Arquidiocese do Rio de Janeiro

26º 17º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 25/05/2018

25 de Maio de 2018

A presença no Rio da Ordem do Santo Sepulcro

Enviando...
Por favor, preencha os campos adequadamente.
Ocorreu um erro no envio do e-mail.
E-mail enviado com sucesso.

25 de Maio de 2018

A presença no Rio da Ordem do Santo Sepulcro

Se você encontrou erro neste texto ou nesta página, por favor preencha os campos abaixo. O link da página será enviado automaticamente a ArqRio.

Enviando...
Por favor, preencha os campos adequadamente.
Ocorreu um erro no envio do erro.
Erro relatado com sucesso, obrigado.

11/05/2018 13:32 - Atualizado em 11/05/2018 13:32
Por: Da redação

A presença no Rio da Ordem do Santo Sepulcro 0

A Ordem Equestre do Santo Sepulcro de Jerusalém, criada com o propósito de suprir as necessidades do Patriarcado Latino de Jerusalém e de sustentar a atividade e as iniciativas em favor da presença cristã na Terra Santa, está presente na Arquidiocese do Rio de Janeiro, cujo grão-prior é o arcebispo, Cardeal Orani João Tempesta. Para conhecer melhor essa instituição quase milenar, o Jornal Testemunho de Fé entrevistou o prior da Ordem no Rio de Janeiro, monsenhor André Sampaio de Oliveira, que também exerce na arquidiocese o oficio de pároco da Paróquia Nossa Senhora da Misericórdia, para os fiéis da língua inglesa.

Testemunho de Fé (TF) – Quando a Ordem começou no Brasil e no Rio de Janeiro?

Monsenhor André Sampaio de Oliveira – A Ordem começou no Brasil no ano de 1959, em São Paulo. Na Cidade Maravilhosa, a Lugar-tenência do Rio de Janeiro foi instituída em 1988. Por ‘Lugar-tenência’ entende-se uma divisão administrativa local da Ordem. A Ordem tem caráter mundial, estando presente em cerca de 40 nações e contando com cerca de 30 mil cavaleiros e damas espalhados pelo mundo.

TF – Como é a estrutura da Ordem no Rio?

Monsenhor André Sampaio – Localmente, a presença da Ordem se organiza por meio dessa estrutura chamada de Lugar-tenência, sob a direção de um lugar-tenente nomeado pelo cardeal grão-mestre, o qual dirige, em nome do Papa, a Ordem, contando para isso com o auxílio de um conselho denominado Grão-Magistério e de um colégio de consultores chamado Consulta. A palavra ‘lugar-tenente’ provém do latim locum tenens, ou seja, ‘aquele que tem ou ocupa o lugar de outra pessoa’, ou seja, o lugar-tenente ocupa o lugar do grão-mestre no governo local da Ordem (aquilo que o grão-mestre realiza a nível mundial, o lugar-tenente realiza em nível local por delegação do grão-mestre).

TF – Quantos membros existem no Brasil?

Monsenhor André Sampaio – No Brasil, existem hoje duas Lugar-tenências, a do Rio de Janeiro e a de São Paulo, além de uma Delegação Magistral (estrutura menor que de uma Lugar-tenência, para locais em que ainda se está consolidando a Ordem). No Brasil, existem cerca de 200 membros (não sabemos dar o número exato, pois precisaríamos saber quantos membros ativos existem hoje em São Paulo e na Bahia).

TF – E no Rio, quantos membros existem?

Monsenhor André Sampaio – Na Lugar-tenência do Rio de Janeiro, somos atualmente 103 membros (68 cavaleiros, 31 damas e quatro membros do clero), sendo a maioria residente na cidade do Rio de Janeiro. Porém, como a área territorial da Lugar-tenência do Rio de Janeiro abrange quase todo o Brasil (com exceção do Estado de São Paulo e do Estado da Bahia), alguns dos membros da Lugar-tenência do Rio de Janeiro são residentes no interior do Estado do Rio de Janeiro ou em outros estados, como Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Distrito Federal e Ceará.

TF – No Rio, quantos membros são clérigos e quantos são leigos?

Monsenhor André Sampaio – Os membros do clero são minoria, pois a Ordem é, principalmente, uma instituição para católicos leigos, isto é, católicos que não são membros do clero. Atualmente, na Lugar-tenência do Rio de Janeiro contamos com quatro membros do clero, sendo um cardeal arcebispo (o cardeal arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani João Tempesta) e três padres (todos os três padres são monsenhores). Em maio deste ano de 2018, serão investidos como cavaleiros mais dois padres.

TF – Quais são os países que compõem a Terra Santa?

Monsenhor André Sampaio – A área da chamada Terra Santa (para efeitos das ações religiosas, sociais e caritativas custeadas pela Ordem do mundo todo) abrange os seguintes países: 1. Israel; 2. Palestina; 3. Jordânia; 4. Chipre. Como se pode ver, nossa atuação abrange também o Chipre, que tradicionalmente não estaria inserido naquilo que se chama ‘Terra Santa’, isto é, Israel, Palestina e Jordânia. Corresponde à área atendida pelo Patriarcado Latino de Jerusalém, a diocese católica para os fiéis de rito latino da Terra Santa.

