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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 19/07/2018

19 de Julho de 2018

Ajuda a Roraima

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16/04/2018 08:01 - Atualizado em 16/04/2018 08:01
Por: Nathalia Cardoso

Ajuda a Roraima 0

O arcebispo do Rio, Cardeal Orani João Tempesta, sensibilizado pelo pedido da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), enviou R$ 40 mil para a Diocese de Roraima como forma de demonstrar solidariedade com a situação em que o estado se encontra. O valor foi parte da coleta da Campanha da Fraternidade, que acontece anualmente no Domingo de Ramos.

O Estado de Roraima faz fronteira com a Venezuela. O país, governado por Nicolás Maduro, atualmente vive uma crise política, econômica e social que dificulta o acesso da população a serviços e produtos de necessidade básica, tais como alimentação e saúde.

“A solidariedade para com essas pessoas tem a ver com a proposta da Campanha da Fraternidade deste ano, porque não existe violência maior do que não ter comida na mesa ou não ter sequer a mesa para refeições”, afirmou a coordenadora do Centro de Migrações e Direitos Humanos (CMDH) da diocese, irmã Telma Lage.

Tendo em vista o panorama de seu país de origem, muitos venezuelanos encontram como alternativa o êxodo para países vizinhos. Um deles é o Brasil. Essa migração para o estado de Roraima vem ocorrendo desde 2015, segundo irmã Telma, mas teve seu auge em 2017.

Os venezuelanos entram pela cidade de Pacaraima e se alojam na capital, Boa Vista. Segundo o bispo de Roraima, Dom Mário Antônio da Silva, a estimativa da Prefeitura de Boa Vista e da Polícia Federal é de que já são 40 mil imigrantes na cidade e quase 60 mil em todo o estado. “Tem filas diárias de até 700 pessoas na fronteira entre o Brasil e a Venezuela”, pontuou.

Para ele, também é preocupante a incerteza sobre quanto tempo vai durar a situação e quantas pessoas ainda virão para o Brasil, tendo em vista a grande crise econômica, política e humanitária no país vizinho, que iniciou 2018 com inflação acima de 2 mil por cento.

IMPACTO

O bispo contou ainda que o impacto maior desse movimento migratório está sendo este ano, tendo em vista o grande número de pessoas que chegaram em pouco tempo. “A cidade de Boa Vista tem 320 mil habitantes. Sendo assim, 40 mil pessoas é mais de 10% da população”, apontou.

A situação, segundo ele, só evidencia os problemas já existentes no Brasil em relação à saúde, educação e moradia. “Torna-se, agora, um clamor na sociedade”, disse.

APOIO

Tendo em vista a situação de Roraima, a Comissão Episcopal Pastoral para o Enfrentamento ao Tráfico Humano (CEPEETH), da CNBB, realizou uma missão no local, no início de março, a fim de entender melhor a amplitude da situação e, em seguida, lançou uma campanha de apoio. Dioceses do Brasil inteiro têm se mobilizado e enviado doações.

“O que temos feito como Igreja, dentro de nossos limites, é nos mobilizar em grupos. Temos mais de 20 grupos atuando aqui para ajudar nessa questão. Existe ainda uma frente que atua juntamente com as pastorais sociais de nossa diocese na colaboração para a retirada de documentos dessas pessoas, entre outras ações assistenciais”, contou Dom Mário.

De acordo com ele e irmã Telma, a forma mais eficiente e mais rápida de ajudar é fazer doações em dinheiro, através da conta bancária da diocese – os dados da conta estão em um box dessa matéria. 

“Um desafio é fazer as doações chegarem. É muito longe da maioria dos lugares que enviam donativos e o transporte sai caro. No entanto, os que morarem perto ou tiverem parentes aqui podem enviar suas doações. Dentre outras coisas, precisamos muito de livros para as crianças aprenderem o idioma brasileiro”, explicou a coordenadora do CMDH.

A Pastoral Universitária, as pastorais sociais, paróquias e comunidades locais estão começando a se organizar para disponibilizar aulas de português para facilitar a comunicação dos que chegaram.

Agora, se formou também a Pastoral do Migante no local, devido à chegada das irmãs da Congregação das Missionárias de São Carlos, também conhecidos como carlistas ou scalabrinianas.

Entre outras coisas, a rede de apoio, formada por esses mais de 20 grupos atuantes no local, ajuda entregando alimentos, roupas e calçados aos migrantes. Também dá orientações e encaminhamentos, ajuda na regulamentação migratória, nos preenchimentos de formulários e tudo o mais que possa contribuir para amenizar a situação em que chegam.

MOBILIZAÇÃO NACIONAL

A Medida Provisória 823 da Casa Civil da Presidência da República, de 9 de março, destinou R$ 190 milhões ao Ministério da Defesa para assistência emergencial aos venezuelanos. Dom Mário contou que a verba será aplicada em programas de assistência aos refugiados em Roraima. O presidente Michel Temer já esteve no local, assim como alguns ministros, para estudar a situação.

