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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 23/10/2018

23 de Outubro de 2018

Seminaristas da Arquidiocese do Rio participam de missão no Xingu

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23 de Outubro de 2018

Seminaristas da Arquidiocese do Rio participam de missão no Xingu

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08/02/2018 14:15 - Atualizado em 08/02/2018 14:15
Por: Priscila Xavier / Symone Matias

Seminaristas da Arquidiocese do Rio participam de missão no Xingu 0

Engana-se quem pensa que durante o período de férias os seminaristas encontram-se no aconchego de seus lares. Para quem almeja o sacerdócio, as férias são mais uma oportunidade de preparação e de serviço a Deus através dos irmãos. Muitos aproveitam o tempo e se ‘aventuram’ em diversos trabalhos sociais, paroquiais e pastorais. Dois deles, Rodrigo Brum e Nilton Maria decidiram dar um passo a mais.

Durante um mês, entre os dias 19 de dezembro e 19 de janeiro, eles estiveram em missão na Prelazia do Xingu, um dos vários municípios do Estado do Pará que carecem de operários para o anúncio do Evangelho.

A decisão de seguir em missão surgiu a partir do desejo de Rodrigo em viver uma profunda experiência de avivamento da vocação. “Estava terminando o curso de filosofia, e queria viver uma experiência que reinflamasse meu chamado e me desse mais ardor na vocação. Manifestei essa vontade ao meu diretor espiritual, padre André Rodrigues, que me orientou a levar esse desejo até o prefeito de disciplina do seminário, padre Anderson Manoel dos Santos. Ele conversou com o Cardeal Orani João Tempesta, o qual me questionou se eu gostaria de seguir em missão. Foi o arcebispo quem escolheu essa região, e tivemos uma experiência incrível”, contou.

Vitória do Xingu

Na cidade, os seminaristas foram acolhidos pelo pároco da Igreja Nossa Senhora Auxílio dos Cristãos, em Vitória do Xingu, padre José Geraldo Magela Vidal – sacerdote missionário, incardinado na Arquidiocese de Mariana, e pela irmã Terezinha Maria Ribeiro, também em missão – amiga de Dom Orani desde a juventude. “Fizemos um trabalho voltado para a espiritualidade da juventude e os ajudamos na preparação para o Natal, através de um momento de adoração e um exame de consciência para a confissão. Além disso, visitamos as casas dos enfermos, levamos comida para os doentes e o seminarista Nilton trabalhou com as crianças na preparação de três músicas apresentadas durante a Missa de Natal”, contou.

Já no dia 31 de dezembro, os seminaristas, junto com o pároco, prepararam um lucernário. “Após a missa, fizemos um momento de ação de graças, agradecendo pelo ano que findou, seguido de um lucernário. Isso marcou muito aquele povo, eles nunca tinham ouvido falar nem participado de um momento como aqueles. Muitos se emocionaram. No dia primeiro de janeiro, rezamos o terço, pedindo paz naquela cidade, no estado e em todo o país”, disse.

Comprometimento e missão dos leigos

Ao todo, a pequena cidade de, aproximadamente, 15 mil habitantes, possui uma matriz, 36 capelas e um só padre. A longa distância de uma comunidade para outra e a ausência do clero na região chamou a atenção dos jovens. “Há diversas realidades rurais, ribeirinhas, além de comunidades dentro da zona urbana. Visitamos apenas nove capelas, devido aos poucos dias e também porque as atividades eram intensas, uma vez que o padre celebra em duas ou três comunidades urbanas, depois, de barco, ele segue para celebrar em uma área rural ou ribeirinha e, à noite, na matriz. Tudo para o povo não ficar sem missa. Existe uma carência de sacerdotes. São apenas nove padres diocesanos incardinados na prelazia e, por isso, não é possível acompanhar todas as pastorais, tal como aqui no Rio. O padre, sozinho, precisa cuidar de toda a cidade. Dessa forma, muitas comunidades são visitadas uma ou duas vezes por mês”, comentou Rodrigo.

Segundo o seminarista, é justamente nesta realidade que se destaca o trabalho realizado pelos leigos. “Se não fossem os leigos, a Igreja Católica deixaria de existir. Eles conduzem a comunidade, se reúnem para rezar o terço e partilhar a Palavra. O que chamamos de Círculos Bíblicos, lá eles chamam de Grupo dos Vizinhos. Quando chegamos, eles estavam estudando o documento da CNBB sobre o Ano do Laicato. Essa realidade foi muito forte para mim. Os paroquianos também são jovens comprometidos, interessados e que ‘vestem a camisa’ da Igreja”, ressaltou.

Ainda de acordo com Rodrigo, apesar do esforço do sacerdote e do trabalho dos leigos, a ausência de sacerdotes e missionários abre espaço para as demais religiões. “Visitamos algumas casas em que as pessoas estavam participando da igreja protestante, mas se afirmavam católicos e diziam que, por conta de não haver padres e igrejas próximas, eles buscavam as evangélicas para não ficarem sem a Palavra de Deus. Isso me tocou muito”, pontuou.

