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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 04/08/2021

04 de Agosto de 2021

‘Nosso trabalho em favor da vida é um apostolado do céu onde vemos as graças, os milagres acontecerem’

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04 de Agosto de 2021

‘Nosso trabalho em favor da vida é um apostolado do céu onde vemos as graças, os milagres acontecerem’

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21/06/2021 21:40
Por: Redação

‘Nosso trabalho em favor da vida é um apostolado do céu onde vemos as graças, os milagres acontecerem’ 0

A Rede Nacional em Defesa da Vida e da Família, que nasceu com o objetivo de promover a dignidade da vida em sua integralidade, da mulher e do bebê, desde a concepção até a morte natural, agora conta com uma sede próxima à Igreja de São Francisco de Paula, no centro do Rio de Janeiro.

A bênção das instalações foi realizada pelo arcebispo metropolitano, Cardeal Orani João Tempesta, no dia 14 de junho, quando foi recebido pela presidente Zezé Luz e membros voluntários da instituição.

A sede da rede, situada na Rua do Teatro 3, ocupa um prédio antigo de quatro andares construído no início do século passado, de propriedade da Venerável Ordem Terceira dos Mínimos de São Francisco de Paula. O contrato de comodato entre as partes foi firmado por dez anos.

Para Zezé Luz, o movimento Pró-Vida é um trabalho de apostolado, de conscientização e valorização da vida no atendimento direto às mulheres em situação de risco do aborto e vulnerabilidade social.

“Tudo o que fazemos por amor a Deus e ao próximo conseguimos recolher frutos. Nosso trabalho em favor da vida é um apostolado do céu onde vemos as graças, os milagres acontecerem. Precisamos trabalhar pela vida, pela família, na propagação da cultura da vida, só assim vamos conseguir construir a civilização do amor a partir de uma geração pró-vida”, disse.

Na entrevista, a presidente da Rede Nacional em Defesa da Vida e da Família, Zezé Luz, que também é cantora e compositora católica, palestrante pró-vida e pró-família, conta um pouco a nova fase da Rede Nacional em Defesa da Vida e da Família.

TF – O que é o movimento Pró-Vida?

Zezé Luz – Pró-Vida é o nome que utilizamos em tradução ao Pró-Life, um movimento pró-vida nos Estados Unidos que teve seu início na década de 1970, quando da aprovação do aborto até no nono mês de gestação naquele país, que teve como consequência mais de 50 milhões de bebês abortados, e que continua até hoje.


TF – Quanto tempo o Pró-Vida está presente na Arquidiocese do Rio?

Zezé Luz – O Movimento em Defesa da Vida e da Família foi iniciado no Brasil, em âmbito eclesial por monsenhor Ney Afonso de Sá Earp, no final da década de 1970, início da década de 1980, depois abraçado pela Arquidiocese do Rio de Janeiro.

Monsenhor Ney Afonso começou o apostolado ficando na frente de clínicas de aborto, inclusive uma que existia, na época, em Botafogo, procurando dissuadir as mulheres que tinham a intenção de abortar. Ele fazia um trabalho sistemático de combate à cultura da morte.

Por volta de 2007 foi criada a Comissão Arquidiocesana de Promoção e Defesa da Vida, na Arquidiocese do Rio de Janeiro, na qual tive a felicidade de participar do segundo encontro, na época, sob a presidência do bispo auxiliar Dom Dimas Lara Barbosa, hoje sob os cuidados de Dom Antonio Augusto Dias Duarte, nosso bispo referencial.

 

TF – Nesse tempo, qual tem sido a atuação do movimento Pró-Vida no Rio?

Zezé Luz – A atuação do Pró-Vida no Rio de Janeiro vem antes da Campanha da Fraternidade de 2008, que teve como tema: “Fraternidade e defesa da Vida”, e como lema: “Escolhe, pois, a Vida” (Dt 30,19).

Na época, sob a orientação de monsenhor Joel Portella Amado, trabalhamos até na construção do texto-base, quando houve um trabalho muito bonito de conscientização nas paróquias. Lembro que conseguimos fazer uma palestra sobre o tema para quatro mil jovens católicos, e hoje vejo com alegria que muitos desses jovens perseveram e despontam no apostolado, fazendo um trabalho de conscientização, promoção e dignidade da vida humana e da família.

Nesse tempo, o movimento cresceu, sendo multiplicado nos vicariatos, nas paróquias, com o apoio dos sacerdotes e a ajuda da Pastoral Familiar, da Renovação Carismática Católica e das Novas Comunidades, como a Shalom, Sementes do Verbo, Coração Novo e Famílias Novas.