“Tem muitos venezuelanos que conseguem pagar o aluguel de uma casa, que fica superlotada, mas não conseguem comprar o alimento. E queremos ajudar pelo menos nisso para que consigam condições mínimas de subsistência”, disse Dom Mário. “Cobramos, ainda, empenho por parte das autoridades para prover o que essas pessoas precisam, dentro dos direitos que têm e respeitando-as como seres humanos. Também temos feito, com a ajuda da Igreja do Brasil, inclusive da Arquidiocese do Rio de Janeiro, um trabalho de primeiros socorros para os que chegam. Usamos essas doações que recebemos de diversas dioceses do Brasil para tomar medidas emergenciais. Essas pessoas chegam desnutridas, com fome”, contou ainda.

A irmã Rosita Milesi, diretora do Instituto de Migrações e Direitos Humanos (IMDH), abriu recentemente um centro de atendimento a migrantes em Pacaraima. O IMDH é vinculado à Congregação das Irmãs Scalabrinianas e atua em parceria com várias organizações da sociedade. “Apoiamos a paróquia na distribuição de café da manhã aos migrantes, na Paróquia Sagrado Coração de Jesus, em Pacaraima, cidade de fronteira com a Venezuela. Nós, junto com a paróquia, abrimos o centro de atendimento, que também tem outras atividades”, contou.

GRUPOS SOLIDÁRIOS

Em Boa Vista, o IMDH tem um projeto chamado “IMDH Solidário”: um serviço aberto, recentemente, para atendimento a mulheres e crianças. “Além disso, apoiamos atividades da Paróquia da Consolata, em Boa Vista. Essa paróquia tem um trabalho fantástico de atendimento a esses migrantes. Por iniciativa dos paroquianos oferece jantar para aproximadamente 300 migrantes quatro vezes por semana. Tudo ocorre com doações”, afirmou a religiosa.

Ela foi uma das fundadoras da Pastoral do Migrante na Diocese de Roraima.

Já irmã Telma atua como coordenadora do CMDH desde 2015, quando o então bispo diocesano, Dom Roque Paloschi, a convidou a assumir a função. Ela é consagrada da Congregação Missionária de Nossa Senhora das Dores.

“Esse trabalho é fruto da realidade e da necessidade. Não estávamos preparados para isso, mas respondemos não pela caridade, mas sim, pela humanidade. Aqui eu vi coisas que nunca tinha visto em outros lugares e nunca imaginei que pudessem acontecer. Vi adultos morrerem de desnutrição e crianças de quatro anos caminharem mais de 200 quilômetros. São questões muito graves que afrontam diretamente a dignidade humana. Para nós, é um desafio, mas sentimos que a graça vem superando todos esses desafios. Onde o desafio aparece, a graça, com certeza, é muito maior”, contou ela.

A religiosa também é uma migrante: é originária do estado de Minas Gerais, mas já morou em outros estados, como o Rio de Janeiro.

“Aqui em Roraima, por exemplo, apenas os indígenas são originários deste local. Às vezes, queremos ser donos de algo que nem é nosso. O grito da terra e o grito dos pobres, como diz o Papa Francisco, é um grito só. E não podemos falhar ou continuar falhando em prover aquilo que essas pessoas vêm buscar aqui: a segurança e a dignidade de serem reconhecidas como pessoas”, pontuou.

CÁRITAS RIO

Cândido Feliciano, diretor da Cáritas Rio, contou que a doação feita pela Arquidiocese do Rio para a Diocese de Roraima foi um ato simbólico e uma demonstração de apoio.

“A situação dos venezuelanos em Roraima, do ponto de vista humanitário, é gravíssima. Muito mais grave que a dos refugiados que estão no Rio. A população de venezuelanos na região corresponde a mais de 10% da população da capital. E essas pessoas estão sem condições mínimas de sobrevivência: estão dormindo nas ruas, sem alimentação, sem condições mínimas de higiene, sujeitas a doenças. E a estrutura do estado é pouca. Se nós aqui temos dificuldades, imaginemos o drama que os venezuelanos e os brasileiros de Roraima estão vivendo neste momento”, apontou.

No dia 24 de março, na Casa Civil da Presidência da República, houve uma reunião de instituições da sociedade civil com o governo da Organização das Nações Unidas (ONU) para buscar caminhos para aliviar o número de venezuelanos da região através de um projeto de internalização desses migrantes. Isso significa que eles serão enviados para outros estados brasileiros a fim de minimizar os impactos em Roraima.

“A Arquidiocese do Rio de Janeiro está estudando a possibilidade de ter um local de abrigo para eles na cidade do Rio”, contou Cândido.

Hoje, no Rio, quase 400 venezuelanos já entraram em contato com a Cáritas para pedir refúgio. A instituição oferece a possibilidade de estudo da língua portuguesa e ajuda a encontrar oportunidades de trabalho. Uma parceria da Cáritas com o Banco do Brasil e a Cisco – empresa de informática especializada em Tecnologia da Informática (TI) e redes – permite a alguns venezuelanos o estudo de cursos intensivos para facilitar a entrada deles no mercado de trabalho.

“Todas as situações às quais essas pessoas estão expostas são formas de violência; é violência a maneira como estão vivendo, é violência quando recebem seus pagamentos de maneira vil – porque isso é exploração humana – e é violência não terem as condições básicas à dignidade humana. Porém, é um momento de crise extremamente diferenciado. O que temos feito é buscar soluções mais imediatas para que essa situação seja descontinuada”, afirmou o diretor.

Doações

As informações da conta bancária da Diocese de Roraima para doações são:

Banco do Brasil

CNPJ 05.936.794/0001-13

Agência: 2617-4

Conta corrente: 20.355-6

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