Brasil Novo

Depois de passarem 15 dias em missão no município de Vitória do Xingu, os seminaristas seguiram para outro município, chamado Brasil Novo, ainda na Prelazia do Xingu, onde chegaram no dia 2 de janeiro.  O seminarista Nilton permaneceu até o dia 13, e o seminarista Rodrigo até o dia 19.

Os jovens foram acolhidos no Seminário Propedêutico São João Maria Vianney e acompanhados pelo padre Romildo Maurício da Silva. “Essa foi uma experiência muito boa, porque pudemos conhecer outros seminaristas e trocar experiências. Da mesma forma que Cristo chama jovens para segui-Lo de perto aqui no Rio de Janeiro, também O faz na Prelazia do Xingu. Isso nos anima muito. Depois, esses seminaristas passarão pelo Seminário Maior, sendo o curso de filosofia em Santarém e teologia em Belém, porque a prelazia não tem estrutura para mantê-los”, explicou.

Em Brasil Novo, os jovens visitaram a Paróquia Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, administrada pelo padre Gilmar Dalcanale. “Era uma paróquia mais viva, com cerca de 40 capelas nas comunidades. O Grupo de Vizinhos era presente em mais bairros e em mais realidades. Participamos dessa missão junto com os seminaristas, e visitamos, apenas, a área urbana. A cada dois dias, ficávamos em um bairro, onde visitávamos casas e a realidade do povo. Isso foi muito bom, mesmo aquele não sendo um povo tão carente, tão materialmente quanto espiritualmente. Porém, é um povo que tem muita fé e sedento de Deus. Isso nos anima na vocação para darmos o nosso ‘sim’ com mais generosidade ao Senhor”, afirmou.

Missão: formação pastoral do sacerdote

Bispo da Prelazia do Xingu, Dom João Muniz Alves agradeceu o enviou dos missionários e incentivou que outros tantos também possam contribuir na evangelização da região. “Agradeço ao Cardeal Orani pelo envio dos jovens que, dessa forma, conheceram nossa realidade e se interessam pela área missionária. Essa é uma prelazia muito extensa e com muitos desafios pastorais, por isso, precisamos de missionários. Creio que os seminaristas já sentiram um pouco de nossa realidade. Que outros, também, se sintam sensibilizados e colaborem conosco na missão de evangelização nesta grande região”, incentivou.

Padre Romildo Maurício da Silva, que acompanhou os seminaristas durante a missão em Brasil Novo, ressaltou a importância da troca de experiências e a missão em si. “Foi um intercâmbio cultural e também religioso, estreitando os laços entre a Prelazia do Xingu e a Arquidiocese do Rio. Precisamos ser cada vez mais missionários ou não seremos nada. Foi muito importante a presença dos seminaristas na Prelazia do Xingu que, com seus jeitos missionários, puderam partilhar conosco suas experiências vivenciadas no seminário, através da academia, e colocando em prática aqui na missão na prelazia”, disse.

Além disso, o sacerdote também acentuou a relevância de continuidade de envio de missionários para a prelazia, o que contribui na formação pastoral dos futuros sacerdotes. “É de suma importância que essa troca de experiência entre os seminaristas continue para que haja um crescimento no quesito da formação pastoral, uma das dimensões pedidas a um seminarista. Precisamos ter a consciência de que a Igreja necessita de missionários dispostos a irem a todas as realidades existentes, ao encontro do ser humano. Assim, aprendemos com o nosso povo a sermos pastores atentos às necessidades das pessoas e, de modo particular, aos fiéis de nossa Igreja”, sublinhou.

Testemunhos

Depois de toda a experiência na Prelazia do Xingu, o seminarista Rodrigo Brum afirmou que aceitaria servir na região nos primeiros anos de ordenado. “Fiquei encantado por ver que, mesmo diante da carência espiritual do povo, devido ao baixo número de igrejas e sacerdotes, eles continuam firmes na fé. Isso me animou muito. Eu aceitaria servir durante os quatro ou cinco primeiros anos de meu sacerdócio naquela região, para ofertar as primícias de minha vocação sacerdotal. Iria com muita alegria e gratidão a Deus. Acredito que seria um momento de amadurecimento para mim, enquanto padre”, relatou.

Já Nilton Maria recordou que, antes da viagem, eles imaginavam que estariam levando Jesus às pessoas, mas no Xingu foram surpreendidos por Deus. “A missão no Xingu me ajudou a discernir melhor a vocação. Tive a oportunidade de conhecer comunidades fervorosas que, mesmo tendo a carência de padres, mantinham sua confiança em Deus. Não encontramos somente famílias católicas e receptivas, mas também famílias inteiras de evangélicos que nos abriram a porta de suas casas para podermos falar do amor de Jesus. E como foi bom, pois vimos que esses mostravam respeito por nós e nos falavam de suas dificuldades e anseios. Poderemos dizer que tivemos nosso momento de ecumenismo prático. Bendigo a Deus por isso. Quando saímos em missão, pensávamos que nós levaríamos o Cristo, mas percebemos que Ele já se encontrava na vida daquelas pessoas”, completou.

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