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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 21/07/2019

21 de Julho de 2019

Cuidados paliativos: por quê e como?

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21 de Julho de 2019

Cuidados paliativos: por quê e como?

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03/05/2019 15:32 - Atualizado em 03/05/2019 15:32
Por: Flávia Muniz

Cuidados paliativos: por quê e como? 0

A Pontifícia Academia para a Vida e a Arquidiocese do Rio de Janeiro realizarão o Congresso Latino-Americano sobre Cuidados Paliativos, entre os dias 25 e 30 de maio. Em uma série especial sobre o tema e em preparação ao congresso, a Rádio Catedral FM 106,7 está abordando as várias dimensões deste assunto, todas as quartas-feiras do mês de maio, às 18h10, no programa "Especial Cuidados Paliativos", com apresentação de Fátima Lima. Entre as perspectivas contempladas estão as dimensões ética e pastoral.

Foram convidados para tratar desses tópicos os bispos auxiliares Dom Joel Portella Amado e Dom Paulo Celso Dias do Nascimento, o presidente da Academia Fides e Ratio - Fé e Razão - da Arquidiocese, padre Aníbal Gil Lopes, o professor de Cultura Religiosa do Departamento de Teologia da PUC-Rio, André Marcelo Machado Soares, e o vigário episcopal para a Caridade Social, monsenhor Manuel Manangão. Todos integram a comissão organizadora do congresso.

Definições

A Organização Mundial de Saúde (OMS) define cuidados paliativos como “assistência promovida por uma equipe multidisciplinar, que objetiva a melhoria da qualidade de vida do paciente e seus familiares, diante de uma doença ou agravo que ameace a continuidade da vida, por meio da prevenção e alívio do sofrimento, da identificação precoce, avaliação impecável e tratamento de dor e demais sintomas físicos, sociais, psicológicos e espirituais" (segundo a definição de 2002, revisada e reiterada em 2014).

Tendo em vista o caráter multidisciplinar e, nesse sentido, abranger também a assistência espiritual, os cuidados paliativos preveem, necessariamente, a convivência e interação entre profissionais de diversas áreas do conhecimento e agentes ligados à confissão religiosa do paciente.

Isso implica, obrigatoriamente, a compreensão e o respeito aos limites éticos da atuação de cada profissional e agente, em seus respectivos campos, como explicou André Marcelo, formado em filosofia e teologia:

"Os cuidados paliativos não estão relacionados diretamente com a medicina, todavia estão relacionados com uma série de profissionais da saúde, sendo multiprofissional. Portanto, o cuidado paliativo pensado apenas do ponto de vista da medicina ou da enfermagem não está, de fato, sendo compreendido na sua essência. E envolve preocupações éticas, por exemplo, quando e como iniciá-los. Essas questões vêm sendo debatidas num arco de pelo menos 50 anos no mundo inteiro", esclareceu Soares, que é pós-doutor em bioética e ética biomédica, pela UFRJ, e é também membro da Academia Fé e Razão.

Distinguir sempre

Valendo-se do princípio distingue semper, ou seja, distinguir sempre,o professor André Marcelo postulou que "num debate sobre cuidados paliativos estão embutidos o problema da morte, o alcance da medicina e o sistema de saúde, então, na verdade, são três debates. Objetivamente, poderíamos dizer que não existem princípios éticos norteadores dos cuidados paliativos, mas alguns princípios de aplicação dos cuidados paliativos, restritos aos profissionais de saúde. O princípio primário é a tentativa do alívio da dor. A partir daí, o enfrentamento da morte como um processo", disse ele.

Da eutanásia à manutenção da vida

Para o vigário episcopal para a Caridade Social, monsenhor Manuel Manangão, há uma dificuldade de lidar com a realidade da dor e do sofrimento e da morte iminente:

"Creio que não haja um padre em nossa arquidiocese que já não tivesse se deparado com essa realidade. E surgem muitas questões que criam situações muito confusas. Nosso povo se enxerga no padrão 'menino do Rio', 'sarado', forte, sem grandes dificuldades, embora a dor e o sofrimento sejam permanentes aspectos das vidas das pessoas", disse Manangão. Ele contou o caso de um rapaz que interpelou um padre sobre a possibilidade de - livremente - desistir de qualquer tratamento, já que os médicos já o tinham desenganado:

