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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 21/09/2018

21 de Setembro de 2018

‘A construção da cultura da paz começa com pequenos gestos’

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16/04/2018 11:20 - Atualizado em 16/04/2018 11:20
Por: Nathalia Cardoso / Fátima Lima

‘A construção da cultura da paz começa com pequenos gestos’ 0

Pastas de dente, sabonetes, escovas de dente e o folheto “A Missa”. Com uma pequena contribuição, é possível devolver o sorriso de um encarcerado. A campanha “Doe um Sorriso” acontece até o dia de Corpus Christi, 31 de maio, e as doações podem ser entregues em todas as paróquias do Rio, na Catedral Metropolitana de São Sebastião ou nas sedes dos vicariatos, e serão encaminhadas pela Arquidiocese do Rio aos presídios da cidade.

O bispo referencial para a Caridade Social, Dom Joel Portella Amado, contou que a campanha foi motivada em partes pelo tema da Campanha da Fraternidade deste ano, que chamava à construção de uma “cultura da paz” e à superação da violência. O Vicariato para a Caridade Social realiza ações sociais com os encarcerados há mais de 40 anos. Mas dessa vez, o destaque é para a doação de produtos de higiene básica e da Palavra de Deus àqueles que se encontram encarcerados.

“O que queremos provar é que todo mundo pode participar dessa campanha doando um mínimo, e que não existem só aqueles que dizem que ‘bandido bom é bandido morto’. Todo mundo pode colaborar com o sorriso de um preso, com a alegria que sentem ao serem reconhecidos e valorizados”, apontou Dom Joel.

Ele afirmou que a higiene é condição de humanidade. “Até um animal sujo fica inquieto, quanto mais o ser humano. E esse é o mais simples e mais básico que podemos dar, considerando-se a pessoa do preso, que ao fazer a higiene recupera parte de sua identidade”, apontou.

O fato de os preços desses produtos serem baixos permite que todos participem. É possível doar um kit com todos ou mesmo os produtos isoladamente.

“O que existe nesses objetos que doamos é a prova de que sem gasto ou com um gasto baixíssimo podemos ajudar. Em um mundo que muitas pessoas pensam que só se podem dar surras e morte, começaremos com algo pequeno, mostrando que no pequeno podemos conseguir muita coisa. E se a pessoa não puder doar o kit inteiro, a prioridade é a pasta de dente”, incentivou Dom Joel.

Situação no Rio

O Ministério Público apontou em 2017 que 51.511 pessoas estão presas no Rio de Janeiro, apesar de haverem apenas 28.688 mil vagas. Dos 45 presídios existentes no estado, 33 operam acima das possibilidades.

Em dezembro de 2013, havia 33.627 presos no território fluminense. No mesmo mês de 2016, já eram 50.482. No entanto, o número de vagas não aumentou muito: passou de 27.069 para 27.242.

Dom Joel afirmou que a Campanha da Fraternidade precisa se estender além do período da Quaresma. “Ela é campanha no momento forte, mas a proposta deve permanecer. Precisamos dar atenção evangelizadora e evangélica ao mundo do cárcere”, pontuou.

Segundo ele, é preciso olhar para a pessoa do encarcerado e ver Jesus.

“Às vezes, ouvimos as pessoas falando sobre os direitos humanos e questionando sobre o direito da vítima. E é por causa do direito da vítima que se pensa no direito do outro. Porque se um preso provocou um mal a alguém e está ali para se recuperar disso, ele precisa ser lembrado de que todo ser humano tem uma dignidade. E se ele for lembrado e interiorizar isso, vai querer agir diferente porque vai se colocar no lugar da vítima”, apontou o vigário episcopal para a Caridade Social, cônego Manuel Manangão.

Olhar de misericórdia

O Papa Francisco, na Quinta-Feira Santa deste ano, celebrou a missa de Lava-pés no presídio Regina Coeli, em Roma. Esta não é a primeira vez que o Sumo Pontífice a realiza, chamando a atenção para a situação das pessoas que se encontram no cárcere e para a necessidade de um olhar misericordioso para aqueles que sofrem.

Em 2016, a Igreja celebrou o Ano da Misericórdia e, como parte das atividades, houve o Jubileu dos Presos. Na ocasião, Papa Francisco presidiu a Eucaristia para dos encarcerados na Basílica São Pedro, no Vaticano.

Na ocasião, convidou os cristãos a terem um olhar misericordioso para com aquele que cometeu um erro: “Onde há uma pessoa que errou, aí mesmo se torna ainda mais presente a misericórdia do Pai, para suscitar arrependimento, perdão, reconciliação”, exortou o Santa Padre.

Segundo ele, todo ser humano é pecador e merece o perdão de Deus. Da mesma forma aqueles que cometeram crimes. “O ladrão arrependido, crucificado juntamente com Jesus, acompanhou-O até ao paraíso. Por isso, nenhum de vós se feche no passado”, aconselhou ele em sua homilia. “Às vezes, uma certa hipocrisia impele a ver em vós apenas pessoas que erraram, para quem a única estrada é o cárcere. Não se pensa na possibilidade de mudar de vida; há pouca confiança na reabilitação. Mas, assim, esquece-se que todos somos pecadores e, muitas vezes, também somos prisioneiros sem nos dar conta”, disse ainda.

Como doar

A campanha é composta de duas propostas: a doação dos produtos de higiene básica – pasta de dente, sabonete e escova de dente – e do folheto “A Missa”.

Os produtos de higiene podem ser de qualquer marca e o sabonete não precisa ser translúcido. Segundo o cônego Manangão, quando ele não é transparente, os agentes penitenciários o partem em quatro partes e isso elimina a possibilidade de haver algo escondido no sabonete, além de servir a mais pessoas. A única ressalva é que não sejam feitos embrulhos ou pacotes, que sejam entregues apenas os produtos.

Já a doação dos folhetos conta com a devolução destes ao final da missa. Depois, a paróquia os encaminha para a sede do vicariato.

A cada semana são separados 500 folhetos na arquidiocese para a Pastoral Carcerária. No entanto, o número de presos ultrapassa os 50 mil. “Os agentes, então, rezam e pegam o folheto de volta. E aqueles que participam dos momentos de oração, muitas vezes, querem levar consigo o folheto”, contou Dom Joel. Segundo cônego Manangão, ele “é um alimento espiritual”.

Dom Joel explicou que a Festa de Corpus Christi é um momento em que se oferecem alimentos àqueles que necessitam; é um período de comunhão, portanto, propício para essas doações.

Estender a mão

Cônego Manangão ressaltou a importância de todas as paróquias terem a Pastoral Carcerária, porque é um ato de solidariedade para com aqueles que têm familiares ou amigos que possam ter passado pelo sistema carcerário ou estejam encarcerados.

“Além das necessidades físicas e humanas, há necessidade espiritual. É importante refazer os corações e ajudar as pessoas a se reconstruírem. É o que tentamos fazer hoje. Há uma espécie de raiva contra aquele que cometeu um crime. Mas está faltando um pouco de misericórdia e compreensão do que levou a pessoa a tal situação. Falta acolhimento, solidariedade e presença”, apontou o cônego Manangão.

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