TF – Pode especificar a presença e redução dos católicos na Terra Santa em números?

Monsenhor André Sampaio – Na verdade, a redução é do número de cristãos em geral, especialmente em virtude de emigração, católicos aí incluídos. Atualmente, os cristãos na Terra Santa correspondem apenas a 2% a 3% da população local, aí incluídos cristãos católicos, ortodoxos e protestantes.

TF – Quais são as palavras ditas na investidura?

Monsenhor André Sampaio – O celebrante, no momento da investidura, diz à pessoa que será investida: “Em virtude do mandato que recebi, faço-te e proclamo-te Cavaleiro (ou Dama) do Santo Sepulcro de Nosso Senhor Jesus Cristo”. Se for um cavaleiro sendo investido, o celebrante toca nos ombros do cavaleiro com a espada e completa a fórmula dizendo: “Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”. Se for uma dama sendo investida, a espada é trocada pelo livro do Evangelho, apoiado sobre a cabeça da Dama. Recorde-se que o título de Cavaleiro ou Dama do Santo Sepulcro de Jerusalém, por ser concedido pela Santa Sé (e recordando que o Papa é um monarca), assemelha-se, por exemplo, ao título de Sir ou Lady conferido pela Rainha da Inglaterra enquanto monarca do Reino Unido”.

TF – Quais são os deveres e atribuições dos membros?

Monsenhor André Sampaio – Em sua vida pessoal, os membros devem buscar a prática da vida cristã, em fidelidade ao Supremo Pontífice e aos ensinamentos da Igreja Católica; viver e estimular a prática da caridade; sustentar e ajudar as obras e as instituições culturais, caritativas e sociais da Igreja Católica na Terra Santa, particularmente as do Patriarcado Latino de Jerusalém, com o qual a Ordem mantém laços tradicionais; zelar pela conservação e propagação da fé católica, especialmente na Terra Santa, com o envolvimento dos católicos do mundo inteiro, unidos na caridade e no símbolo da Ordem; sustentar os direitos da Igreja Católica na Terra Santa.

TF – Os membros podem participar de outras ordens?

Monsenhor André Sampaio – Os membros da Ordem só não podem tomar parte em organizações, entidades e associações cujas características ou programas estejam em contradição com a doutrina e o ensinamento da Igreja Católica. Não podem, igualmente, participar de pretensas ordens ou instituições que não sejam reconhecidas pela Santa Sé ou concedidas por Estados soberanos.

TF – Qual é a diferença, de forma simples, de uma Irmandade para a Ordem?

Monsenhor André Sampaio – Tanto as Irmandades como a Ordem do Santo Sepulcro de Jerusalém podem ser classificadas, pelo sistema jurídico da Igreja Católica (Direito Canônico), como associações públicas de fiéis católicos. Nisso está o ponto de contato entre elas. A diferença está em que as Irmandades constituem associações públicas locais de fiéis católicos, em geral criadas por ato do bispo local. Já a Ordem do Santo Sepulcro de Jerusalém é uma associação pública internacional de fiéis católicos, ou seja, extrapola o âmbito meramente local, em razão de sua atuação internacional, sendo criada pela própria Santa Sé e não meramente pelo bispo local.

TF – Qual é a diferença entre a Ordem de Malta e a Ordem do Santo Sepulcro?

Monsenhor André Sampaio – A Ordem Soberana Militar e Hospitalária de São João de Jerusalém de Rodes e de Malta (abreviadamente, Ordem de Malta) é uma Ordem surgida também na Idade Média, no século XI (como a nossa), que estabeleceu um hospital em Jerusalém (misto de hospedaria e lugar de cuidado com os enfermos) para cuidar dos peregrinos que se destinavam à Terra Santa, sendo reconhecida no ano de 1113 pelo Papa Pascal II como uma Ordem religiosa leiga. Posteriormente, a Ordem de Malta também assumiu funções militares de proteção aos peregrinos da Terra Santa, tal como a Ordem dos Cavaleiros do Santo Sepulcro de Jerusalém. Hoje, a Ordem de Malta, assim como a Ordem do Santo Sepulcro de Jerusalém, dedica-se somente a atividades religiosas, sociais e caritativas. Somente essas duas ordens de cavalaria (a Ordem de Malta e a Ordem do Santo Sepulcro de Jerusalém) são reconhecidas pela Santa Sé.

A Ordem de Malta está presente em cerca de 120 países, com cerca de 13,5 mil membros, a Ordem do Santo Sepulcro de Jerusalém está presente em cerca de 40 países e possui cerca de 30 mil membros.

A Ordem de Malta, como o nome indica, é soberana, não sendo dependente da Santa Sé, enquanto a Ordem do Santo Sepulcro de Jerusalém é diretamente dependente da Santa Sé.

Leia os comentários

Deixe seu comentário

Resposta ao comentário de:

Enviando...
Por favor, preencha os campos adequadamente.
Ocorreu um erro no envio do comentário.
Comentário enviado para aprovação.