"A pergunta que ele fez foi: 'padre, eu posso desistir de buscar qualquer tratamento? Isso é buscar morrer?' Instalou-se uma grande dificuldade, para ambas as partes; não é todo dia que nos deparamos com uma realidade dessa. Demos a ele alguns exemplos de dentro da própria Igreja, como o Papa João Paulo II, que, diante do avanço de sua doença, deixou claro não querer nada além do que pudesse ser feito para garantir a qualidade de vida possível, sem procedimentos para prolongar sua vida", disse o monsenhor.

Porém, segundo Manangão, há também a luta da família por querer manter uma pessoa junto de si, quando esta já não estará por muito tempo: "Temos que também preparar a família para essa morte que está para acontecer. Essas questões nos colocam diante do 'como fazer isso?'. Como se chegar a esse equilíbrio, diante do fato de se evitar a eutanásia e passar a trabalhar com um outro conceito? E essa realidade, ainda que seja de um nível mais acadêmico, terá que passar pela catequese, pela formação pastoral", concluiu.

A cura pastoral

De acordo com o bispo referencial para a Caridade Social arquidiocesana, Dom Joel Portella, para a Igreja, este é um tema crucial, "porque cuidados paliativos começam quando não há mais cura, então vislumbra-se - a médio, longo ou curto prazo - a morte. Portanto, coloca-se aí, já de princípio, a questão da vida eterna, a partida para a eternidade; e em segundo lugar, a questão da gratuidade do espírito de serviço, diante de alguém que não vamos recuperar para esta vida, mas que ajudaremos a fazer a passagem para a vida eterna. Assim, pela situação mesma de quem vive essa realidade, é aí onde a Igreja encontra a sua identidade muito profunda", explicou Dom Joel.

Capelão por mais de dez anos no Hospital Quinta d'Or, em São Cristóvão, o bispo referencial da Pastoral da Saúde, Dom Paulo Celso Dias, deu o seu testemunho de como a assistência espiritual e pastoral junto aos enfermos concretiza, em todos os envolvidos, a ação multiforme da graça de Deus.

"Houve um enfermo que ficou conosco por 11 anos. Ao estar diante dele, eu o via como um sacrário vivo, porque era para mim como o próprio Cristo, enfermo, por tantos anos, ali. Nesse ínterim, quantas graças a família recebeu a partir dessas visitas àquele paciente que não saía daquela cama. Ele se tornou um canal e transmitiu tantas bênçãos que, nesse período, a esposa superou um câncer; a filha se formou; muitos profissionais que cuidaram dele e eram técnicos de enfermagem formaram-se enfermeiros e até o capelão, depois, tornou-se bispo (risos). Agora, ele já está no céu. Porém, isso revela que - por causa dessa mentalidade do descartável, de não querermos ter trabalho com um doente - nós não imaginamos quantas bênçãos são derramadas quando cuidamos de um enfermo, graças que o mundo todo recebe", declarou Dom Paulo Celso.

Congresso

O programa "Especial: Cuidados Paliativos" vai ao ar todas as quartas-feiras do mês de maio, pela Rádio Catedral FM 106,7, abordando temas que serão apresentados no Congresso Latino-Americano de Cuidados Paliativos, dirigido a diversos públicos-alvos, desde profissionais de saúde, a ministros religiosos, incluindo seminaristas, religiosos e religiosas que prestam esses cuidados, além de agentes leigos e todos os que se interessam pelo tema ou que atuam em atividades afins. De 25 a 26, na Catedral Metropolitana, para seminaristas e agentes de pastorais; de 27 a 30, as conferências serão no auditório nobre, que fica no 2º andar do Edifício São João Paulo II, e serão voltadas para os profissionais de saúde, bispos e ministros religiosos de quaisquer confissões.

O evento conta com o apoio da Conferência Nacional dos Bispos dos Brasil (CNBB) e do Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam), da PUC-Rio, da Academia Brasileira de Medicina de Reabilitação e da Academia Nacional de Cuidados Paliativos.

As inscrições já podem ser feitas pelo site www.paliativosrio2019.com.br até o dia 15 de maio.  


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