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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 31/10/2020

31 de Outubro de 2020

O Cristo Redentor e a fraternidade universal

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31 de Outubro de 2020

O Cristo Redentor e a fraternidade universal

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13/10/2020 11:50
Por: Redação

O Cristo Redentor e a fraternidade universal 0

"A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida". Em sua nova Encíclica, Fratelli Tutti, sobre a fraternidade e a amizade social, o Papa Francisco cita este trecho do Samba da Bênção, de Vinicius de Moraes, composta em parceria com o violonista Baden Powell. Com a citação do poeta carioca, o Papa Francisco fala sobre a necessidade de fazer crescer a ‘cultura do encontro’, baseada na atitude do próprio Jesus nos evangelhos, para superar as diferenças na sociedade e realizar o projeto de sermos todos irmãos e irmãs, filhos do mesmo Pai nosso que está no céu (cf. Mt 6,9). Os encontros de Jesus eram verdadeiros, o Mestre sentia compaixão pelas pessoas, era capaz de sentir o seu sofrimento, como nos ensinou na parábola do Bom Samaritano: Vai, e também tu, faze o mesmo ( Lc 10,37). O Papa Francisco nos mostra que podemos aprender sementes do Evangelho de todas as pessoas, ninguém é inútil, ninguém é supérfluo (FT n. 215). Neste caso, Vinicius de Moraes soube viver em sua própria vida a cultura do encontro, nos ensinando muito sobre a amizade em suas parcerias com Tom Jobim, Toquinho, João Gilberto, Baden Powell, Carlos Lyra e Chico Buarque. O Samba da Bênção diz que "é melhor ser alegre que ser triste, alegria é a melhor coisa que existe, é assim como a luz no coração". Como esquecer, ao ler estes versos, que Jesus é a luz do mundo (cf.Jo 8,12), a fonte da nossa alegria? A alegria é um tema fundamental nos documentos do Papa Francisco, que nos falam sobre a alegria do Evangelho, a alegria do amor, a alegria da fé, a alegria da Criação, a alegria da santidade e agora sobre a alegria da fraternidade. Neste sentido, a amizade é fundamental para a realização e a felicidade do ser humano. Como ensina a Sagrada Escritura, quem encontrou um amigo, descobriu um tesouro (Eclo 6,14), especialmente se este amigo é o Deus que se fez homem, Jesus, o Cristo Redentor.

Vinicius de Moraes, formado no Colégio Santo Inácio, católico por formação, conhecia esta realidade como por apalpadelas, e escreveu que "o bom samba é uma forma de oração". De certa forma, como ensinava Santo Agostinho, a música o aproximava de Deus. As canções da Bossa Nova, como sua Carta ao Tom 74, reverenciavam a mística da estátua do Cristo Redentor. Na Encíclica Fratelli Tutti, o Papa Francisco ensina que "falar de cultura do encontro significa que nos apaixona, como povo, querer encontrar-nos, procurar pontos de contato, lançar pontes, projetar algo que envolva a todos" (FT n.216), como a estátua do Cristo Redentor. O monumento do Monte Corcovado, ao atrair a paixão de pessoas do mundo inteiro, nos permite dialogar com a pessoa e com a obra de homens como Vinicius de Moraes, que no seu Soneto de Fidelidade falava do amor que pode ser passageiro. "Eu possa dizer do amor (que tive): Que não seja imortal, posto que é chama mas que seja infinito enquanto dure". Na verdade, no Cristo Redentor, o poeta já havia encontrado o amor que não passa, a chama da sarça ardente que não se consome, o amor infinito que dura para sempre, porque é o próprio Deus (cf. 1 Jo 4,8). A partir do encontro com Jesus, ganhamos "um coração sem fronteiras, capaz de superar as distâncias de proveniência, nacionalidade, cor ou religião (FT n.3). O amor de Deus, encarnado no Cristo Redentor, nos conduz à fraternidade universal.

"Ponha um pouco de amor numa cadência, e vai ver que ninguém no mundo vence a beleza que tem um samba, não", escreveu Vinicius. A Encíclica Fratelli Tutti não pretende resumir toda a doutrina sobre o amor fraterno, mas busca "fazer renascer, entre todos, um anseio mundial de fraternidade" (FT n.8). Por isso o documento se dirige não apenas aos católicos, mas a todas as pessoas de boa vontade. O Santo Padre nos lembra que a pandemia do novo coronavírus tem nos mostrado que os seres humanos foram criados com igual dignidade, e que todos sofremos e morremos, independente da crença, da raça, do status ou da condição social. Porém, ao mesmo tempo que a pandemia demonstra como todos os países e as pessoas estão interligadas, a reação de cada nação ao Covid-19 revela como o mundo está fragmentado, necessitando de uma fraternidade universal que nos permita agir em conjunto (cf. FT n.7).A inspiração do Papa Francisco, assim como na Encíclica Laudato Si’, surge da vida de São Francisco de Assis, o patrono da natureza e dos pobres, que soube viver como ninguém o amor a Deus, o amor a terra e o amor ao próximo. O Santo Padre se baseia na visita de São Francisco ao Sultão Malik Al-Kamil, no Egito, em 1219, e ao seu próprio encontro com o Imã muçulmano Ahmed Al-Tayyeb 800 anos depois, em 2019, que gerou um documento sobre a fraternidade humana em prol da paz mundial e da convivência comum.

O Papa Francisco recorda que também havia encontrado uma fonte de inspiração no patriarca ortodoxo grego Bartolomeu, que propunha, com veemência, o cuidado com a terra, a nossa casa comum. Estes encontros do Papa Francisco com o patriarca Bartolomeu e o Imã Ahmed Al-Tayyeb são um exemplo concreto da fraternidade universal através do diálogo ecumênico e do diálogo inter-religioso, propostos no Concílio Vaticano II nos decretos Unitatis Redintegratio e Nostra Aetate. A estátua do Cristo Redentor representa este amor divino capaz de abraçar a todos, sem distinção: é um santuário católico a céu aberto, que recebe pessoas de todas as nações, raças e credos, unidas pela fraternidade e pela contemplação da beleza da Criação.  O poeta diz que o samba é um sinal da união das raças, "porque o samba nasceu lá na Bahia, e se hoje ele é branco na poesia, ele é negro demais no coração". Vinicius de Moraes conclui a canção citada pelo Papa Francisco pedindo a bênção a seus amigos, entre eles Cartola, Pixinguinha, Nelson Cavaquinho e São Sebastião. Inspirado no poeta, também pedimos a bênção ao melhor amigo do ser humano, aquele que vela por nós noite e dia, e nunca nos abandona, em qualquer situação: a bênção, Cristo Redentor.

Seminarista Alexandre Pinheiro



 
 
 
 
 
 
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