Desde monsenhor Ney Afonso até a vinda de Dom Orani em nossa sede, acredito que salvamos mais de 10 mil bebês do aborto, pois é um trabalho de conjunto envolvendo pessoas de boa vontade.

 

TF – Quanto tempo a senhora atua no Pró-Vida e o que a motivou a levar adiante esse trabalho?

Zezé Luz – Eu aderi ao movimento em 2005 depois de uma experiência de conversão quando me preparei para receber o Sacramento do Crisma, passando a conhecer as pastorais sociais atuantes na arquidiocese. De forma efetiva comecei a atuar na comissão arquidiocesana em 2007 e no Movimento Brasil Sem Aborto, em 2008.

A comissão arquidiocesana para mim foi um divisor de águas no sentido de materializar o que Deus desejava para minha vida. Eu vinha de uma experiência de violência sexual, de ter sofrido um aborto na minha juventude. Era uma pessoa que vivia de luto, com dor na alma. Sofri todos os traumas dessa prática. Tenho plena ciência e hoje consciência de que eu poderia ter sido orientada a doar o bebê a minha filha para adoção. A minha dedicação pela Pró-Vida, há mais de 15 anos, é exatamente um ato de reparação.

Se hoje tenho conhecimento e capacidade de ficar à frente da Rede Nacional em Defesa da Vida e da Família, que não está somente no Rio, mas em todo o Brasil, é porque eu tive uma escola, que é a Igreja Católica.

 

TF – Sua experiência pessoal contribui para que outras mulheres possam dizer ‘sim’ à vida?

Zezé Luz – Muitas vezes me deparo com mulheres que passam pelo mesmo trauma e digo a elas: “não mate seu filho, vocês não estão sozinhas, vamos te ajudar”. A partir da partilha da minha experiência de vida, dos traumas que o aborto ocasionou na minha vida, procuro fazer com que essas mulheres desistam da falsa solução do aborto, e não sofram a dor de um filho não nascido.

O que tenho feito ao longo desses anos é trabalhar, a qualquer hora do dia, até de madrugada.

As mulheres que passam por essa situação não devem se sentir excluídas da misericórdia de Deus, mas devem buscar a reconciliação por meio do arrependimento sincero. A dor de um aborto provocado leva a mulher à decadência, à depressão, a sentimentos dolorosos que prejudicam não só a vida de quem pratica o aborto, mas acaba influenciando toda a família.

Quando se pratica o aborto não se resolve o problema, pelo contrário, passa a ter problemas. Se a mulher não tiver uma ajuda psico-social, um direcionamento, podem ocorrer muitas situações em sua vida como ansiedade, depressão, alcoolismo, chegando até ao suicídio. Às vezes, afeta até a própria saúde e com danos irreparáveis, como a perfuração no endométrio ou um tratamento invasivo, que provoca a esterilidade. O aborto provocado é um grande mal e precisa ser combatido.  

 

TF – Quantas pessoas atuam no Pró-Vida, no Rio de Janeiro?

Zezé Luz – Temos hoje, em média, cem voluntários divididos nos vicariatos, através dos núcleos de apoio e atendimento à gestante.

Os voluntários são pessoas qualificadas para atender qualquer emergência que chegue até o nosso conhecimento. Entre eles, temos médicos, obstetras, assistente social, fonoaudiólogo, psicólogos e juristas. Em nossos estatutos há duas médicas, três advogados, uma fisioterapeuta, uma assistência social, leigos, sacerdotes e pastores. Deus foi muito generoso reunindo esse povo para fazer o bem. Temos um grupo de trabalho coeso. São pessoas que tem a sensibilidade de fazer a diferença no mundo, ajudando a salvar vidas.

Contamos ainda com voluntários da Oficina Santa Rita que produzem enxovais há dois anos, e de outras pessoas que doam berços e carrinhos de bebê. Nosso grupo, que serve o apostolado da vida, atua efetivamente, chega junto.

Embora necessitamos de profissionais da área médica, qualquer pessoa independente de sua profissão é bem-vinda para integrar a equipe de voluntários. Desde o ano passado, contamos também com um grupo de pessoas que se dedicam a oração diária, que é uma necessidade, vinculado ao movimento da Adoção Espiritual, uma iniciativa de Dom Tiago Stanislaw, que desde o ano passado reza e intercede pelo fim do aborto no mundo.

