boas e tristes, porque faz parte da vida, mas eu faria tudo de novo”, frisou.

Ainda pelas escadas do Edifício João Paulo II, era frequente ver o monsenhor junto ao então diácono Vicente Freitas, hoje também sacerdote. “Conheci o monsenhor quando eu trabalhava no almoxarifado. Então, comecei a acompanhá-lo. Assim que fui ordenado diácono, fiquei mais próximo, isso porque o Cardeal Eugenio Sales, que se confessava de 15 em 15 dias, me escolheu para levar o confessor até a capela, que era justamente o monsenhor Vital”, recordou padre Vicente.

Nesse período, a missa era celebrada na Capela Nossa Senhora da Conceição às 8h, mesmo horário em que monsenhor Vital precisava tomar os medicamentos. Foi então que padre Vicente sugeriu que o horário fosse modificado para o meio-dia, o que possibilitou a participação de muitos funcionários do prédio, os quais, durante o período em que monsenhor Vital esteve internado, permaneceram em constante oração pelo capelão.

De acordo com padre Vicente, “a comunidade que participa da santa missa na capela sente muita falta dele. Porém, precisamos ter a consciência de que, ainda que ele tenha o grande desejo de retornar, o corpo já não responde mais. Isso tem sido muito difícil para ele. Uma frase que eu usaria para definir o monsenhor Vital seria: “Eis-me aqui, Senhor”, porque ele sempre está disponível para atender a todas as necessidades da Igreja”, exclamou. 

Foto: Carlos Moioli

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