 

TF – Como foi o processo para conseguir, de fato, uma sede? Quais são os espaços e sua utilização?

Zezé Luz – Foi um milagre, bondade de Deus, de conseguir o espaço para nossa sede no Rio de Janeiro. Tivemos o apoio de Dom Orani, de Dom Antonio Augusto, que sempre nos acolheu, direcionou e orientou, do meu pároco, frei Evélio de Jesus Muñoz, da Paróquia São Francisco de Paula, na Barra da Tijuca, e do padre Silmar Alves Fernandes, quem nos apresentou o prédio da Irmandade de São Francisco de Paula, na qual fizemos um contrato de comodato de dez anos.

Recebemos a chave em outubro do ano passado, e desde então estamos preparando os espaços. Com a doação de um voluntário anônimo do Pró-Vida de Londres conseguimos fazer o telhado que estava condenado.

Todos os espaços do prédio serão usados. Haverá área de psicologia, de assistência social, de assistência psico-social e tudo mais o que for preciso.

Vamos expor e vender os produtos que as mulheres produzirem a partir dos cursos de capacitação que vamos oferecer. No terceiro andar será o espaço das crianças.

 

TF – Como manter financeiramente as despesas da rede?

Zezé Luz – Nossa instituição, diferente dos segmentos pró-aborto, não recebe ajuda e incentivo em espécie de governos. Precisamos de doadores de boas almas, que desejam efetivamente se tornar um padrinho ou madrinha de nossas ações.

A cantora Elba Ramalho sempre pede para abrir o coração, mas a carteira também, para ajudar quem precisa.

Contamos apenas com pessoas de boa vontade que ajudam, e de pouco em pouco conseguimos manter nosso espaço funcionando, o que é o mais importante.

Temos despesas fixas. Hoje o maior custeio são as ultrassonografias, para que a mulheres possam saber como que está a real situação do seu bebê antes de começar o pré-natal.

 

TF – Quais atendimentos o Pró-Vida, na sua sede, prestará para as mulheres?

Zezé Luz – Nossa rede tem como proposta acolher, amparar, ajudar e direcionar de forma que a mulher possa se sentir segura com nosso atendimento, principalmente quem por ventura tenha passado pela realidade de uma gravidez como fruto de violência.

Por meio do Projeto Esperança, vamos ajudar para que a mulher  compreenda que a situação irá passar e que em pouco tempo ela terá o seu filho nos braços. O bebê sempre é o inocente na história, é o que merece viver, ser amparado e acolhido, pois é o ser mais frágil é indefeso. Nós atuamos e somos as vozes e a defesa desses bebês, e temos muitas mulheres que não se arrependeram de dizer ‘sim’ à vida.

 

TF – O que é o Projeto Esperança?

Zezé Luz – É uma ação de atendimento às mulheres que passaram pelo trauma do aborto. Há todo um aconselhamento e um acompanhamento para que elas possam fazer o caminho de volta, o caminho da misericórdia, se reconciliar com Deus, com seu bebê e consigo mesmo, e resgatar efetivamente a sua dignidade.

Esse atendimento é de abraçar, acolher, amparar. A mulher chega fragilizada, em desespero. Muitas vezes, elas buscam o aborto por desespero. Procuramos aconselhar que a situação que ela está vivenciando é passageira e que a partir do seu ‘sim’, tudo vai se transformar e que Deus vai prover todas as coisas.

 

TF – Quais serão os critérios de atendimento?

Zezé Luz – Atendemos mulheres independentemente do credo, da cor, religião e de classe social. Desde a mulher de comunidade, pobre, ou de classe média, alta, que muitas vezes pensa que o aborto é a solução.

Recebemos muitos contatos, denúncias, pedidos de socorro, de ajuda. Sempre vamos ao encontro da mulher ou do bebê que estejam em risco. Quando uma mulher busca o aborto, ela também se coloca em risco, inclusive de morrer. Nossa missão é salvar as duas vidas.

Ao deparar com a realidade e as consequências do que esta prática traz, e também da humanidade do bebê que ela carrega em seu ventre, procuramos ajudar e acompanhar em tudo o que for preciso.

Quando nossa parceira de luta e embaixadora de honra, a cantora Elba Ramalho, se depara com essa situação, ela fala para as mulheres: “não mate o seu filho, nós vamos te ajudar”. É preciso alertar as mulheres do sofrimento que irão passar, e muitas desistem do aborto, diante do aparato, da ajuda que proporcionamos. 

 

Carlos Moioli


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